12/12/2025
Ser mulher, nos dias de hoje, é carregar um conjunto de expectativas que muitas vezes chegam antes mesmo de qualquer escolha pessoal. Ser mãe, então, acrescenta outra camada de exigências, algumas silenciosas, outras escancaradas, todas elas difíceis de equilibrar. Vivemos numa época em que o discurso da liberdade feminina convive com estruturas que ainda exigem perfeição, entrega total e disponibilidade permanente.
A mulher é chamada a ser forte, mas também doce; independente, mas presente; profissional dedicada, mas mãe impecável. Espera-se que ela dê conta de tudo — da carreira, da casa, dos filhos, da vida emocional da família, e ainda encontre tempo para si mesma, como se isso fosse apenas um detalhe encaixável no fim da lista. E quando não dá conta, pesa a culpa, essa sombra constante que acompanha tantas mulheres que tentam fazer o impossível.
Ser mãe hoje é lutar contra modelos idealizados que mostram um amor que nunca cansa, uma paciência que não se rompe e um corpo que não muda. É tentar educar filhos num mundo que se transforma rápido demais, enquanto se tenta não se perder no meio da própria transformação. É ter medo, é ter coragem, é aprender a improvisar, é fracassar e recomeçar — tudo no mesmo dia.
Mas, apesar do peso, há também potência. Há mulheres que se apoiam, que se reconhecem nas batalhas umas das outras, que constroem novas formas de maternar, mais reais, mais humanas. Há uma força que nasce da vulnerabilidade, uma sabedoria que surge do cansaço, um amor que resiste mesmo quando tudo parece difícil.
Ser mulher e ser mãe nos dias de hoje é pesado, sim. Mas também é um ato profundo de resistência, de criação e de identidade. É, acima de tudo, a busca constante por existir inteira — não apenas para o mundo, mas para si mesma.