20/03/2026
SEJAMOS HUMANOS!
O PSD apresentou um projeto de lei para revogar a legislação aprovada em 2018, que permitiu a menores mudarem de s**o no Registo Civil.
Quem me conhece sabe que este tema é de extrema relevância para mim.
Não fosse eu uma “escutadora” de pessoas e não tivesse já eu perdido uma paciente que preferiu morrer do que aguentar com todo este estigma e questões à volta deste assunto.
Quando nascemos é prática olharmos para os genitais da criança e dizer “é menino” ou “é menina”! Acontece que quando crescemos pode existir uma discrepância entre o s**o biológico atribuído à nascença e a identidade do género com a qual me identifico.
Está dissonância é por si só um enorme sofrimento, quer para os jovens quer para as famílias deste jovens que são obrigados a fazer o luto do filho que viram nascer para fazer renascer outro filho com uma identidade de género divergente do s**o com que nasceu.
Ninguém tem noção do que isto implica, ninguém! Ninguém tem noção do sofrimento das pessoas em causa, das suas famílias.
A toma de bloqueadores na adolescência, a mudança de nome no registo civil, que atenção só acontece com autorização dos pais, com uma declaração médica do hospital que acompanha o caso e com uma declaração da psicóloga a atestar plenas faculdades para tomar tamanha decisão é apenas um passo no caminho de uma felicidade que ainda tem tanto caminho para percorrer.
Serem chamados pelo nome com o qual se identif**am é só tornar o caminho apenas um pouco menos doloroso.
Estamos a falar do nome, só o nome, mas que signif**a tanto!
Seguem-se as hormonas, as cirurgias de transição de género entre tanta outra coisa que ninguém imagina. Tudo a seu tempo, infelizmente até devagar de mais para quem sofre num corpo que não é o seu. Para quem todos dias vê ao espelho aquilo que não lhe pertence.
Este tema é talvez uma das minhas maiores bandeiras, porque os ouço, porque os vejo e principalmente porque os sinto. A eles e as suas famílias.
Também ouço e sinto as famílias e enlutadas que tiveram de perder filhos porque nunca se sentiram compreendidos.
Sejamos mais humanos por favor.