Clínica Dr Celso Oliveira - Psicoterapia Integrativa com/sem Hipnose

Clínica Dr Celso Oliveira - Psicoterapia Integrativa com/sem Hipnose Psicoterapia com Hipnose Clínica Centrada na Pessoa e Focada nas Soluções

Ovar
Largo SerpaPinto O que é a Hipnose? Celso Oliveira (Novembro/ 2012)

A Hipnose é um estado Específico de Consciência, natural em todas as Pessoas e que todas as Pessoas podem aprender a usar .
É um estado específico de consciência natural e não modif**ado e muito menos alterado.

É um estado que podemos aprender a usar e que consiste no afunilamento da nossa atenção para o nosso interior. A hipnoterapia é a utilização guiada dessas habilidades naturais da Pessoa para resolver dificuldades e/ou encontrar soluções terapêuticas para essas dificuldades. Tratamentos
A Hipnoterapia pode ser utilizada em variadas situações, nomeadamente:
- Depressão
- Pânico, ansiedade, medos e fobias
- Perturbações Obssessivo- compulsivas (POC)
- Problemas de Concentração e Memória
- Distúrbios do sono
- Distúrbios alimentares (Anorexia, Bulimia, Controlo alimentar, etc.)
- Redução de Peso
- Problemas se***is (Frigidez, Impotência Sexual, Ejaculação Precoce, etc.)
- Hiperatividade e Défices de Atenção
- Problemas de concentração e memória
- Controlo da Dor (Fibromialgia, Artrite, etc.)
- Problemas dermatológicos (Psoríase, Vitiligo, Lúpus, etc.)
- Problemas de Socialização (Timidez e dificuldades de relacionamento)
- Dificuldades no desempenho escolar (insucesso, desmotivação e ansiedade)
- Adições (Tabagismo, Alcoolismo e Dr**as)
- Mudança de Hábitos (roer as unhas, etc.)

O Natal por dentro (Um texto mais do livro que podem encontrar na Amazon)https://amzn.eu/d/2LIiBZ0Famílias Recompostas e...
27/12/2025

O Natal por dentro (Um texto mais do livro que podem encontrar na Amazon)
https://amzn.eu/d/2LIiBZ0

Famílias Recompostas e Natais Desalinhados - Novos companheiros, novos irmãos, novas rotinas

Há calendários que não aparecem nas agendas digitais, mas organizam a vida de muitas casas:
— «Este ano o Natal é com o pai.»
— «Para o Ano Novo vais para a mãe.»
— «Dia 24 jantas aqui, à meia-noite vais para lá.»

Nas famílias recompostas, o mapa de Dezembro parece um puzzle: casas diferentes, horários combinados, afectos repartidos, lealdades divididas.
Por fora, tenta-se compor a fotografia: sorrir todos juntos, como se o guião fosse simples. Por dentro, contudo, quase toda a gente sente, em algum ponto, desalinhamento.

Para a criança (ou jovem), pode ser isto:
— fazer mala no próprio dia 24;
— mudar de regras, de ambiente, de jeito de amar;
— ouvir histórias diferentes sobre as mesmas pessoas;
— sentir que, se estiver bem num lado, trai o outro;
— sentir que tem de “equilibrar” o humor dos adultos.

Para os adultos, o enredo também é exigente:
— querer acolher os filhos do outro sem ocupar o lugar de mãe/pai;
— gerir presenças de ex-parceiros nas conversas ou nas decisões;
— sentir ciúme das memórias que não partilhou;
— lidar com comparações, reais ou imaginadas;
— gerir a própria mágoa enquanto tenta ser “maduro” para os filhos.

O discurso social, porém, é superficial:
«O importante é que se dêem todos bem.»
«As crianças habituam-se.»
«Desde que haja amor, está tudo certo.»

Em clínica, sabemos que não é tão simples.
Sim, as crianças podem adaptar-se.
Sim, muitas famílias recompostas constroem laços belíssimos.
Mas esse caminho passa por conflitos de lealdade, negociação de fronteiras e, muitas vezes, culpas silenciosas.
Confiança repartida, lealdades esticadas

Uma criança em família recomposta leva, dentro do peito, vários mapas ao mesmo tempo.
Sabe que o pai e a mãe já não são casal.
Sabe que, muitas vezes, ainda há mágoa.
Sabe que há novos companheiros, novos irmãos, novas rotinas.

Mesmo que ninguém verbalize, o corpo da criança lê sinais:
— pequenas frases ácidas;
— silêncios pesados quando se fala “do outro lado”;
— curiosidade em forma de interrogatório;
— elogios que vêm com recado: «aqui é que estás bem», «lá é que é complicado».

De forma subtil, a criança pode aprender: «Eu tenho de gerir o que conto a cada lado, para não magoar ninguém.»
Isto é uma forma precoce de parentif**ação emocional: o filho assume a tarefa de proteger o estado emocional dos adultos, em vez de ser protegido por eles. Em Dezembro, este papel surge com nitidez:
— “não vou dizer à mãe que me diverti com a nova família do pai”;
— “não vou contar ao pai que gostei do namorado da mãe”;
— “vou tentar estar bem em todo o lado para ninguém f**ar triste.”
É um esforço enorme, invisível, que consome energia mental e afectiva.

O lugar do novo companheiro

Para quem entra numa família já em curso, o Natal pode ser um exame silencioso:
— “vou ser aceite?”
— “vou estar sempre a mais?”
— “posso trazer as minhas próprias tradições?”

É fácil cair num de dois extremos:
— Tentar substituir: ocupar espaço de mãe/pai, “corrigir” o que o outro fez, impor afecto à força.
— Desaparecer: f**ar sempre de lado, não opinar nunca, ser cordial mas falso, fingir que não tem necessidades.

Nenhum dos extremos é sustentável.
O lugar possível é mais humilde: adulto presente que cuida, sem roubar nem desaparecer.
Não é mãe, não é pai. É uma outra figura de referência, que pode ser importante, desde que não funcione como arma de guerra nem como sombra muda.

Para que isto seja possível, é preciso que o casal actual tenha conversas difíceis fora do cenário de Natal:
— clarif**ar o que é esperado de cada adulto;
— reconhecer ciúmes, medos, inseguranças;
— combinar regras mínimas para não colocar as crianças no meio de conflitos letais.

O mito do Natal perfeito e a realidade repartida

Outro ponto que dói: muitas pessoas divorciadas, separadas ou recasadas carregam a fantasia de “compensar” os filhos no Natal. Compram demais, programam demais, tentam criar uma festa perfeita para neutralizar a experiência de ruptura.
O problema é que, por mais amor que haja, não se repara uma história complexa com um dia impecável. O que mais ajuda as crianças não é a perfeição de um Natal, mas a previsibilidade básica ao longo do ano, o respeito entre adultos, a liberdade para gostarem de todos sem se sentirem culpadas.

É muito frequente ouvir crianças e jovens dizerem:
— «O problema não é ir de uma casa para outra; o problema é o que os adultos fazem com isso.»

O que mais as fere raramente é o esquema em si; é:
— serem usadas como mensageiras;
— ouvirem desabafos sobre o outro progenitor;
— serem pressionadas para “escolher”;
— serem postas no centro dos conflitos de adulto.

Desalinhamento não é falha: é complexidade

Famílias recompostas são sistemas complexos.
Têm histórias diferentes a tentar coabitar, ferias antigas e novas alegrias, medos de perder lugar, vontade de recomeço. Não são “famílias de segunda”; são famílias onde a teia é mais intricada.

O Natal, nesse contexto, vai ser, quase inevitavelmente, um pouco desalinhado:
— horários que não batem certo;
— presenças que fazem falta num lado e noutro;
— filhos que chegam cansados de uma casa a outra;
— novas tradições que colidem com as antigas;
— sentimentos mistos de alegria e de pena, de alívio e de saudade.

O objectivo não é eliminar o desalinhamento — isso seria fantasia. É torná-lo vivível, em vez de o transformar em campo de batalha.
Do ponto de vista clínico, o que ajuda é:
• clareza de acordos entre adultos, feita fora da frente das crianças;
• liberdade para os filhos gostarem de todos, sem serem punidos por isso;
• alguma humildade de cada parte: reconhecer que não vai ser perfeito, que haverá ciúmes, descompassos, falhas – e, ainda assim, é possível criar momentos bons;
• direito a ajustar planos de ano para ano, à medida que a família se reorganiza.

Micro-exercício:
Se vives numa família recomposta — como pai, mãe, padrasto, madrasta, filho, enteado, avô — experimenta este exercício escrito.

Desenha os “dois lados” (ou mais)
Num papel, esboça as casas que entram no Natal:
Casa A, Casa B, talvez Casa C (avós, tios, etc.).
Anota quem está em cada uma, de forma simples.

Escreve, para cada casa:
«O que esta casa oferece de bom às crianças (ou a mim).»
(ex.: estabilidade, comida, humor, atenção, espaço, regras claras, liberdade.)
«O que é mais difícil nesta casa.»
(ex.: críticas, barulho, álcool, tensão, frieza, excesso de regras, falta de regras, manipulação, distância.)

Clarif**a o teu lugar neste sistema
Completa:
«O meu lugar, neste sistema recomposto, tem sido…»
(ex.: “o que apazigua”, “a que se sacrif**a”, “o ausente”, “o que tenta ligar as pontas”, “o que observa sem falar”.)

Depois escreve:
«O lugar que eu gostaria, realisticamente, de ir construindo é…»
(ex.: “adulto presente, não salvador”; “pai disponível, mesmo sem ser perfeito”; “madrasta que cuida, sem competir”; “filho que pode gostar de todos sem fazer de terapeuta dos pais”.)
Uma conversa possível + um limite possível

Escolhe:
Uma conversa de adulto para adulto que, este ano ou no próximo, gostarias de ter (fora das festas), para clarif**ar expectativas:
(sobre horários, sobre álcool, sobre lugar de cada um, sobre o uso das crianças como mensageiras).

Um limite mínimo que vais honrar este Natal, para te proteger e proteger os mais pequenos:
(ex.: não falar mal do outro progenitor à frente da criança; não pedir ao filho que escolha “de que lado está”; não usar os Natais para ajustar contas; sair de uma conversa que está a descambar; não usar o filho como informador secreto.)

Escreve esse limite em forma de compromisso curto:
«Neste Natal, eu não vou…» / «Neste Natal, eu vou garantir que…»

Famílias recompostas não são erro de guião.
São enredos em reescrita, onde muitas vezes se aprende, com dor e beleza misturadas, uma coisa que os contos simples esquecem: o amor pode mudar de forma e, ainda assim, continuar a ser amor — desde que não peça às crianças que carreguem o peso do enredo.

Pergunta para f**ar:
Na tua família recomposta, que pequeno ajuste — em ti, nas conversas, nos limites — poderia tornar o próximo Natal menos perfeito, mas um pouco mais habitável para todos, sobretudo para os mais novos?

Las devoluciones gratuitas están disponibles para la dirección de envío que has elegido. Puedes devolver el artículo por cualquier motivo en estado nuevo y sin usar, sin gastos de devolución.

Natal por Dentro (Ep. 12)Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.Hoje: ‹‹O Dia de Natal -...
25/12/2025

Natal por Dentro (Ep. 12)
Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.

Hoje: ‹‹O Dia de Natal - Depois da espera››

O Dia de Natal tem um silêncio próprio. Mesmo quando há barulho. É um silêncio por baixo das vozes, como se o ar estivesse ligeiramente suspenso. Para muitos, é o dia há semanas anunciado: compras, listas, ensaios, preparativos, deslocações. Para outros, é apenas mais um dia do calendário, com um peso estranho: «toda a gente parece ter algo importante para fazer, menos eu».

O curioso é isto: nenhum dia aguenta o peso de todas as nossas expectativas. Nem aniversários, nem casamentos, nem começos de ano, nem o próprio Natal. E, no entanto, investimos neste dia uma espécie de aposta secreta: que repare, em vinte e quatro horas, aquilo que foi difícil durante meses. Que cure distâncias, que faça esquecer discussões, que apague carências antigas, que devolva uma sensação de pertença estável.

A ressaca das expectativas

Em termos psicológicos, o Dia de Natal é muitas vezes o ponto alto de um ciclo de antecipação, activação e descarga:
• Semanas de antecipação (idealização, ansiedade, planos).
• Dias de activação (tarefas, encontros, ruídos, comparações).
• E, finalmente, a descarga: quando o corpo percebe que “é hoje”, entra num misto de excitação e cansaço.
Por isso há tanta gente que passa o dia 25 com uma sensação paradoxal: estamos “onde era suposto”, com quem “era suposto”, a fazer o que “era suposto”… e, mesmo assim, por dentro, algo não encaixa. Um vazio leve. Um cansaço pesado. Uma impressão de irrealidade: «era só isto?»

Não é desamor. É fisiologia e é história. O sistema nervoso, depois de semanas em alerta, f**a saturado. E a vida real, com as suas imperfeições, não coincide com o postal que fomos construindo na mente.
A isto soma-se a comparação. Em cada notif**ação, um registo: mesas impecáveis, famílias afinadas, crianças radiantes, casais em abraço. Sabemos, racionalmente, que ali não está o “todo”.

Mas o coração, em especial se traz feridas de rejeição ou de solidão, lê outra coisa: «no meu filme falta qualquer coisa que toda a gente parece ter».

Entre o que é possível e o que é ideal

Uma das tarefas clínicas mais importantes neste dia é separar o ideal do possível.
O ideal costuma ser silencioso, mas exigente:
— todos em paz;
— ninguém a beber demais;
— conversas profundas, sem conflito;
— gratidão alinhada;
— ausência de saudades dolorosas.
O possível é mais humilde, mas mais verdadeiro:
— um momento de riso genuíno no meio da confusão;
— uma refeição onde, apesar de tudo, o corpo come e agradece;
— um telefonema que não esperavas;
— a coragem de não responder a uma provocação;
— a honra discreta de um lugar vazio à mesa, em memória de quem já partiu.

A saúde emocional, aqui, não se mede pela perfeição do dia, mas pela capacidade de reconhecer o que houve, sem negar o que faltou. E sem transformar o que faltou numa prova de que a tua vida é um fracasso.

O Dia de Natal como radiografia

Em muitas pessoas, o dia 25 funciona como radiografia das relações: torna mais visível aquilo que durante o ano já existia, mas diluído.
• Relações cuidadas ganham densidade.
• Relações superficiais mostram o seu limite.
• Feridas antigas gritam mais alto.
• Solidez interna (ou a sua falta) torna-se mais clara.

Não é o Natal que inventa tudo isto. Ele apenas o ilumina. De certo modo, o dia 25 não é exame final; é fotografia aumentada.
Olhar para essa fotografia com honestidade pode ser doloroso, mas é também uma oportunidade: ver o que precisa de cuidado em Janeiro. Uma relação que merece ser nutrida. Uma distância que precisa de ser preservada. Uma terapia a iniciar ou a retomar. Um hábito de autocuidado a levar mais a sério.

Quando o Natal foi bom — e quando não foi

Há ainda duas situações que quase não se falam:

• Quando o Natal foi bom
Pode surgir culpa (“Como posso estar bem, se outros não estão?”) ou medo (“Isto não vai durar”). Aqui, a tarefa é permitir gratidão sem sabotagem: reconhecer o que foi bom, registar, guardar como memória nutritiva — sem exigir que se repita exactamente assim todos os anos.

• Quando o Natal foi mau
Discussões, solidão, excesso de álcool, humilhações, episódios que não querias ter vivido. A tentação é duas: ou dramatizar («a minha vida é um desastre»), ou minimizar («não foi nada»). O caminho clínico costuma estar no meio: dar nome ao que doeu, talvez escrever, talvez falar com alguém de confiança, talvez levar o tema para terapia. E, ao mesmo tempo, lembrar-te de que um dia, mesmo mau, não define a totalidade da tua história.

Micro-exercício:
Se puderes, ainda hoje ou nos dias imediatamente a seguir, reserva um pequeno tempo para fazer este balanço escrito:

Três coisas que este Natal mostrou de bom na tua vida actual:
(podem ser detalhes: uma resposta gentil, uma ajuda inesperada, a tua própria capacidade de dizer “não”, um momento de calma, a sobrevivência depois de uma situação difícil.)

Três coisas que este Natal revelou que estão a precisar de cuidado:
(uma relação, um limite, o uso de álcool, o sono, a gestão de dinheiro, a forma como falas contigo, a solidão.)

Uma decisão mínima para os próximos três meses, inspirada por este dia, não para o punir nem idealizar, mas para o integrar:
— marcar uma sessão de terapia;
— combinar um encontro mensal com alguém importante;
— rever o modo como lidas com determinado hábito;
— começar um pequeno ritual semanal de descanso ou de oração;
— dizer a uma pessoa que valorizas algo que ela fez.

Não precisas de grandes resoluções. Basta uma decisão pequena, repetida. A epifania mais robusta, psicologicamente, é esta: “O que vivi hoje não é a minha vida toda. É uma parte. E eu posso participar, com actos concretos, na forma como escrevo as próximas páginas.”

No fim, o Dia de Natal talvez queira ser menos pedestal e mais espelho: não um juiz do que és, mas um retrato provisório do lugar onde estás.

O essencial é não f**ares prisioneiro dessa imagem.
Usá-la, isso sim, como mapa para o caminho seguinte.

Pergunta para f**ar:
O que é que este Dia de Natal te mostrou que merece ser cuidado com mais seriedade — e mais ternura — nos próximos meses?

Celso Oliveira

Natal por Dentro (Ep. 11)Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.Hoje: ‹‹A Cadeira Vazia-...
24/12/2025

Natal por Dentro (Ep. 11)
Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.

Hoje: ‹‹A Cadeira Vazia- Perdas que não cabem na festa››

Há mesas em que o que mais pesa não é o que está em cima.
É o que falta.

Às vezes é uma cadeira literalmente vazia: o lugar onde alguém se sentava sempre, o prato que já não se põe, o guardanapo que f**a por dobrar. Outras vezes, a cadeira está ocupada, mas a ausência é outra: alguém que está longe, alguém com demência que já não reconhece, alguém emocionalmente ausente, alguém que decidiu não vir. Em qualquer dos casos, o corpo sabe: aqui falta alguém.

O Natal tem o poder de ampliar esta sensação. Onde antes havia rotinas, piadas privadas, pequenos gestos, agora há um silêncio que nenhuma música disfarça. A publicidade fala de reencontros; a tua experiência, talvez, seja de um não reencontro. E aquilo a que se chama “espírito de Natal” pode soar quase ofensivo quando a alma está em luto.

Em termos psicológicos, a cadeira vazia é um símbolo muito claro de continuidade do vínculo: a relação com quem partiu (ou se afastou) não termina com a ausência física. A ligação continua – na memória, na saudade, na forma como falas, na maneira como te sentas à mesa, nas decisões que tomas, até nos silêncios que guardas.

Mas esse vínculo continuado tem de encontrar forma de existir. Quando não encontra, acontece uma de duas coisas:
• ou a pessoa tenta apagar a dor à força (“não falamos, não lembramos, não se chora”), como se a cadeira nunca tivesse sido ocupada;
• ou vive a vida inteira como se a perda fosse ontem, congelando o tempo à volta daquela ausência, como se nada de novo pudesse acontecer sem ser traição à memória.
Nem um nem outro extremo ajudam o luto a seguir o seu curso.

O luto não é “ultrapassar” alguém.
É aprender a viver de outra forma com a realidade de que essa pessoa já não está como antes.
Há um antes e um depois – e o Natal é um dos lugares onde esse corte se torna mais visível.

Importa também lembrar que a cadeira vazia não fala apenas de morte.
Pode falar de:
• separações e divórcios, quando uma presença constante passa a ausência tensa;
• emigração, quando o corpo foi para longe e a voz chega apenas por ecrãs;
• doença psiquiátrica ou neurológica, quando a pessoa está, mas já não é acessível como era;
• relações cortadas por necessidade de protecção (afastamento de alguém violento, abusivo ou destrutivo);
• filhos que saíram de casa, mudanças de cidade, mudanças de comunidade.

Em todos estes casos, o corpo regista a cadeira como falta, mesmo que a razão entenda bem que aquela ausência, em si, foi inevitável ou até saudável.

As famílias gerem isto de modos muito diferentes.
Há casas onde se decide, com naturalidade:
— «Este ano acendemos uma vela por quem não está.»
Há casas onde se ergue um quase altar, e a noite torna-se prisioneira da dor.
Há casas onde se proíbe qualquer referência: «Se falamos, a mãe desaba; é melhor fingir que está tudo normal.»

Do ponto de vista clínico, o que se procura é um lugar intermédio:
onde a perda possa ser nomeada, chorar, honrada —
mas onde a vida também tenha permissão para continuar, sem culpa.
É legítimo:
• alguém não conseguir cantar as canções de sempre naquele ano;
• alguém precisar de sair da mesa uns minutos para chorar;
• alguém não querer tirar a fotografia que se tirava sempre;
• alguém não ter vontade de ir a todas as celebrações;
• alguém rir, genuinamente, apesar da dor — e sentir-se estranho por isso.

A dor não é prova de amor; é consequência do amor.
Mas não é o único modo de honrar quem partiu ou quem se ausentou.

Outro tema delicado é o dos lutos não reconhecidos:
• o do ex-cônjuge, que deixou de ser “família” e, por isso, não tem lugar na narrativa de dor;
• o de uma relação interrompida que “não era oficial”;
• o de perdas relacionadas com animais, projectos, vocações, que a família desvaloriza;
• o da pessoa que se afastou por autoprotecção e, por isso, não é vista como “autorizada” a estar triste.
Nesses casos, a cadeira vazia é quase secreta: só tu a vês. Só tu sabes que ali falta alguém que o resto da família prefere apagar.

Esse tipo de luto precisa ainda mais de nome e de lugar seguro — se não à mesa grande, ao menos numa mesa mais pequena, num espaço terapêutico, numa amizade confiável.
É importante também reconhecer que, em algumas situações, não pôr a cadeira é um acto de saúde.

Quando a pessoa que falta foi fonte de violência ou destruição, romantizar a sua presença pode ser uma forma de continuares preso a uma narrativa que te magoa. A clínica vê isto muitas vezes: famílias a glorif**ar quem feriu, por lealdade, por culpa, por hábito. Aqui, o trabalho é outro: separar o lugar da pessoa enquanto ser humano (com a sua história, as suas dores, as suas escolhas) da obrigação de continuar a dar-lhe um lugar central na tua mesa interna.

Em qualquer caso, a pergunta que ajuda é simples e exigente:
«Que lugar é que eu quero, posso, consigo dar a esta ausência, este ano?»
Não é uma vez para sempre. É este ano.
O luto tem o seu próprio calendário, que raramente coincide com o das festas.

Micro-exercício:
Pega em papel e caneta e experimenta este pequeno ritual escrito:

Nomear a cadeira
Escreve, em cima da página:
«A cadeira vazia deste ano é a tua, __________.»
(pode ser alguém que morreu, alguém que está longe, alguém de quem te afastaste, alguém que já não está presente da mesma forma.)

Deixa sair 5–10 linhas sobre o que essa pessoa representava para ti:
— qual era o gesto dela;
— o que te irritava;
— o que te fazia falta;
— o que te fazia sentir cuidado.
Duas colunas: o que f**a e o que não pode continuar
Na coluna da esquerda, escreve:
«Quero guardar de ti…»
(um traço, uma memória, uma frase, uma maneira de estar.)
Na coluna da direita, escreve:
«Não posso continuar a carregar…»
(culpa, expectativas impossíveis, promessas que não consegues cumprir, a obrigação de estar sempre triste, ou a obrigação de estar sempre forte.)

Um gesto simbólico possível
Escolhe um gesto pequeno que faça sentido para ti este ano:
acender uma vela discreta antes ou depois da refeição;
dizer apenas uma frase em voz alta, se houver clima para isso («Hoje lembramos o/a…»);
escrever uma carta que talvez nunca vás ler em voz alta, mas que te permita despedir-te de um modo, e não da pessoa;
propor um brinde simples, sem discursos;
ou, se for demasiado intenso, fazer o ritual sozinho, noutro dia, noutro espaço, sem obrigar ninguém a entrar nisso.

Se te apercebes de que a dor é tão grande que invade tudo — sono, apetite, vontade de viver — durante semanas e meses, isso não é fraqueza; é sinal de que o luto precisa de acompanhar. Tal como não tratarias uma hemorragia grave sozinho, não precisas de tratar sozinho de uma perda que te rasgou.

Pergunta para f**ar:
Na cadeira vazia deste ano, o que queres, de verdade, continuar a acolher — e o que precisas, por fim, de pousar, para poderes permanecer vivo na tua própria mesa?

Natal por Dentro (Ep. 10 )Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.Hoje: «A Noite»(Quem f*...
23/12/2025

Natal por Dentro (Ep. 10 )

Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.

Hoje: «A Noite»
(Quem f**a dentro, quem f**a fora)

Há uma hora em que as luzes de Natal brilham mais: não é quando as acendemos; é quando a noite cai de vez. Dentro das casas, vidros embaciados, mesas cheias, vozes sobrepostas. Cá fora, passeios húmidos, janelas alheias, pessoas que passam sozinhas, entregadores que tocam à campainha e seguem, quem trabalha por turnos, quem não tem a quem voltar. O Natal, enquanto cenário, é sempre duplo: há quem esteja “dentro” e há quem fique “de fora”.

Ficar de fora pode ser geográfico (não estar em nenhuma mesa), mas pode também ser psicológico: estar rodeado de gente e, ainda assim, sentir-se ausente. Estar no meio da ceia, mas perceber que não há lugar verdadeiro para a própria história. É uma sensação conhecida em clínica: solidão acompanhada. O que dói não é apenas a falta de pessoas; é a falta de pertença.

Nas redes, as fotografias fazem coreografia: famílias alinhadas, mesas fartas, crianças a rir, casais com ar cúmplice. Em muitas dessas imagens há afecto real; noutras há apenas pose. Quem olha de fora, porém, não vê as nuances. Vê contraste. E o contraste acende perguntas duras: «O que falhou em mim?», «Por que é que toda a gente parece ter um lugar menos eu?».

A mente, nessas horas, pode tornar-se cruel. Começa a construir histórias fechadas:
— «Se estou sozinho é porque não valho.»
— «Se não tenho esta família ideal, é porque fiz algo mal.»
— «Se não encaixo nestes jantares, o problema sou eu.»
Estas frases não são apenas pensamentos tristes; são formas de ver o próprio valor através do filtro da comparação. E a comparação, no Natal, é particularmente injusta, porque se baseia em imagens editadas, em momentos escolhidos, em narrativas incompletas.

Há pessoas que f**am de fora por condição: emigrantes sem rede, idosos em lares onde não há visitas, quem perdeu familiares, quem vive numa relação de corte recente, quem está hospitalizado, quem trabalha para que outros possam celebrar. Há também quem fique de fora por protecção: decidiu não estar num ambiente tóxico, afastou-se de uma relação abusiva, optou por não participar em dinâmicas que o feriam. Esta segunda forma de “lado de fora” é, muitas vezes, um avanço de saúde, por mais solitária que pareça.

A pergunta que importa aqui é:
Estar “de fora” é um abandono… ou é, em parte, uma escolha de cuidado?

Responder com honestidade pode mudar o tom da noite. Se estás só porque foste excluído, a dor precisa de nome, e a tua história merece reconhecimento. Se estás só porque te afastaste de algo que te magoava, essa solidão, embora difícil, traz dentro dela uma semente de dignidade: escolheste não te expor ao que te diminuía.

Do lado de dentro também há gente «de fora». Pessoas que entram no teatro da família, cumprem o protocolo, mas sentem que não são realmente vistas. O seu mundo interno não cabe naquela sala. As suas dúvidas, crenças, orientações, afectos, não têm lugar à mesa. Estão presentes em corpo; ausentes em alma. E isto levanta outra questão clínica: até que ponto a pertença que tens é paga com o preço da tua autenticidade?

Em termos de vinculação, muitos de nós aprendemos, desde cedo, que pertença vinha com condições: “és bem-vindo se fores assim”; “és amado se fizeres assado”. O Natal pode reactivar esse modelo. De repente, voltamos a ser crianças a tentar merecer lugar. E, quando falhamos no guião, sentimos que “saímos” da festa, mesmo que continuemos sentados.

Talvez um dos trabalhos interiores possíveis nesta noite seja distinguir dois tipos de pertença:
• Pertença imposta: quando precisas de encolher quem és para poderes f**ar.
• Pertença escolhida: quando te permites procurar, ao longo do tempo, contextos onde a tua presença não exija máscara permanente.

Nem sempre é possível, no imediato, mudar de contexto. Mas já é muito se, por dentro, começares a sussurrar uma coisa nova: «O facto de hoje estar só — ou de não estar plenamente à vontade — não define o meu valor inteiro.»

A psicologia do trauma lembra-nos que o isolamento prolongado magoa. Precisamos de laços. Mas também lembra que proximidade sem segurança também magoa. Entre o deserto total e a mesa tóxica, pode haver zonas intermédias: um amigo, um vizinho, uma chamada, um voluntariado, uma missa ou culto, uma ceia partilhada em pequena escala, uma videochamada com alguém que vive o mesmo.

Ninguém substitui ninguém. Mas alguém pode fazer diferença numa noite.

Micro-exercício:
Hoje, olha para a tua noite com um pouco de ternura realista e faz isto por escrito:

Nomeia o teu lugar actual:
«Nesta noite, na prática, eu estou…»
(sozinho em casa / com família de origem / com família escolhida / a trabalhar / no hospital / noutro contexto.)
Escreve uma frase de validação honesta:
«É compreensível que eu me sinta…»
(triste, ambivalente, aliviado, dividido, zangado, grato, confuso.)

Escolhe um gesto mínimo de pertença escolhida para hoje:
— enviar uma mensagem verdadeira a alguém («Lembrei-me de ti hoje»);
— aceitar um convite simples, mesmo que breve;
— escrever uma carta (que envies ou não);
— participar numa actividade comunitária ou espiritual;
— partilhar uma refeição com uma pessoa apenas, em vez de nenhuma.

Se, por circunstância, não houver mesmo ninguém disponível hoje, podes ainda assim praticar uma forma de pertença interna: escrever para o teu “eu” de há dez anos, dizendo-lhe o que gostarias que alguém lhe tivesse dito numa noite como esta. Não resolve tudo, mas cria um fio de continuidade: lembra-te de que tu também és casa para ti.

No fim, talvez o problema não esteja em haver gente dentro e gente fora. Isso sempre existiu. A questão é que, por vezes, transformamos o “estar de fora” numa sentença ontológica: “não pertenço em lado nenhum”. Essa frase, repetida, cava um abismo. E, ainda que hoje a tua noite seja de pouca gente, pode haver um passo pequeno na direcção oposta: um gesto, uma ligação, um compromisso silencioso de procurar, ao longo do próximo ano, lugares onde sejas mais inteiro.

Nem todas as noites de Natal são luminosas. Algumas são apenas honestas. E, em termos de saúde mental, a honestidade é, muitas vezes, um terreno mais fértil do que a alegria forçada.

Pergunta para f**ar:
Este ano, a quem — ou a que lugar — te queres aproximar para não f**ares só “do lado de fora” de ti mesmo?

Celso Oliveira

Natal por Dentro (Ep. 9 )Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.Hoje: «O Natal Fora do G...
22/12/2025

Natal por Dentro (Ep. 9 )
Leituras psicológicas do Advento — família, memória, limites e sentido.

Hoje: «O Natal Fora do Guião»

(Quem não acredita, quem não celebra, quem não encaixa)

Há quem espere o Natal como quem espera um comboio ansiado.
E há quem veja o mesmo comboio chegar, ano após ano, com a sensação íntima:
«Este não é o meu destino.»

Em volta, o guião repete-se:
— «O Natal é tempo de família.»
— «O Natal é tempo de fé.»
— «O Natal é tempo de alegria.»

Mas há pessoas para quem nenhuma destas frases encaixa.
Não acreditam na história religiosa.
Não se revêem nas tradições.
Não têm, ou não querem, o modelo de “família” que lhes é apresentado.
Não sentem alegria nesta época — ou até sentem irritação, indiferença, saturação.

Para estas pessoas, Dezembro pode ser um mês de deslocação silenciosa.
Não é apenas “não gostar do Natal”; é viver numa espécie de contra-corrente afectiva:
— enquanto todos parecem ter um guião, elas improvisam;
— enquanto toda a gente parece saber “como se faz”, elas perguntam-se se são as únicas a sentir-se assim.

Em termos psicológicos, isto toca num ponto delicado: a tensão entre pertença e autenticidade.
• Pertença: o desejo de não f**ar completamente fora do enredo colectivo, de não ser “o estranho”, “o azedo”, “o diferente”.
• Autenticidade: a recusa de fingir crenças, afectos ou entusiasmos que simplesmente não existem.

Muita gente vive o Natal num equilíbrio instável entre estes dois pólos.
Sorri, participa, também compra, também vai, também posta. Mas por dentro sente um descompasso: «Isto não é bem meu, mas se não alinhar, fico de fora.»

Há vários modos de estar “fora do guião”:
• Quem não acredita (ou já acreditou e deixou de acreditar):
não se revê na narrativa religiosa, nem nas orações, nem na liturgia, nem em certas leituras espirituais.
• Quem não celebra:
por opção política, filosóf**a, ética, ou simplesmente por saturação; não sente ligação a esta data, prefere outros marcos, outras formas de celebração, outras estéticas.
• Quem não encaixa nas expectativas de “normalidade natalícia”:
pessoas LGBTQ+ em famílias que não reconhecem a sua vida afectiva;
pessoas neurodivergentes que se sobrecarregam com o barulho e a confusão;
pessoas sem filhos num universo centrado em crianças;
pessoas solteiras num contexto que romantiza casais;
pessoas sem “família de origem funcional”, cansadas de ver o modelo idealizado repetir-se em anúncios.

Quando estas diferenças não são faladas, instalam-se duas mensagens internas corrosivas:
1. «Há algo de errado em mim.»
2. «Para ser aceite, tenho de representar.»

Do ponto de vista clínico, isto é terreno fértil para auto-critica crónica, vergonha e fadiga relacional.
Pois cada vez que representas um papel que não é teu, gastas energia psíquica – e, com o tempo, começas a duvidar do teu próprio sentir.

Não é raro ouvir, em consulta:
— «Eu não gosto do Natal, mas parece que não posso dizer.»
— «Já não acredito em nada disto, mas continuo a ir porque senão desiludo a minha mãe.»
— «Fico exausto nos jantares, com o barulho, os cheiros, os toques, mas se saio mais cedo sou criticado.»
— «Sou a única pessoa à mesa sem par, sinto-me sempre a mais.»

O problema não é o Natal em si;
é o monopólio afectivo que, às vezes, ele tenta exercer:
como se só houvesse uma forma legítima de viver esta época – e todas as outras fossem desvios.

Talvez o primeiro passo seja reconhecer uma verdade simples:
há muitas maneiras saudáveis de estar em Dezembro; a tua não precisa de ser igual à maioria para ser válida.
Isso não signif**a ignorar o impacto das tuas escolhas nos outros (a tua ausência dói, por vezes, a quem te ama). Mas signif**a parar de tratar o teu modo de viver estas datas como patologia automática.

Há três perguntas que podem ajudar a organizar esta experiência «fora do guião»:
1. O que é que, exactamente, me incomoda no modelo dominante de Natal?
(A componente religiosa? O consumo? O ideal de “família perfeita”? O barulho? A obrigação de estar “feliz”?)
2. O que, apesar de tudo, ainda tem algum sentido para mim nesta época?
(O tempo de pausa? O fim de ano como balanço? A ideia de cuidar de alguém? Um certo silêncio? A estética da luz contra a noite?)
3. Que grau de participação mínima estou disposto a ter, sem me trair — e sem atacar quem vive isto de outra forma?

Entre alinhar cegamente e rejeitar agressivamente, pode haver um terceiro caminho:
uma forma tua, interna, de viver esta época.
• Podes participar em algumas coisas, e não em todas.
• Podes estar presente em certos momentos familiares, mas reservar outros para ti.
• Podes dizer «não creio em tudo isto», e ainda assim reconhecer que algumas imagens (luz na noite, gestos de cuidado, reconciliações possíveis) têm valor simbólico para ti.
• Podes não celebrar religiosamente e, ainda assim, cuidar de alguém que está só.
• Podes não gostar da festa e, ainda assim, usar a pausa para descansar, ler, caminhar, pensar, criar.

O essencial, em termos de saúde psíquica, é reduzir o fosso entre o que sentes e o que representas.
Quanto maior a distância, maior o risco de te perderes de ti.

Há um outro lado desta história: como olhas para quem não celebra como tu?
Se és alguém para quem o Natal é profundamente importante – religiosa, familiar ou afectivamente – podes cair na tentação de ver quem está “fora” como frio, cínico, “complicado”, “carente de fé”.
E, com isso, contribuis para o mesmo mecanismo de exclusão que um dia também te poderia ferir noutro contexto.
Talvez o trabalho mútuo seja este:
— quem não acredita, não celebrar atacando quem acredita;
— quem acredita, não impor o seu guião a quem vive de outro modo.
Em clínica, isto chama-se respeito pelas narrativas internas de cada um.

Micro-exercício:
Pega numa folha e faz três zonas.

Zona 1 – «O que não é meu»
Escreve uma lista de 5–10 itens que sentes como impostos ou pouco autênticos para ti:
(ex.: «obrigações de consumo», «certos rituais religiosos», «jantares cheios de álcool», «fingir alegria», «discutir política à mesa», «f**ar até às tantas em ambientes que me sobrecarregam».)

Zona 2 – «O que, surpreendentemente, até faz sentido para mim»
Mesmo não acreditando ou não celebrando como a maioria, há, por vezes, elementos que podem ter algum valor:
(ex.: «gosto das luzes na rua», «gosto de ter uns dias com menos trabalho», «gosto de poder estar quieto quando a cidade abranda», «gosto de oferecer um presente muito pensado a uma pessoa apenas», «gosto de cozinhar algo especial mesmo que seja só para mim».)
Escreve 3–5 itens.

Zona 3 – «O meu guião mínimo para este ano»
A partir das duas listas, constrói um pequeno guião teu para este Dezembro:
Coisas a que vou dizer “não”, com serenidade, porque não são minhas (e, se necessário, prepara uma frase simples para dizer aos outros: «este ano vou fazer diferente», «não me faz bem estar em…», «não vou, mas agradeço o convite»).
Coisas que vou, conscientemente, escolher viver, porque me fazem algum sentido — mesmo que não coincidam com o guião tradicional (um passeio em silêncio, uma leitura, um encontro pequeno, um gesto de voluntariado, uma ceia muito simples, uma noite “normal” sem obrigação de festa).

No fim, escreve uma frase-âncora para te acompanhar:
— «Não preciso de encaixar no guião para ter valor.»
— «Posso respeitar a festa dos outros sem me apagar.»
— «Este será o meu Dezembro possível, não o Dezembro ideal de ninguém.»
Guarda esta folha. Não é um manifesto contra o Natal; é um mapa a favor de uma coisa mais simples e mais difícil: viver de forma suficientemente verdadeira, mesmo quando a maioria está noutro registo.

Pergunta para f**ar:
Se deixasses de tentar “merecer lugar” na história de Natal dos outros, como poderia começar a ser o teu próprio guião para Dezembro — suficientemente honesto para te respeitar, suficientemente flexível para não te isolar de tudo?

Endereço

Largo Serpa Pinto, 18
Ovar
3880-137

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 12:30
14:00 - 19:00
Terça-feira 09:00 - 12:30
14:00 - 19:00
Quarta-feira 09:00 - 12:30
14:00 - 19:00
Quinta-feira 09:00 - 12:30
14:00 - 19:00
Sexta-feira 09:00 - 12:30
14:00 - 19:00
Sábado 09:00 - 13:00

Telefone

+351910753167

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Clínica Dr Celso Oliveira - Psicoterapia Integrativa com/sem Hipnose publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Clínica Dr Celso Oliveira - Psicoterapia Integrativa com/sem Hipnose:

Compartilhar

Share on Facebook Share on Twitter Share on LinkedIn
Share on Pinterest Share on Reddit Share via Email
Share on WhatsApp Share on Instagram Share on Telegram

Categoria