Clínica Dr Celso Oliveira - Psicoterapia Integrativa com/sem Hipnose

Clínica Dr Celso Oliveira - Psicoterapia Integrativa com/sem Hipnose Psicoterapia com Hipnose Clínica Centrada na Pessoa e Focada nas Soluções

Ovar
Largo SerpaPinto O que é a Hipnose? Celso Oliveira (Novembro/ 2012)

A Hipnose é um estado Específico de Consciência, natural em todas as Pessoas e que todas as Pessoas podem aprender a usar .
É um estado específico de consciência natural e não modificado e muito menos alterado.

É um estado que podemos aprender a usar e que consiste no afunilamento da nossa atenção para o nosso interior. A hipnoterapia é a utilização guiada dessas habilidades naturais da Pessoa para resolver dificuldades e/ou encontrar soluções terapêuticas para essas dificuldades. Tratamentos
A Hipnoterapia pode ser utilizada em variadas situações, nomeadamente:
- Depressão
- Pânico, ansiedade, medos e fobias
- Perturbações Obssessivo- compulsivas (POC)
- Problemas de Concentração e Memória
- Distúrbios do sono
- Distúrbios alimentares (Anorexia, Bulimia, Controlo alimentar, etc.)
- Redução de Peso
- Problemas se***is (Frigidez, Impotência Sexual, Ejaculação Precoce, etc.)
- Hiperatividade e Défices de Atenção
- Problemas de concentração e memória
- Controlo da Dor (Fibromialgia, Artrite, etc.)
- Problemas dermatológicos (Psoríase, Vitiligo, Lúpus, etc.)
- Problemas de Socialização (Timidez e dificuldades de relacionamento)
- Dificuldades no desempenho escolar (insucesso, desmotivação e ansiedade)
- Adições (Tabagismo, Alcoolismo e Dr**as)
- Mudança de Hábitos (roer as unhas, etc.)

𝑸𝒖𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒂𝒎𝒂𝒓 𝒐𝒃𝒓𝒊𝒈𝒂 𝒂 𝒑𝒂𝒓𝒕𝒊𝒓(Celso Oliveira)Há partidas que não nascem da ausência de amor, mas da sua forma mais doloros...
27/03/2026

𝑸𝒖𝒂𝒏𝒅𝒐 𝒂𝒎𝒂𝒓 𝒐𝒃𝒓𝒊𝒈𝒂 𝒂 𝒑𝒂𝒓𝒕𝒊𝒓
(Celso Oliveira)

Há partidas que não nascem da ausência de amor, mas da sua forma mais dolorosa. Há quem se afaste não porque deixou de sentir, mas porque sente tanto que já percebeu que a sua permanência começou a ferir. Nesses casos, ir embora não é negar o amor. É impedir que ele se transforme numa ferida maior.

Às vezes, amar alguém profundamente não basta para que a relação permaneça boa, respirável, habitável. Pelo contrário: há amores tão intensos, tão cheios de medo, de desgaste, de dependência, de desencontro, que continuar passa a ser uma forma de magoar. Não apenas a si próprio, mas também a pessoa amada. E reconhecer isso é uma das experiências mais íntimas e mais duras da vida afectiva.

«Amo-te tanto que tenho de te deixar» não quer dizer «amo-te menos». Quer dizer, muitas vezes, «vejo a dor que estamos a criar», «vejo a sombra que o meu amor traz quando já não sabe cuidar sem apertar», «vejo que, se fico, faço-te sofrer». Há uma lucidez cruel nisto: compreender que o coração quer ficar, mas a consciência percebe que a permanência destrói o que ainda resta de belo.

Nem sempre partir é cobardia. Por vezes, é responsabilidade emocional. Há momentos em que continuar numa relação seria prolongar discussões sem cura, silêncios pesados, culpas repetidas, expectativas falhadas, ou uma forma de presença que, em vez de acolher, consome. E então a pessoa parte não porque o amor morreu, mas porque ainda está vivo o suficiente para não querer tornar-se violência lenta, desgaste diário, tristeza inevitável.

Há uma espécie de ternura trágica em quem diz: «Se eu ficar, faço-te sofrer. Se te amar desta maneira sem me afastar, acabarei por ferir-te ainda mais.» Esta frase não tem a beleza fácil do romantismo. Tem outra coisa: verdade. E a verdade, quando chega, nem sempre traz alívio. Às vezes, traz apenas a coragem triste de soltar.

Porque amar também é isto: perceber quando a nossa presença já não protege; quando o vínculo já não faz crescer; quando insistir seria pedir ao outro que sobreviva àquilo que, em nós, já não sabe amar sem se perder. Nesses casos, ir embora pode ser a última forma íntegra de cuidar.

Talvez algumas das separações mais dolorosas sejam precisamente estas: aquelas em que o amor continua aceso, mas já não consegue aquecer sem queimar. E então parte-se com o coração ainda voltado para trás, com lágrimas que não negam o sentimento, com a consciência de que deixar não é deixar de amar. É amar ao ponto de recusar continuar a ferir.

Por vezes, a frase mais devastadora e mais honesta não é «já não te amo». É esta: «Amo-te tanto que tenho de te deixar. Porque, se fico, faço-te sofrer.»

«O que se cala antes de ser pedido»(Celso Oliveira)Há afectos que não vivem da intensidade, mas da antecipação. Não do q...
23/03/2026

«O que se cala antes de ser pedido»
(Celso Oliveira)

Há afectos que não vivem da intensidade, mas da antecipação. Não do que se dá quando é solicitado, mas do que emerge espontâneo, quase como um reflexo do vínculo.

Muitas mulheres não esperam apenas palavras carinhosas, gestos suaves ou um simples «amo-te muito». Esperam, sobretudo, não ter de os pedir. Porque, quando o amor precisa de ser solicitado, perde uma camada invisível: a da leitura sensível do outro, a da sintonia implícita, a da presença que adivinha antes de ser convocada.

Do ponto de vista psicológico, isto não é um capricho. É uma expressão de necessidades de vinculação. A teoria do apego mostra-nos que a segurança emocional se constrói, em grande medida, através da previsibilidade e da responsividade espontânea. Quando o outro responde antes de ser chamado, comunica algo profundo: «Eu vejo-te», «Eu sinto-te», «Eu estou atento ao teu mundo interno».

Quando isso não acontece, instala-se uma dúvida silenciosa. Não necessariamente sobre o amor em si, mas sobre a sua qualidade experiencial.

Mas — e aqui importa ser rigoroso — será esta experiência equivalente quando os papéis se invertem?

A resposta não é linear.

Os homens também necessitam de reconhecimento afectivo, validação e cuidado não solicitado. Contudo, a forma como essa necessidade se organiza e se expressa tende, em muitos casos, a diferir. Por razões que cruzam socialização, padrões culturais e, em parte, diferenças no processamento emocional, muitos homens foram ensinados a não esperar leitura emocional fina, mas a valorizar mais a clareza directa ou o reconhecimento explícito.

Isto não significa que sintam menos. Significa, frequentemente, que esperam de outra forma.

Enquanto muitas mulheres vivem a ausência de iniciativa afectiva como desatenção ou distanciamento emocional, muitos homens podem viver a ausência de expressão directa como ambiguidade ou falta de confirmação. Um espera ser sentido sem pedir. O outro, muitas vezes, precisa que lhe seja dito.

Não se trata de quem sente mais ou menos. Trata-se de linguagens afectivas distintas.

Na prática clínica, vemos frequentemente este desencontro: ela sente-se invisível porque tem de pedir carinho; ele sente-se injustiçado porque, quando expressa, já não é valorizado, pois foi «pedido». Ambos falham, não por falta de amor, mas por desalinhamento na forma de o oferecer e reconhecer.

A solução não está em exigir que o outro adivinhe tudo, nem em reduzir o amor a instruções explícitas. Está numa negociação mais subtil: aprender a antecipar um pouco mais… e a dizer um pouco melhor.

Porque o amor maduro talvez não seja aquele que adivinha sempre, nem aquele que precisa de ser constantemente explicado, mas aquele que, aos poucos, aprende a escutar o que ainda não foi dito — sem medo de, por vezes, perguntar.

E talvez seja aí, nesse intervalo entre o sentir e o dizer, que o vínculo deixa de ser um jogo de expectativas e se torna, verdadeiramente, um encontro.

20 𝒅𝒆 𝑴𝒂𝒓𝒄̧𝒐 — 𝑫𝒊𝒂 𝑰𝒏𝒕𝒆𝒓𝒏𝒂𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 𝒅𝒂 𝑭𝒆𝒍𝒊𝒄𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆(Celso Oliveira)𝐴 𝑓𝑒𝑙𝑖𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑛𝑎̃𝑜 𝑒́ 𝑢𝑚 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟 — 𝑒́ 𝑢𝑚𝑎 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑖𝑟𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑝...
20/03/2026

20 𝒅𝒆 𝑴𝒂𝒓𝒄̧𝒐 — 𝑫𝒊𝒂 𝑰𝒏𝒕𝒆𝒓𝒏𝒂𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍 𝒅𝒂 𝑭𝒆𝒍𝒊𝒄𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆
(Celso Oliveira)

𝐴 𝑓𝑒𝑙𝑖𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑛𝑎̃𝑜 𝑒́ 𝑢𝑚 𝑙𝑢𝑔𝑎𝑟 — 𝑒́ 𝑢𝑚𝑎 𝑟𝑒𝑠𝑝𝑖𝑟𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑞𝑢𝑒 𝑎𝑝𝑟𝑒𝑛𝑑𝑒 𝑎 𝑓𝑖𝑐𝑎𝑟.

Foi por isso que, num gesto raro de lucidez colectiva, a humanidade decidiu nomear um dia para ela. Não para a aprisionar, mas para a lembrar. Porque, como reconheceu a Organização das Nações Unidas, a felicidade e o bem-estar não são luxos íntimos: são aspirações universais, dignas de orientar políticas, economias e destinos humanos .

E ainda assim, no silêncio da experiência clínica e da vida vivida, sabemos: 𝐚 𝐟𝐞𝐥𝐢𝐜𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐧𝐚̃𝐨 𝐨𝐛𝐞𝐝𝐞𝐜𝐞 𝐚 𝐝𝐞𝐜𝐫𝐞𝐭𝐨𝐬.

Ela acontece,
no intervalo entre dois pensamentos que cessam de lutar,
na mão que encontra outra sem necessidade de provar nada,
no corpo que, por instantes, deixa de defender-se do mundo.

Há uma felicidade que não se mostra.
Uma felicidade discreta, quase tímida, que não grita vitória, mas permanece.
É essa que atravessa as perdas, que se recompõe depois da dor, que respira mesmo quando a narrativa interna insiste em escurecer.

Talvez por isso o dia 20 de Março coincida com o equinócio — esse momento em que a luz e a sombra se equilibram. Não por acaso simbólico, mas por uma espécie de verdade biográfica da espécie: não há felicidade sem a integração da noite.

𝐴 𝑓𝑒𝑙𝑖𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑛𝑎̃𝑜 𝑒́ 𝑎𝑢𝑠𝑒̂𝑛𝑐𝑖𝑎 𝑑𝑒 𝑠𝑜𝑓𝑟𝑖𝑚𝑒𝑛𝑡𝑜.
𝐸́ 𝑎 𝑐𝑎𝑝𝑎𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑑𝑒 𝑜 𝑐𝑜𝑛𝑡𝑒𝑟 𝑠𝑒𝑚 𝑠𝑒 𝑝𝑒𝑟𝑑𝑒𝑟 𝑛𝑒𝑙𝑒.

É um gesto regulatório do sistema nervoso, uma reorganização interna onde a ameaça deixa de ser permanente, um reencontro com o que, em nós, permanece intacto.

E talvez possamos dizê-lo assim, em linguagem mais íntima:

«𝐒𝐞𝐫 𝐟𝐞𝐥𝐢𝐳 𝐧𝐚̃𝐨 𝐞́ 𝐞𝐬𝐭𝐚𝐫 𝐛𝐞𝐦 — 𝐞́ 𝐩𝐨𝐝𝐞𝐫 𝐯𝐨𝐥𝐭𝐚𝐫.»

Voltar ao corpo.
Voltar ao vínculo.
Voltar à possibilidade de confiar.

Num mundo que durante séculos mediu o progresso pelo acúmulo, houve um país — o Butão — que ousou medir pelo sentir. E a partir dessa ousadia, nasceu este dia, como um lembrete de que o desenvolvimento sem bem-estar é apenas uma forma sofisticada de perda.

Mas nenhuma resolução internacional alcança o que um gesto humano simples pode fazer.

Um olhar que valida.
Uma escuta que não corrige.
Uma presença que não exige.

Talvez a felicidade seja isso:
um estado de coerência interna suficientemente estável para permitir relação.

E nesse sentido, ela não é individual.
É sempre co-regulada, partilhada, construída no entre.

Hoje, portanto, não se trata de procurar a felicidade —
mas de remover, com delicadeza clínica, o que a impede de emergir.

Menos exigência.
Menos fusão com narrativas de insuficiência.
Mais espaço para o que já existe, mas não é visto.

Porque a felicidade — essa —
não se constrói de raiz.

Reconhece-se.

E quando é reconhecida, ainda que por instantes,
o mundo, sem mudar de forma,
muda de sentido.

A Porta que se Abre de Dentro(Celso Oliveira)Há uma diferença delicada e quase invisível entre ser aceite e ser desejado...
16/03/2026

A Porta que se Abre de Dentro
(Celso Oliveira)

Há uma diferença delicada e quase invisível entre ser aceite e ser desejado. De fora, talvez ninguém a veja. Mas quem ama sente-a no corpo como se sente a mudança do tempo antes da chuva. Uma coisa é ele ou ela vir até ti porque não quer ferir-te, porque gosta de ti, porque reconhece o teu anseio e lhe abre passagem com bondade. Outra, inteiramente outra, é ele ou ela vir porque o desejo nasceu do próprio ventre da alma e acendeu, sem aviso, a vontade de te procurar.

É essa memória que dói quando regressa: não a da intimidade em si, mas a da vontade livre. A última vez em que não foste apenas recebido, mas chamado. A última vez em que o encontro não precisou de ser pedido, sugerido, preparado, quase desculpado. A última vez em que o corpo de ele ou ela não disse apenas «sim», mas disse, antes disso, «quero».

Porque o amor suporta muitas formas de silêncio, mas há um silêncio particular que o vai tornando triste: o silêncio do desejo que deixou de partir do outro lado. E então começas a perceber que já não procuras apenas proximidade. Procuras aquela centelha funda em que ele ou ela se move para ti por impulso próprio, como quem abre uma janela porque o ar da manhã chamou primeiro por dentro.

Mas o desejo verdadeiro não se mendiga. Não se colhe pela insistência. Não cresce sob o peso da expectativa. Quanto mais o apertas, mais ele escapa entre os dedos, como água assustada. O coração do outro não é uma porta que se abra por argumentação. Só se abre de dentro. Sempre de dentro.

Então, que caminhos te restam, se queres que ele ou ela queira sem que tenhas de pedir?

Resta-te, antes de tudo, o caminho difícil de descer do lugar da cobrança. Não transformar cada gesto terno numa antecâmara de exigência. Não deixar que cada abraço se torne dívida, que cada beijo carregue um pedido oculto, que cada aproximação contenha já a sombra de uma reclamação. O desejo precisa de espaço para respirar. Quando sente armadilha, retrai-se. Quando sente exame, veste-se de defesa. Ninguém floresce bem sob a luz dura da avaliação.

Resta-te também devolver ar ao vínculo. Há relações que morrem não por falta de amor, mas por excesso de peso. Demasiadas tarefas, demasiadas mágoas, demasiadas conversas interrompidas, demasiada previsibilidade, demasiada utilidade. A intimidade, então, torna-se mais uma função entre tantas outras. E ninguém deseja bem aquilo que se converteu apenas em rotina de sobrevivência. É preciso devolver ao laço alguma leveza, alguma beleza inútil, algum tempo que não sirva para nada senão para existir a dois.

Resta-te ver verdadeiramente ele ou ela. Não olhar apenas para a falta que te dói, mas para a pessoa inteira que tens diante de ti. Às vezes o desejo apaga-se não por ausência de atracção, mas por saturação de invisibilidade. Quem não se sente visto vai-se afastando devagar, mesmo quando permanece. Ser encontrado no olhar do outro, com o próprio cansaço, a própria história, as próprias feridas e ambiguidades, é uma forma funda de eros. Há quem precise, antes de se entregar, de voltar a sentir que existe plenamente no mundo afectivo de quem ama.

Resta-te, ainda, regressar a ti. Não como estratégia, mas como verdade. Há uma tristeza que se instala quando toda a tua energia passa a depender de ser desejado. Ficas pendurado na resposta do outro, como se a tua pele precisasse da confirmação dele ou dela para se sentir viva. E, sem dar por isso, começas a empalidecer. Ora, o desejo gosta de vida. Gosta de encontrar alguém habitado por dentro, alguém que não implora presença porque tem presença, alguém que não se apaga para caber. Há uma dignidade serena, uma verticalidade íntima, que não exige nem se humilha, e que, por isso mesmo, pode voltar a ser convocante.

Resta-te o toque sem cobrança. O afecto que não quer logo transformar-se noutra coisa. A mão que pousa só para aquecer. O abraço que não empurra. O beijo que não pede continuação. Porque, por vezes, ele ou ela não foge do toque; foge da obrigação que aprendeu a adivinhar por trás do toque. E quando o corpo deixa de ter de se defender de todas as ternuras, pode começar, lentamente, a recordar que o encontro também pode ser abrigo e não apenas chamada.

Resta-te a coragem mansa de escutar o que ficou soterrado. Nem sempre o que parece desinteresse é ausência de amor. Às vezes é cansaço. Outras vezes, ressentimento antigo. Outras, vergonha do próprio corpo, tristeza sem nome, pressão acumulada, dor que nunca encontrou linguagem, ou a sensação de que a intimidade deixou de ser lugar de liberdade. Há desertos que não nasceram da indiferença, mas do excesso de sol e da falta de água. E só a escuta funda, sem tribunal, sem urgência, pode revelar de que sede se fez aquele silêncio.

Ainda assim, importa não mentires a ti mesmo. Tu podes criar um clima onde o desejo respire melhor. Podes tornar o espaço entre vós menos pesado, mais habitável, mais vivo. Podes limpar a ansiedade, devolver ternura ao corpo, acender presença no quotidiano, recuperar em ti aquilo que não depende do outro. Podes fazer tudo isso. Mas não podes fabricar a chama no íntimo de ele ou ela. Não podes substituí-la. Não podes fingi-la. Não podes arrancá-la.

E talvez amar, aqui, seja aceitar esta verdade sem te traíres: o desejo do outro é um dom, não um dever. Não se exige. Mas também não se deve aceitar eternamente a sua ausência como se bastasse à alma viver de concessões delicadas. Há uma fome em ti que não pede submissão, nem favor, nem piedade. Pede encontro. Pede reciprocidade. Pede que, do outro lado, alguma coisa se levante e caminhe na tua direcção com vontade própria.

Porque o que procuras não é apenas intimidade. É ser desejado sem precisares de te explicar. É sentir que, em algum ponto secreto da noite ou do dia, ele ou ela pensou em ti com calor, com impulso, com essa alegria quase selvagem de quem quer aproximar-se. É saber que o teu nome ainda acende alguma janela. Que a tua presença ainda move alguma maré. Que não és apenas amado na doçura doméstica, mas querido nesse lugar mais nu onde o corpo é também linguagem da alma.

E, por vezes, o caminho para isso não é bater mais à porta. É tornares-te, tu, uma casa acesa. Sem súplica. Sem ruído. Sem cerco. Uma casa onde haja verdade, ar, tacto, escuta, beleza, e uma chama quieta que não exige ser vista. Então, se o desejo tiver de regressar, regressará não porque o chamaste à força, mas porque reconheceu, ao longe, a luz. E decidiu, por si, abrir a porta.

𝟏𝟒 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐫𝐜̧𝐨 — 𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨 πHá números que medem o mundo.E há números que nos lembram que o mundo é maior do qu...
14/03/2026

𝟏𝟒 𝐝𝐞 𝐌𝐚𝐫𝐜̧𝐨 — 𝐃𝐢𝐚 𝐈𝐧𝐭𝐞𝐫𝐧𝐚𝐜𝐢𝐨𝐧𝐚𝐥 𝐝𝐨 π

Há números que medem o mundo.
E há números que nos lembram que o mundo é maior do que qualquer medida.

O π é um desses números.

Nasceu de uma pergunta simples: qual é a relação entre a circunferência de um círculo e o seu diâmetro?
Mas a resposta revelou-se interminável. Uma sequência infinita de algarismos que nunca se repete, nunca termina, nunca se deixa capturar por completo.

3,1415926535…

A matemática chama-lhe 𝐜𝐨𝐧𝐬𝐭𝐚𝐧𝐭𝐞.
Mas, paradoxalmente, ele contém uma 𝐢𝐧𝐟𝐢𝐧𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞.

Curiosamente, 𝑎𝑙𝑔𝑜 𝑠𝑒𝑚𝑒𝑙ℎ𝑎𝑛𝑡𝑒 𝑎𝑐𝑜𝑛𝑡𝑒𝑐𝑒 𝑛𝑎 𝑝𝑠𝑖𝑐𝑜𝑡𝑒𝑟𝑎𝑝𝑖𝑎.

Cada pessoa parece, à primeira vista, poder ser resumida em algumas palavras: uma história, um diagnóstico, um padrão de comportamento, um conjunto de sintomas. Como se fosse possível medir a vida com uma fórmula simples.

Contudo, quando começamos a escutar verdadeiramente alguém, percebemos outra coisa: tal como π, cada ser humano revela uma sequência interminável de nuances, memórias, emoções e significados.

Nunca terminamos de conhecer completamente uma pessoa — nem sequer a nós próprios.

A psicoterapia, nesse sentido, é um pouco como o trabalho do matemático que continua a calcular casas decimais de π. Não para “𝑐ℎ𝑒𝑔𝑎𝑟 𝑎𝑜 𝑓𝑖𝑚”, porque esse fim não existe, mas para se 𝐚𝐩𝐫𝐨𝐱𝐢𝐦𝐚𝐫 𝐜𝐚𝐝𝐚 𝐯𝐞𝐳 𝐦𝐚𝐢𝐬 𝐝𝐚 𝐯𝐞𝐫𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐨 𝐜𝐢́𝐫𝐜𝐮𝐥𝐨.

Cada sessão acrescenta uma nova casa decimal de compreensão.
Cada insight revela uma pequena parte de um padrão mais vasto.
Cada mudança interior aproxima-nos um pouco mais do centro da nossa própria circunferência.

Talvez por isso o π seja um símbolo silencioso da própria condição humana.

Somos finitos — mas habitados por uma profundidade que parece não ter fim.

E o processo terapêutico é, muitas vezes, essa paciente exploração do infinito que vive dentro de cada vida.

— Celso Oliveira

𝐃𝐢𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐒𝐨𝐧𝐨(Celso Oliveira)Dormir não é apenas descansar.É um processo biológico essencial onde o cérebro reorga...
13/03/2026

𝐃𝐢𝐚 𝐌𝐮𝐧𝐝𝐢𝐚𝐥 𝐝𝐨 𝐒𝐨𝐧𝐨
(Celso Oliveira)

Dormir não é apenas descansar.
É um processo biológico essencial onde o cérebro reorganiza memórias, regula emoções e restaura o equilíbrio do corpo.

Durante o sono, consolidamos aprendizagens, fortalecemos o sistema imunitário, regulamos hormonas e permitimos que a mente recupere da sobrecarga diária. Quando o sono é insuficiente ou irregular, surgem com maior facilidade dificuldades de atenção, irritabilidade, ansiedade e fadiga mental.

Cuidar da saúde psicológica começa muitas vezes por algo simples: 𝐝𝐨𝐫𝐦𝐢𝐫 𝐛𝐞𝐦.

Alguns princípios básicos de 𝐡𝐢𝐠𝐢𝐞𝐧𝐞 𝐝𝐨 𝐬𝐨𝐧𝐨 podem ajudar:

• manter horários regulares para deitar e acordar
• reduzir ecrãs e estímulos digitais antes de dormir
• criar um ambiente tranquilo, escuro e silencioso
• evitar cafeína e refeições pesadas ao final do dia
• desenvolver pequenos rituais de relaxamento antes de adormecer

Num tempo que valoriza a pressa e a produtividade contínua, convém lembrar:
𝐨 𝐜𝐞́𝐫𝐞𝐛𝐫𝐨 𝐭𝐚𝐦𝐛𝐞́𝐦 𝐩𝐫𝐞𝐜𝐢𝐬𝐚 𝐝𝐞 𝐬𝐢𝐥𝐞̂𝐧𝐜𝐢𝐨 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐬𝐞 𝐫𝐞𝐨𝐫𝐠𝐚𝐧𝐢𝐳𝐚𝐫.

Uma boa noite de sono não é um luxo.
É uma das bases da saúde física, emocional e cognitiva.

Hoje assinala-se o Dia Mundial do Sono — talvez um bom momento para perguntar:

«Estou a cuidar do meu sono como cuido de outras áreas da minha saúde?»

Do livro:"𝐂𝐨𝐧𝐬𝐮𝐥𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐒𝐚𝐩𝐚𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐥𝐦𝐚𝐬", por Celso Oliveira𝐀 𝐏𝐑𝐎𝐅𝐄𝐒𝐒𝐎𝐑𝐀 𝐐𝐔𝐄 𝐐𝐔𝐄𝐑𝐈𝐀 𝐒𝐀𝐋𝐕𝐀𝐑 𝐓𝐎𝐃𝐎𝐒Na sala de professores...
12/03/2026

Do livro:
"𝐂𝐨𝐧𝐬𝐮𝐥𝐭𝐚𝐬 𝐝𝐨 𝐒𝐚𝐩𝐚𝐭𝐞𝐢𝐫𝐨 𝐝𝐞 𝐀𝐥𝐦𝐚𝐬", por Celso Oliveira

𝐀 𝐏𝐑𝐎𝐅𝐄𝐒𝐒𝐎𝐑𝐀 𝐐𝐔𝐄 𝐐𝐔𝐄𝐑𝐈𝐀 𝐒𝐀𝐋𝐕𝐀𝐑 𝐓𝐎𝐃𝐎𝐒

Na sala de professores, ela ficava sempre depois do sino final.
O edifício esvaziava-se aos poucos. Vozes, passos, portas a fechar. Restava o som distante da funcionária a arrastar um balde no corredor.
Ela permanecia sentada diante de uma pilha de te**es. Não corrigia todos. Olhava para eles como quem olha para rostos.
Havia um aluno que não entregava nada há semanas. Outro que adormecia na última fila. Uma rapariga que começara a faltar às aulas depois de rumores cruéis.
Ela sentia-os como se fossem seus.
Naquela tarde, quando o director lhe sugeriu que delegasse mais, respondeu com serenidade:
— Se eu não fizer, quem faz?
Não era arrogância. Era convicção.
Mas, nessa noite, em casa, não conseguiu jantar. Sentou-se à mesa com o marido e os filhos e sentiu um vazio estranho, como se estivesse a trair alguém por estar ali.
Não estava com eles. Estava com os cento e vinte e sete.

Entrou na oficina com os ombros direitos demais.
— Eu amo o que faço — disse, quase como defesa antecipada. — Não quero deixar de amar.
O Sapateiro observou-lhe os olhos. Não estavam tristes. Estavam exaustos.
— O que mudou? — perguntou.
— Eu já não durmo. Acordo a pensar neles. Se um reprova, é como se fosse falha minha.
— É?
Ela hesitou.
— Se eu tivesse feito mais, talvez…
Silêncio.
— Quantos alunos tem? — perguntou ele.
— Cento e vinte e sete.
— E quantas horas tem o seu dia?
Ela quase sorriu.
— As mesmas que todos.
— E ainda assim quer multiplicar-se.
— Não quero multiplicar-me. Quero estar disponível.
— Disponível para quê?
Ela demorou.
— Para impedir que falhem.
Silêncio.
— E consegue? — perguntou o Sapateiro.
A pergunta não era acusatória. Era factual.
Ela desviou o olhar.
— Nem sempre.
— E quando não consegue?
— Sinto que falhei eu.
O Sapateiro inclinou-se ligeiramente.
— Está a tentar fazer mais do que pode.
Ela ergueu o olhar, firme.
— Não sou omnipotente.
— Não. Mas está a tentar ser indispensável.
A frase atingiu-a com mais força do que esperava.
Silêncio mais denso.
— Se eu não for a professora que se importa, quem serei? — perguntou ela, mais baixo.
Essa era a pergunta verdadeira.

11/03/2026

📄 O divórcio implica várias fases e pode ser vivido de diversas formas e a ritmos diferentes, com mais ou menos sofrimento. Podemos sentir tristeza, rejeição/abandono, medo do futuro, esperança de reconciliação ou vontade de nos isolarmos. Podemos também sentir alívio, maior liberdade e vontade de viver novas experiências. Estas reações são normais e fazem parte da adaptação à vida pós-separação.

🔗 Consulte a factsheet sobre divórcio divulgada hoje pela Ordem dos Psicólogos Portugueses em: https://bit.ly/4qY0Cpx

𝐔𝐦𝐚 𝐩𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐚 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐨 𝐜𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐞𝐮 𝐚 𝐟𝐞𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚𝐬Por vezes é útil imaginar uma casa.Não uma casa qu...
11/03/2026

𝐔𝐦𝐚 𝐩𝐞𝐪𝐮𝐞𝐧𝐚 𝐡𝐢𝐬𝐭𝐨́𝐫𝐢𝐚 𝐩𝐚𝐫𝐚 𝐪𝐮𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐨 𝐜𝐨𝐫𝐚𝐜̧𝐚̃𝐨 𝐚𝐩𝐫𝐞𝐧𝐝𝐞𝐮 𝐚 𝐟𝐞𝐜𝐡𝐚𝐫 𝐩𝐨𝐫𝐭𝐚𝐬

Por vezes é útil imaginar uma casa.
Não uma casa qualquer, mas uma casa interior — aquela onde vivem as memórias, as emoções, os gestos antigos que nos ensinaram como estar no mundo.

Muitas pessoas descobrem, quando observam essa casa com alguma calma, que ela foi construída cedo demais.
Uma criança vive ali.
E essa criança aprendeu algumas coisas muito cedo.

- Aprendeu que, quando chorava, alguém dizia que estava a exagerar.
- Aprendeu que, quando tinha medo, talvez ouvisse que aquilo era «frescura».
- Aprendeu que pedir ajuda podia trazer impaciência ou ironia.

Assim, pouco a pouco, essa criança começou a fazer algo muito inteligente.
Começou a fechar algumas portas.
Não porque não sentisse nada. Mas porque sentia demasiado… e não havia quem ajudasse a segurar essas emoções.

Então a criança descobriu um talento especial: aprender a cuidar de si própria.
- Aprendeu a resolver problemas sozinha.
- Aprendeu a não incomodar.
- Aprendeu a ser forte.

E, durante muito tempo, essa estratégia foi útil.
Talvez até tenha permitido atravessar muitos momentos difíceis.

Mas, às vezes, anos depois, quando essa criança cresceu e se tornou adulto, algo curioso acontece.

A casa continua segura… mas também um pouco silenciosa demais.
As janelas continuam fechadas.
O ar entra pouco.
E o coração, habituado a proteger-se, continua atento, como um guardião que vigia cada movimento.

𝑈𝑚 𝑝𝑒𝑞𝑢𝑒𝑛𝑜 𝑒𝑥𝑒𝑟𝑐𝑖́𝑐𝑖𝑜 𝑑𝑒 𝑜𝑏𝑠𝑒𝑟𝑣𝑎𝑐̧𝑎̃𝑜 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑖𝑜𝑟

Se for confortável, pode imaginar-se agora a aproximar-se dessa casa.
Não é necessário forçar nada. Apenas observar.
Talvez veja uma porta.
Talvez repare que ela esteve fechada durante muito tempo — e isso fez sentido, naquela altura.
As portas fecham-se para proteger.
E proteger foi importante.
Mas agora existe algo diferente.
Agora existe um adulto.
Alguém que consegue aproximar-se dessa criança interior com mais compreensão do que ela encontrou no passado.

𝑈𝑚𝑎 𝑚𝑢𝑑𝑎𝑛𝑐̧𝑎 𝑠𝑢𝑏𝑡𝑖𝑙

Algumas pessoas, quando imaginam esta cena, percebem algo interessante.
A criança não precisava de ser mais forte.
Ela já fez o melhor que podia.
O que talvez estivesse a faltar era algo diferente:
- um olhar que dissesse «faz sentido sentires isso»
- uma presença tranquila que não apresse as emoções
- um espaço onde o sentir não seja tratado como erro.
E, curiosamente, muitas vezes é o próprio adulto — a pessoa que é hoje — que pode começar a oferecer esse espaço.

𝑄𝑢𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑜 𝑠𝑖𝑠𝑡𝑒𝑚𝑎 𝑒𝑚𝑜𝑐𝑖𝑜𝑛𝑎𝑙 𝑐𝑜𝑚𝑒𝑐̧𝑎 𝑎 𝑟𝑒𝑜𝑟𝑔𝑎𝑛𝑖𝑧𝑎𝑟-𝑠𝑒

No trabalho terapêutico, quer através de abordagens como EMDR, quer através de hipnose clínica Ericksoniana, acontece algo muito interessante.
As memórias antigas não precisam de ser apagadas.
Mas podem ser reprocessadas.
O cérebro possui uma capacidade notável de reorganização. Quando experiências emocionais são revisitadas num contexto seguro, novas associações começam a formar-se.
Aquilo que antes era vivido como abandono pode começar a transformar-se numa memória compreendida.
Aquilo que antes gerava tensão pode, gradualmente, ganhar outro significado.
É como se a casa interior recebesse, finalmente, algumas janelas novas.

𝑃𝑒𝑟𝑚𝑖𝑡𝑖𝑟 𝑜 𝑐𝑢𝑖𝑑𝑎𝑑𝑜

Para algumas pessoas, uma das mudanças mais profundas acontece quando descobrem algo simples, mas inesperado:
não precisam de fazer tudo sozinhas.
A independência foi uma estratégia inteligente.
Mas não precisa de ser uma prisão permanente.
Confiar, receber afecto, pedir apoio — tudo isso pode ser reaprendido.
Devagar.
Com segurança.
Sem pressa.

𝑈𝑚𝑎 𝑖𝑑𝑒𝑖𝑎 𝑓𝑖𝑛𝑎𝑙

O abandono emocional deixa marcas discretas, mas profundas.
Pode ensinar alguém a proteger-se demasiado, a controlar demasiado, a confiar pouco.
Mas a mente humana também tem uma extraordinária capacidade de adaptação.
Quando existe um espaço terapêutico seguro, muitas dessas portas antigas podem começar a abrir-se novamente.
E, pouco a pouco, o coração descobre algo que talvez nunca tenha aprendido plenamente:
- Que sentir não é um erro.
- Que pedir apoio não é fraqueza.
E que a casa interior pode, finalmente, tornar-se um lugar de verdadeiro acolhimento.

Se esta reflexão tocou algo em si, pode ser útil explorar estas experiências num espaço terapêutico seguro.
Mais informações em
https://clinicacelsooliveira.pt
Por vezes, a mudança começa com algo simples: permitir-se olhar para dentro com curiosidade — e descobrir que já não precisa de fazer esse caminho sozinho.
Celso Oliveira

𝐎 𝐓𝐚𝐱𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐚𝐥 - 𝐂𝐞𝐥𝐬𝐨 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚https://amzn.eu/d/04wAq7Vf𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝟐𝟏. 𝐎 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐝𝐨𝐞𝐧𝐜̧𝐚 𝐧𝐨𝐯𝐚«𝑄𝑢𝑎𝑛𝑑...
09/03/2026

𝐎 𝐓𝐚𝐱𝐢𝐬𝐭𝐚 𝐌𝐞𝐧𝐭𝐚𝐥 - 𝐂𝐞𝐥𝐬𝐨 𝐎𝐥𝐢𝐯𝐞𝐢𝐫𝐚
https://amzn.eu/d/04wAq7Vf
𝐂𝐚𝐩𝐢́𝐭𝐮𝐥𝐨 𝟐𝟏. 𝐎 𝐡𝐨𝐦𝐞𝐦 𝐪𝐮𝐞 𝐭𝐢𝐧𝐡𝐚 𝐬𝐞𝐦𝐩𝐫𝐞 𝐮𝐦𝐚 𝐝𝐨𝐞𝐧𝐜̧𝐚 𝐧𝐨𝐯𝐚

«𝑄𝑢𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑜 𝑚𝑒𝑑𝑜 𝑚𝑜𝑟𝑎 𝑛𝑜 𝑐𝑜𝑟𝑝𝑜, 𝑐𝑎𝑑𝑎 𝑠𝑖𝑛𝑎𝑙 𝑝𝑎𝑟𝑒𝑐𝑒 𝑢𝑟𝑔𝑒𝑛𝑡𝑒.»

Ele entrou com um cuidado excessivo, como se o carro fosse um lugar onde tudo podia piorar.
Sentou-se devagar, apoiando primeiro as mãos no banco, depois o corpo. Fechou a porta sem força, como se o som pudesse ter consequências.
— Para onde? — perguntou o taxista.
— Para o hospital — disse o homem, de imediato. — Mas não é nada de grave. Acho eu.
O taxista assentiu e arrancou.
A rua estava calma. Um semáforo abriu, outro fechou. O ritmo da cidade não parecia preocupado com nada.
No espelho, o homem tocava no próprio pescoço com dois dedos, como quem mede o pulso de uma coisa invisível.
— Sinto aqui uma pressão estranha — disse. — Não é dor. É mais… uma sensação.
O taxista manteve os olhos na estrada.
— Desde quando? — perguntou.
— Desde ontem à noite. Ou talvez antes. — O homem franziu a testa. — Às vezes começo a notar só quando já está lá há muito tempo.
O carro virou numa avenida larga.
— Fui ver à internet — continuou ele. — Há quem diga que pode ser nervoso. Mas também pode ser outra coisa.
O taxista não comentou.
— O problema é que eu tenho tendência para coisas raras — disse o homem, quase com convicção.
O carro abrandou junto a uma passadeira.
— Raras? — perguntou o taxista.
— Sim. Coisas que ninguém pensa logo. — O homem inclinou-se ligeiramente para a frente. — Uma vez tive uma dor na perna. Fui ao médico. Ele disse que era muscular. Afinal era outra coisa.
— O quê? — perguntou o taxista.
O homem hesitou.
— Já não me lembro bem do nome. Mas não era muscular.
O taxista assentiu. Continuou a conduzir.
O homem passou a mão pelo peito.

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