GAP - Gabinete de Apoio Psicológico

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16/05/2026

Quando recebi o diagnóstico de doença celíaca já em adulta… a primeira reação não foi alívio.
Foi negação.
Porque às vezes um diagnóstico não traz apenas respostas.
Traz mudanças.
Traz perdas.
Traz medo.
E traz aquela sensação de: "mas agora vou ter de mudar a minha vida toda?"
No Dia da Pessoa com Doença Celíaca queria falar precisamente sobre isto:
sobre o impacto emocional de receber um diagnóstico.
Muitas vezes olhamos para o diagnóstico apenas do ponto de vista médico.
Mas existe também um processo psicológico:
a negação,
a revolta,
a tentativa de minimizar,
o "isto não deve ser assim tão grave" e até o luto pela vida que tínhamos antes.
Aceitar não acontece de um dia para o outro.
E às vezes só quando começamos a cuidar de nós… percebemos o quanto já andávamos em sofrimento há muito tempo.
Hoje olho para trás e percebo que aceitar não foi desistir.
Foi aprender a viver de outra forma.
Nem todos os diagnósticos se vêem por fora. Mas muitos mudam-nos por dentro.
Há diagnósticos que não mudam quem somos. Mudam a forma como precisamos de cuidar de nós.
Aceitar um diagnóstico também é um processo emocional.
A quem recebe um diagnóstico seja ele qual for não estão sós. Embora seja um processo também solitário é também o que depois quer que sejamos.
16 maio♥️

15/05/2026

Muitas vezes as crianças compreendem melhor quando lhes damos imagens simples e concretas para explicar aquilo que sentem. O objetivo não é ensinar neurociência “técnica”, mas ajudá-las a perceber: “o meu corpo e o meu cérebro estão a tentar proteger-me”.
“Muitas pessoas perguntam: "Mas as crianças são tão pequenas… será que entendem isso do cérebro?"
A verdade é que as crianças entendem muito mais quando lhes explicamos através de imagens, exemplos e linguagem simples.
Quando uma criança percebe que o cérebro às vezes reage como se estivesse perante um perigo mesmo quando não há perigo real ela começa a compreender melhor os seus medos, explosões, birras ou dificuldades em acalmar-se.
Não estamos a ensinar neurociência complicada. Estamos a ajudá-las a dar sentido ao que sentem.
E quando uma criança entende o que lhe acontece, deixa muitas vezes de sentir que "há algo errado comigo".
Passa a perceber:
O meu cérebro está a tentar proteger-me.
Isso traz consciência, segurança emocional e ferramentas para crescer.
O cérebro é como um alarme de incêndio. Às vezes toca mesmo quando só há fumo da torradeira.
Ou mesmo o cérebro tem um guarda-costas que tenta proteger-nos, mas às vezes exagera.
Essas imagens ajudam imenso as crianças e até muitos adultos a compreender emoções e comportamentos sem vergonha ou culpa.

13/05/2026

A importância se sabermos como funciona aqui a máquina de cima ☺️

06/05/2026

Mais do que olhar para emoções ou comportamentos, é essencial compreendermos o porquê de eles acontecerem.
As emoções e os comportamentos são apenas a ponta do iceberg. No meu trabalho, procuro compreender o que está por trás de cada reação, porque é aí que começa a verdadeira mudança.
No nosso gabinete, acredito que mais importante do que observar emoções ou comportamentos é compreender a sua origem, dando sentido àquilo que cada pessoa vive e sente.
Cada emoção e cada comportamento têm uma história. O nosso papel não é julgar, mas compreender o que está por trás de cada um deles.

04/05/2026

Os desafios da parentalidade (que ninguém nos conta)
Ser pai/mãe não é difícil… é transformador e às vezes dói.
Há dias em que sentimos culpa por não termos paciência.
Outros em que duvidamos se estamos a fazer bem.
Queremos dar tudo…
mas estamos cansados.
Queremos estar presentes…
mas a nossa cabeça está cheia.
E ninguém nos prepara para isto:
para educar enquanto ainda estamos a tentar curar partes de nós.
A parentalidade não é sobre ser perfeito.
É sobre ser consciente.
Se sente isto, não está sozinho.
Ser pai/mãe também é um processo de crescimento e estamos todos em constante crescimento ♥️

01/05/2026

Falamos muitas vezes de felicidade como algo abstrato, mas a verdade é que ela também se constrói no nosso corpo através de substâncias como a dopamina, a serotonina e a oxitocina.
A dopamina, ligada à motivação e ao prazer, está muito influenciada pelo nosso descanso. Dormir bem não é um luxo é essencial para regular esta “energia interna” que nos faz agir, focar e sentir satisfação. Quando o sono falha, a motivação tende a cair.
A serotonina, associada ao bem-estar e à estabilidade emocional, pode ser estimulada por algo tão simples como caminhar. O movimento, a luz natural e o contacto com o exterior ajudam a equilibrar o humor e a trazer uma sensação de calma.
E depois temos a oxitocina, a hormona da ligação. Está presente nos afetos, no toque, nos abraços. Um gesto simples como abraçar alguém pode aumentar este sentimento de segurança, conexão e conforto emocional.
No fundo, pequenas ações do dia a dia têm um impacto direto na forma como nos sentimos. Dormir melhor, sair para caminhar, aproximar-se de quem gostamos não são só hábitos saudáveis, são formas reais de cuidar da nossa “química da felicidade”.
Porque a felicidade também se constrói… nos pequenos gestos.

29/04/2026

A vergonha é uma emoção social muito poderosa. Surge quando sentimos que há algo em nós que “não está certo”, como se estivéssemos a ser julgados ou não fôssemos suficientemente bons.
Sim a vergonha é considerada uma emoção, e uma emoção bastante importante do ponto de vista psicológico.
Mais concretamente, costuma ser classif**ada como uma emoção social. Ou seja, não nasce apenas de algo interno (como o medo de um perigo físico), mas da forma como nos vemos em relação aos outros como achamos que somos vistos, julgados ou aceites.
Vale a pena fazer aqui uma distinção simples:
Emoções básicas: como alegria, tristeza, medo, raiva (mais universais e imediatas)
Emoções sociais ou autoconscientes: como vergonha, culpa, orgulho (exigem consciência de si e dos outros).
A vergonha entra neste segundo grupo porque envolve:
consciência do “eu” ,comparação com normas ou expectativas,percepção (real ou imaginada) do olhar dos outros.
E tem também uma função:
Ajuda-nos a regular o comportamento social, a perceber limites e a evitar rejeição. O problema é quando aparece em excesso ou de forma muito intensa aí pode levar a isolamento, baixa autoestima ou evitamento.
A vergonha é uma emoção que aparece quando sentimos que fizemos algo errado ou que há algo em nós que não é bom o suficiente especialmente quando achamos que os outros vão reparar.
Já tiveram está percepção?

25/04/2026

Aí está longo 🤭

O dinheiro nunca é só dinheiro.
Do ponto de vista psicológico, o dinheiro representa:
*segurança (vou f**ar bem ou não?)
*controlo (quem decide?)
*valor pessoal (quem contribui mais “vale” mais?)
*liberdade (posso escolher ou estou dependente?)
Ou seja, quando um casal discute dinheiro… raramente está só a falar de contas. Está a falar de poder e de lugar na relação.
A mudança de papéis trouxe liberdade… mas também tensão.
Antes:
Homem = provedor ,poder financeiro e decisão
Mulher = dependência, menos poder de escolha
Agora:
Muitas mulheres têm independência financeira
Mas isso não trouxe automaticamente equilíbrio emocional.
O que está a acontecer em muitos casais é: igualdade financeira sem negociação emocional
Ou seja, dividem contas… mas não dividem expectativas.
Onde aparecem os conflitos:
*Contabilidade emocional (“eu pago isto, tu devias pagar aquilo” pode gerar sensação de injustiça constante)
*Competição silenciosa (“quem ganha mais manda mais” mesmo que não seja dito)
*Sobrecarga feminina muitas mulheres hoje:
contribuem financeiramente e continuam com maior carga mental da casa/família o que também gera a sensação de “faço tudo”.
Desalinhamento de valores um poupa, outro gasta não é sobre dinheiro, é sobre visão de vida
O que realmente faz diferença (psicologicamente)
mais do que “como dividir”, o importante é:
*Sentido de justiça (não é igualdade matemática) 50/50 nem sempre é justo às vezes o justo é proporcional ou funcional.
*Transparência dinheiro escondido leva quebra de confiança.
*Sentimento de equipa “o nosso dinheiro” vs “o meu e o teu”
*Reconhecimento invisível trabalho doméstico, carga mental, cuidado dos filho, isto também é “contribuição”.
Modelos que existem (e nenhum é perfeito)
*Tudo junto
*Tudo separado
*Misto (conta comum + contas individuais)
O melhor modelo não é universal
É o que reduz conflito e aumenta sensação de parceria naquele casal
O verdadeiro problema da nova geração
Não é o dinheiro.
*querem igualdade… mas não sabem negociar
*querem autonomia… mas também segurança emocional
*cresceram sem modelos claros
Então f**am: mais livres mas também mais perdidos.
Num casal, o problema nunca é quanto cada um paga.
É se ambos sentem que estão a construir a mesma vida.

22/04/2026

Há coisas que precisam mesmo de equilíbrio.
Sim, quem tem voz pública deve ter cuidado com o que diz principalmente em temas tão sérios como a violência sexual.
Mas também me faz confusão a rapidez com que hoje se julga tudo e todos por uma frase, muitas vezes sem contexto.
Entre a responsabilidade de quem fala e a forma como ouvimos e reagimos, talvez ainda haja espaço para mais reflexão e menos julgamento imediato.
F**a a partilha ♥️

18/04/2026

Parece vos estranho mas é um ótimo ponto de partida não convém desvalorizarmos o que aos 7 anos a criança nos diz mas também não convém confirmar a ideia de que “é uma doença” no sentido rígido.
Com uma criança de 7 anos, a melhor abordagem é ajustar a linguagem para algo que faça sentido para ela e que não aumente o medo.
A ansiedade não é uma doença. É uma sensação que todos temos às vezes. É como um alarme do corpo que aparece quando achamos que alguma coisa pode ser difícil ou assustadora. O problema não é sentir ansiedade é quando ela aparece muitas vezes ou f**a muito forte e começa a atrapalhar.
A ansiedade é como um alarme dentro de nós. Às vezes ajuda, mas às vezes dispara sem precisarmos.
Toda a gente sente ansiedade, até os adultos.
E nós podemos aprender a acalmá-la.
Há pessoas que sentem tanta ansiedade que precisam de ajuda extra, como quando f**amos doentes e vamos ao médico. Mas isso não quer dizer que a ansiedade em si seja uma doença é algo que o nosso corpo faz.
Este foi o discurso que tive com o D. para simplif**ar.
Mas digam me não é maravilhoso aos 7 anos esta partilha ❤️

17/04/2026

E vim rentabilizar tempo.
Bom dia 🙂
Quando o adulto entra logo em modo “resolver tudo”, pode estar sem intenção a transmitir:
“Isto é demasiado para ti, eu trato.”
E isso tira à criança a oportunidade de desenvolver competências.
A autonomia social da criança
Apartir do 7/8 anos as crianças já estão numa fase crucial de:
escolher com quem querem brincar
experimentar aproximação e afastamento
gerir conflitos simples
lidar com frustração social
Se um adulto intervém sempre, pode bloquear exatamente essas aprendizagens.
O contacto entre pais quando faz sentido?
Nem sempre é errado falar com o outro pai/mãe. Faz sentido quando há:
padrões repetidos de exclusão ou bullying
,comportamentos mais agressivos ou preocupantes sofrimento persistente da criança, mas em casos isolados parece mais uma tentativa de controlo da situação do que uma necessidade real.
Se a criança chorou ; o choro da criança o que importante aqui?
Uma criança que chega a casa a chorar não precisa necessariamente que o problema seja resolvido precisa de:
validação (“isso custou-te”)
ajudar a pensar (“o que achas que aconteceu?”)
estratégias (“o que podes fazer amanhã?”)
Ou seja, mais apoio emocional do que intervenção externa.
Importante:
Não, não faz muito sentido ir “atacar” (ou sequer acionar logo) o outro pai numa situação destas. Isso tende mais a aliviar a ansiedade do adulto do que a ajudar a criança.
Mas também é importante não cair no extremo oposto de ignorar o equilíbrio está em acompanhar sem invadir.

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