20/04/2026
Vivemos vidas frenéticas. Somos pressionados a produzir muito, estar em constante atividade. É uma corrida sobre quem tem mais, qual o mais rápido, quem conquista mais. Este é o nível de vida que nos incutem e a crença de que, se queremos ser felizes e ter sucesso, tem de ser através de uma vida em correria.
Mas será que somos realmente felizes a viver em contrarrelógio?
Recebo em consulta pessoas demasiado exaustas por caírem nesta armadilha de que viver uma vida a correr é o que nos traz felicidade. Chegam angustiadas, frustradas e sem saber como sair deste círculo vicioso, pois apercebem-se que deixaram de viver e estão em constante stress, vigilância, não conseguem desligar para desfrutar da sua vida. E é nesta corrida louca que acumulamos tarefas atrás de tarefas, sobrecarga, vivemos em piloto automático, esquecemo-nos de nós, dos outros, de realmente viver e aproveitar.
Mais do que nunca falamos sobre os nossos limites, necessidades, saúde (seja física ou mental), paz, mas ainda nos é difícil sair deste ritmo porque a crença de que mais é melhor está muito enraizada em nós. Quem vive em constante stress não tem mais sucesso e felicidade. Pode até conquistar muitas coisas, mas onde f**a o espaço para a sua vida social, familiar e pessoal? Este equilíbrio é tão importante para conseguirmos o tal sucesso que tanto se fala.
Quando nos obrigamos a tomar um rumo diferente, a abrandar, respeitar os nossos limites, ouvir as nossas necessidades, há toda uma vida que descobrimos e que nunca aproveitamos. Quando descobrimos que o caminho para o bem-estar é no sentido contrário ao que estamos, acabamos a já não nos identif**amos mais com aquela versão nossa que não vive, sobrevive, a que não desfruta e não sabe abrandar.
É um caminho sem volta, em direção a uma vida mais equilibrada e bem vivida.
Estás a viver ou a sobreviver?
Maria Pereira
Psicóloga