29/06/2015
40 anos – Asaph Borba
Há 40 anos atrás, em 1975, saí pela primeira vez de Porto Alegre para um trabalho missionário. Íamos em um ônibus da Igreja Metodista, rumo ao nordeste Brasileiro. A tiracolo, meu violão Di Giorgio, último presente de meu pai, e uma mochila com as poucas roupas que eu possuía naquela época.
O pastor Mércio Meneguetti que liderava a caravana de cerca de 50 jovens, foi enfático: vamos dormir aonde der e comer o que nos for oferecido. Mas, vamos ser bênção em todo lugar, concluiu.
Lá fomos nós. Cantando, enquanto estávamos acordados e na maior disposição. Aonde parávamos era alegria e celebração. Belo Horizonte, Salvador, Aracajú, Recife e para mim,finalmente Natal. O ônibus ainda rumou para fortaleza. Em cada uma dessas cidades ficou um grupo de cerca de 10 pessoas, participando por mais de uma semana de retiros, celebrações e evangelismo.
Olhando para trás, tudo era precário. Dormindo em rede, bancos de igrejas, casas simples ou inúmeras noites no próprio ônibus sem ar condicionado, mas nada disso nos tirava a força, pois dentro de nós havia força e vida. Sim, muita vida.
No decorrer dos anos, depois de percorrer 52 nações dos cinco continentes, a lembrança daquela primeira viagem é inesquecível. Ficaram imprimidos em meu coração princípios que nunca mudaram.
O primeiro é quanto a simplicidade. Reconheço que Deus me prosperou, e muito. Viajo basicamente de avião, ou em carros confortáveis que o Pai nos permite ter. O violão simples da época foi trocado por outros de melhor qualidade. Pra não falar nas gravações de CDs e DVDs que hoje temos distribuídos pelo mundo afora. Mas contudo, sempre orei para que a simplicidade de Deus o dos pequenos começos nunca saíssem de meu coração. A simplicidade de aceitar tudo o que Deus manda. Abundância ou carência, bonança ou provações. O homem nada tem se do alto não lhe for dado.
Outra coisa daquele início era a vontade e disposição de servir a Deus. Alegria de cantar, testemunhar e simplesmente, estar com os irmãos. As viagens de Kombi lotada pelo interior, que não chegava nunca, não eram alvos de reclamações e sim eram parte do prazer de estar com as pessoas mais tempo ainda.
Por fim, não por nenhuma outra coisa na frente de Deus e sua obra. Ali estávamos unicamente por causa de Deus. Não tinha oferta, cachê, venda de discos, rádios, mídia. Só tinha Deus, Igreja, Irmãos e a maravilhosa obra à nossa frente. Todos que participavam, só tinham uma agenda e nada paralelo. Creio que isto é o que nos falta hoje. Mesmo eu, que guardo estes princípios, tenho a tentação de me distanciar dos mesmos. Mas graças Deus que meu querido Deus e meus amados pastores, não me deixam esquecer das palavras de Jesus em Mateus 6.33 - buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.