29/01/2026
Nesta última semana ouvi de alguns alunos a frase: ‘não estou a sentir nada, não me dói’ durante um āsana.
E está tudo bem, aliás está ótimo!
No yoga, não é suposto sentirmos obrigatoriamente dor ou desconforto. Não é nesse ponto que se mede se estamos ou não a trabalhar. Há um texto do professor Taccolini que diz: o āsana está conquistado quando o esforço é necessário para sair da posição, e não para permanecer nela.
Isto é muito claro. Devemos mergulhar nos āsanas, com o tempo, sem a ansiedade de querer desfazer rapidamente a postura, sem a pressão de que tem de ser perfeita. Que não significa não se desafiar!
Perfeito é o āsana que é feito de forma a não nos lesionarmos; é aquele em que, mesmo na dificuldade, conseguimos encontrar espaço para entrar, respirar e permanecer.
Não precisamos sentir dor numa postura. Precisamos, isso sim, de compreender se estamos a trabalhar de forma correcta para que a dor não apareça. Por isso, quando alguém me diz que sente dor, eu pergunto: é dor ou é desconforto? Conseguimos distinguir uma coisa da outra?
Porque, sim, depois da prática é natural sentir que o corpo trabalhou . aquela sensação de um corpo que se mexeu, que despertou, que foi usado com consciência.
Mas o resto? O que sentimos após a prática? O que sentimos com a constância de uma prática regular?
Enquanto escrevia este texto, surgiu em mim a vontade de escrever outro texto, sobre o amor-próprio: sobre praticar respeitando o próprio corpo, a própria mente e o próprio momento.
Somos amigos do nosso corpo, não inimigos. E é por isso que o respeitamos, o desafiamos e o abraçamos.
Já te abraçaste hoje? 🤗