27/01/2026
Janeiro é sempre assim.
Frio, escuro às cinco da tarde, aquela sensação de que o mundo inteiro está em pausa mas a sua vida continua a correr. Trabalho, filhos, casa, contas. A lista não pára e o corpo f**a para depois. Sempre para depois.
Aquela tensão nas costas que não passa. O cansaço que o sono já não resolve. O desconforto pélvico que nem menciona porque parece demasiado pequeno, demasiado vago, ou simplesmente embaraçoso. A rigidez matinal que demora cada vez mais tempo a aliviar. Nada disto é urgente o suficiente para parar, por isso continua. Porque é o que se faz.
Mas há uma diferença entre continuar e estar bem. E algures pelo caminho, talvez há meses ou anos, perdeu essa diferença de vista. O corpo mudou tão devagar que nem reparou, e agora já nem sabe se isto é normal ou se simplesmente se habituou.
Vejo isto todos os dias em consultório. Pessoas que chegam meses ou anos depois de começarem a sentir que algo mudou, porque achavam que não era grave o suficiente, que ia passar sozinho, ou que não havia nada a fazer. Mas a verdade é que muitas destas condições podem ser identif**adas e trabalhadas. Não com urgência ou drama, apenas com atenção ao que o corpo está a dizer há tanto tempo.
Auto cuidado não tem de ser complicado. Às vezes é apenas começar. Dar esse primeiro passo e deixar que o resto se construa aos poucos. E daqui a uns meses, quando olhar para trás, pode ser a única coisa que realmente fez diferença num ano bom.
Quer começar?