28/03/2022
Estive há pouco nas urgências de um hospital pediátrico público com meu filho. Nunca vi tanta mãe reunida.
Crianças de todas as idades. Berro, choro e ranger de dentes. Gritos estridentes de alegria e frustração. Crianças tossindo, espirrando, se jogando no chão.
Mães que estavam ali com crianças no colo, amamentando, há mais de 6h à espera de atendimento.
entravam correndo, chorando e tentando manter a calma com seus filhos e filhas, crianças ou adolescentes, deitados em maca, gritando de dor.
Algumas mães com bebês pequenos tinham olheiras tão fundas, daquelas que fazem a gente olhar 2x pra entender se é mesmo olheira ou um caso de violência doméstica que exige ajuda.
Lembrei dos primeiros 2 anos de vida do meu filho e empatizei imediatamente.
Mães em pé, sentadas no chão ou em cadeiras. Com filhos no colo e malas pesadas carregadas de tudo: brinquedo, lanche, água, fralda, roupa, toalha, documentos...
A última vez que vi tanta mãe junta foi na reunião de pais da escola. Lembrei de uma amiga professora dizendo "na escola, a gente até br**ca que é 'reunião de mães', porque os pais nunca vão".
E lembrei de mulheres, mães — amigas e familiares — reclamando porque estavam exaustas e os pais de seus filhos, que nunca cumpriam os dias de visita ou de f**ar com as crianças, estavam sempre em festas, no futebol ou no cinema no Instagram.
Quando falamos em cuidados, não devemos falar só do que acontece entre quatro paredes (que já é um trabalho enorme e exaustivo!). Limpar, lavar, dar banho, preparar roupa, cozinhar, br**car, acalentar, por pra dormir.
Vamos falar também das horas gastas levando e buscando da escola. Levando pra natação, pro judô, pro volei. Nas filas dos hospitais, da vacina. Nas reuniões de pais, na fila pra matrícula, da compra dos materiais.
Tudo isso que sai do nosso já curto tempo fora do trabalho.
Ócio é importante.
Ócio de não fazer nada no domingo. E tempo livre para pensar, escrever, aprender algo novo, fazer um esporte porque sim. Para namorar.
A liberdade e individualidade não são direitos exclusivos dos homens. E isso não é pedir demais.