12/09/2022
BURSITE TROCANTÉRICA
O que é Bursite do Quadril?
De forma geral, usa-se o termo bursite do quadril para se referir a presença de um processo inflamatório em uma ou mais bursas situadas em torno da articulação do quadril.
Anatomia do Quadril
Próximo às articulações, sobretudo de superfícies ósseas mais proeminentes, existem estruturas de tecido conjuntivo semelhantes a pequenas bolsas repletas de líquido (líquido sinovial), chamadas bursas ou bolsas sinoviais.
Essas bursas estão localizadas entre músculos, tendões e ossos, normalmente em pontos onde ocorre atrito entre as estruturas. A função das bursas é facilitar o deslizamento de uma estrutura sobre a outra , agindo como pequenas
“almofadas”, que minimizam o atrito durante os movimentos que ocorrem nas articulações.
Existem centenas de bursas espalhadas pelo corpo e só na região do quadril, encontram-se de 14 a 21 dessas estruturas, das quais quatro ou mais, estão situadas em torno do trocânter maior do fêmur, porção mais saliente desse osso, facilmente palpável na lateral do quadril.
O processo inflamatório de qualquer uma das bursas sinoviais recebe o nome de bursite e o principal sintoma é dor no local da bursa acometida.
Bursite Trocantérica
No quadril, as bursas mais comumente afetadas são aquelas localizadas ao redor do trocânter maior do fêmur, chamadas bursas trocantéricas, e neste caso, o termo empregado é bursite trocantérica.
Atualmente sabemos que o acometimento da bursa não se dá de forma isolada e é uma condição que comumente está associada a patologias de outras estruturas também relacionadas ao trocânter maior, como por exemplo os tendões dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo e o trato iliotibial (tecido fibroso, disposto na região lateral do quadril e coxa).
Essa associação de doenças recebe o nome de Síndrome da dor Trocantérica ou Síndrome Dolorosa Trocantérica e é considerada uma das causas mais comuns de dor na região lateral do quadril.
Existem outras bursas que podem causar dor no quadril, como é o caso da bursa isquiática e da bursa do músculo iliopsoas, mas são menos frequentes que a bursite trocantérica.
Por fatores anatômicos e hormonais, as mulheres são acometidas em uma proporção de 4:1 em relação aos homens, sobretudo entre a quarta e sexta década de vida.
Causas da Bursite do Quadril
A causa mais frequentemente relacionada à bursite é o microtrauma na região trocantérica proveniente de estresse repetitivo nas estruturas locais. Esse estresse vêm em decorrência do aumento de sobrecarga nos tendões e bursas provocado por excesso de carga durante uma atividade física, atrito por movimentos repetitivos como por exemplo em atividades esportivas, desequilíbrio muscular ou fraqueza dos músculos que se inserem no trocânter maior (sobretudo glúteo mínimo e médio). Vale lembrar que em casos severos de fraqueza muscular, atividades leves como uma simples caminhada já pode exercer maior exigência nos músculos do quadril e gerar sobrecarga nestas estruturas, sendo suficiente para desencadear a lesão e os sintomas.
Além disso, a bursite trocantérica pode ser causada por trauma direto, por exemplo após alguma queda sobre a lateral do quadril e também por fatores que geram sobrecarga mecânica direta sobre as estruturas do trocânter maior como: discrepância do comprimento dos membros (uma perna mais curta que a outra), quadris largos (uma das causas que justificam a maior incidência dessa doença em mulheres) e encurtamento do tecido fibroso na lateral do quadril (fáscia lata).
Outro fatores de risco estão comumente associados a essa doença, como por exemplo: doenças na coluna lombar, doença na articulação sacroilíaca, entorse de tornozelo, artrite reumatóide, artrose de joelho e quadril, cirurgias anteriores no quadril, dentre outros. A justificativa é que essas doenças podem afetar o padrão e marcha e consequentemente sobrecarregar os tendões e bursas da região lateral do quadril.