16/11/2023
Na sequência dos casos que neste espaço vou relatando, para permitir aos meus seguidores entenderem melhor a competência terapêutica da Hipnoterapia, hoje trago um caso complexo que configura um padrão recorrente nos traumas de infância.
Tive em consulta uma mulher de sessenta anos casada, sem filhos, professora universitária a viver numa grande cidade no nosso país.
Em consulta contou que tinha um estranho problema que emergia dentro dela sempre que via pessoas vestidas de preto. Invariavelmente os sintomas apareciam num vómito súbito e ela tinha sempre que procurar rapidamente uma casa de banho, para vomitar.
Estes episódios decorreram ao longo da sua vida causando-lhe enormes constrangimentos.
Consultou vários médicos especialistas que de exame em exame a informavam que nenhum resultado apresentava quaisquer anomalias. Enquanto isto os episódios recorrentes do vómito inesperado perante alguém que usasse roupa preta não abrandavam.
Em desespero de causa, pesquisou sobre hipnose e das respostas que se escondem no inconsciente de cada ser humano.
Resolveu marcar uma consulta e finalmente, após ser esclarecida sobre como funcionava a terapia, resolveu submeter-se aos te**es.
Algumas sessões mais à frente, ela estava pronta para fazer uma regressão .
A idade do problema que tinha causado aqueles danos tinha sido aos quatro anos. Ela viu-se com quatro anos em casa do avô. Estava ao colo do avô, num sofá vendo televisão.
Num determinado momento o avô levantou-se.
Nesse momento a paciente chora e desesperada quer sair do transe. No transe hipnótico nós estamos comunicando com o inconsciente da paciente e o seu consciente não intervém. Contudo, quando algum acontecimento mais impactante chega, o consciente actua restringindo o acesso a essa informação. De algum modo esse mecanismo actuou sempre no consciente dela. A informação estava no seu inconsciente mas o consciente sentia o peso dela sem a poder explicar.
Ao estarmos a rever a sessão em consultório ela confessou que quando se viu naquela sala sentada ao colo do avó viu de repente toda a sequência dos acontecimentos e ao olhar aquele personagem vestido de preto no colo do qual estava sentada, fez-se luz em toda a dimensão das suas memórias de criança.
Ela pôde então falar serena e conscientemente sobre como o violador a tinha violado.
Com alguma dificuldade, sessão após sessão, se foi desconstruindo o trauma e garantindo a normalidade e a saúde desta paciente, hoje a usufruir de uma vida tranquila sem sobressaltos.
Jc