17/04/2026
Há uma coisa que precisa de ser dita com clareza sem rodeios.
O caso recente que está a circular não é “confuso”, não é “zona cinzenta” e muito menos “um mal-entendido entre jovens”.
É grave. Muito grave.
Vivemos numa altura em que encontros começam online com uma facilidade enorme, mas isso também trouxe riscos que estão a ser completamente subestimados. Há uma falsa sensação de controlo, de proximidade e até de confiança… que simplesmente não corresponde à realidade.
E depois há algo ainda mais preocupante: a forma como se tenta relativizar o que aconteceu.
Dizer que “eles não ouviram o não” não é só uma frase infeliz... é perigoso.
Porque desvia o foco do essencial:
👉 Consentimento não é ambíguo.
👉 Consentimento não é silêncio.
👉 Consentimento pode ser retirado a qualquer momento.
E quando isso acontece, tudo o que vem a seguir deixa de ser consentido.
Enquanto terapeuta, preocupa-me profundamente o impacto que este tipo de discurso tem:
nas vítimas, que podem sentir que não vão ser levadas a sério
nos jovens, que f**am com referências completamente distorcidas sobre limites
na normalização de comportamentos que são, na verdade, violência
Precisamos de parar de suavizar aquilo que é duro de encarar.
Educar para impor limites, consciência e responsabilidade não é opcional...é urgente.
E sobretudo: um “não” não precisa de ser perfeito, alto ou repetido.
Precisa apenas de existir.
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