04/02/2026
Hoje é o Dia Mundial do Cancro.
Deixa-me sempre desconfortável falar disto. Não da doença… mas destes “dias mundiais”, que se vivem sempre com o receio de que esta m**** volte. É o medo de quem passou perto.
E eu, que gosto de ver a saúde com soluções e não com problemas, não gosto de expor este lado.
Mas é importante.
É fundamental falar de rastreios, de bons hábitos…
É inadiável investir na prevenção e na investigação.
Já partimos dois comboios de atraso.
Eu não gosto de falar de cancro. Aliás, não gosto de falar do meu cancro.
Ainda estou naqueles 5 anos de provação, os 5 anos onde tudo pode acontecer… mas onde, ao mesmo tempo, temos de regressar ao “normal” e viver. Aproveitar o que alguns que cruzei no IPO do Porto não tiveram a oportunidade de viver.
É por isso que aqui nas redes veem altos e baixos de stories e publicações. Porque às vezes sinto que estou a tirar a água do Titanic com uma colher de café… e nenhum humano tem capacidade para tanto oceano.
Este é o meu segundo combate: criar literacia em saúde em Portugal, com base científica. Não dizer que as dores articulares no inverno são “da idade”, quando os estudos mostram que é a falta de exercício e o impacto emocional destes invernos de chuva e frio, que nos deixam mais em baixo e aumentam as dores.
Mas isso tem solução.
Chama-se movimento.
Chama-se prescrição social.
Neste combate tive uma grande ajuda para divulgar a saúde como eu a vejo, mas também para me reconstruir. Nem a nem o fazem ideia da importância que tiveram. Depois do cancro, era preciso um propósito de vida que justificasse este longo percurso.
Seis meses após os tratamentos, pisava o cenário da Praça
E aí, tudo começou.
Hoje é importante falar de cancro. Sem medo. Com esperança.
Hoje… e amanhã.
E peço desculpa se insisto tanto no poder das coisas simples… mas sei que é este o caminho.
E é por isso que continuo.
Pelas coisas simples.