01/02/2026
Eletroacupuntura na Patologia Raquial: Da Neuroquímica à Prática Clínica
A patologia raquial (cervicalgias, dorsalgias e lombalgias) representa uma das maiores causas de incapacidade a nível mundial
A Eletroacupuntura (EA) surge como uma evolução técnica da acupuntura tradicional, utilizando correntes elétricas de baixa intensidade para potenciar a resposta biológica. Ao contrário da estimulação manual, a EA permite um controlo rigoroso da frequência e intensidade, oferecendo uma modulação mais previsível do sistema nervoso.
A especificidade da EA reside na sua capacidade de "escolher" quais os neurotransmissores a libertar no sistema nervoso central (SNC), um conceito amplamente demonstrado pelo Prof. Ji-Sheng Han.Frequência Baixa (2 Hz - 10 Hz): Estimula a libertação de \beta-endorfinas e encefalinas. O seu efeito é cumulativo e duradouro, sendo a escolha de eleição para patologias crónicas e regeneração tecidual.Frequência Alta(80 Hz - 100 Hz): Ativa o mecanismo de "Comporta Medular" (Gate Control) e liberta dinorfinas. Proporciona analgesia imediata, ideal para fases agudas e espasmos musculares severos.Frequência Mista (Dense-Disperse): A alternância entre 2 Hz e 100 Hz evita a acomodação neuronal e maximiza o alívio da dor ao ativar simultaneamente múltiplos recetores opioides.
A aplicação da EletroAcupuntura na coluna divide-se em três pilares fundamentais: Descompressão e Modulação Segmentar, através da puntura dos pontos Huatuojiaji, localizados adjacentes aos forames intervertebrais, a EA atua diretamente sobre os ramos dorsais dos nervos espinais. Isto é crucial no tratamento de hérnias discais e estenoses do canal, onde a inflamação da raiz nervosa é o principal gerador de dor. Gestão de Pontos-Gatilho (Trigger Points)
Nas patologias mecânicas, como a síndrome miofascial, a EA de baixa frequência (10 Hz) promove micro-contrações rítmicas que "desativam" pontos de tensão profunda no músculo multifidus e quadrado lombar, restaurando a mobilidade vertebral.
. Modulação da "Matriz da Dor"
Estudos de neuroimagem funcional mostram que a EA é capaz de regula áreas cerebrais reduzindo sensibilização central.