15/01/2026
Adotar é assumir. Não é devolver quando deixa de dar jeito.
Quando o desespero bate à porta.
A adoção é um compromisso, não uma solução temporária!
Nos últimos tempos, a OHG tem recebido diariamente pedidos para acolher animais por motivos muito diversos: doença, emigração, desemprego, mudança de casa, aumento da família, casamento, gravidez, novos relacionamentos, medo infundado de que os gatos prejudiquem crianças, familiares que faleceram ou foram para lares, dificuldades económicas, vontade de viajar, ou simplesmente porque o animal “já não se enquadra” na nova fase de vida.
Estes argumentos, repetidos vezes sem conta, revelam uma realidade preocupante: muitas adoções continuam a ser feitas de forma irrefletida, sem a consciência do compromisso real que significa cuidar de um animal ao longo de toda a sua vida.
Um animal não é um objeto descartável, nem um acessório emocional que se devolve quando deixa de ser conveniente. É um ser vivo, sensível, inocente, que cria vínculos profundos e sofre — e sofre muito — com o abandono e a instabilidade.
É urgente que a sociedade compreenda que adotar um animal não é comparável a comprar uma peça de roupa. É uma decisão que deve ser tomada com reflexão, ponderação e responsabilidade, tendo em conta que a vida muda, mas o compromisso permanece.
A nossa associação é pequena, não dispõe de espaço exterior e encontra-se totalmente sobrelotada. Por muito que amemos os animais, temos uma responsabilidade inadiável para com os mais de 80 animais que já estão ao nosso cuidado.
Cada novo animal que entra tem impacto direto nos que cá estão:
🙀Os recém-chegados ficam frequentemente em jaula, entram em depressão e adoecem;
😹Os residentes sofrem stress, desenvolvem problemas comportamentais ou de saúde;
😸O risco de conflitos, bullying e necessidade de isolamento aumenta;
🕐Os recursos humanos, financeiros e emocionais esgotam-se;
🫣A realidade que muitos desconhecem é que acolher mais não é sinónimo de ajudar mais. Em contextos de sobrelotação, o sofrimento multiplica-se.
Importa também reforçar que a missão principal da nossa associação é a aplicação do programa CED – Capturar, Esterilizar e Devolver, uma das ferramentas mais eficazes e éticas no controlo de populações felinas e na prevenção de sofrimento futuro.
O facto de estarmos sobrelotados é, infelizmente, um dos fatores que limita diretamente a nossa capacidade de esterilizar mais animais, uma vez que as jaulas estão ocupadas por animais que adoecem, precisam de isolamento ou não podem ser devolvidos de imediato.
💔🤕Cada animal que entra sem uma solução ponderada retira espaço, tempo e recursos a muitos outros que continuam na rua, a reproduzir-se e a sofrer.
Por isso, apelamos com firmeza e responsabilidade:
🙀Reflita antes de adotar,
🙀Pense no animal a longo prazo, mesmo perante mudanças na sua vida.
🍀Procure soluções dentro da sua rede familiar, social e comunitária,
🕐Assuma que dificuldades fazem parte da vida — abandonar não pode ser a resposta!
Os animais não escolhem ser adotados. A responsabilidade é sempre humana!