01/06/2023
A síndrome de Burnout
“Sinto que não controlo a minha Vida!”; “Não tenho tempo para fazer tudo e desato aos berros por qualquer coisa!”; “Ando sempre exausta e só me apetece dormir ou fugir daqui!”; “Sinto que me falha a memória e não me consigo concentrar! Devo estar com algum problema no cérebro!”
São vários os modos como as pessoas chegam ao gabinete para uma primeira sessão. Queixam-se do stress exagerado e “inevitável” em que vivem há meses, anos... Que o tempo não chega para nada… que deixam sempre algo por fazer e sentem-se culpadas por isso. “Eu devia ter mais tempo para os meus filhos, mas não consigo…”
No trabalho, as dez a catorze horas não chegam para tanta exigência, dos outros e do(a) próprio(a) trabalhador(a). As chamadas, SMS’s e os emails são consultados e respondidos muitas vezes dentro e fora da empresa, dentro e fora do horário de descanso. “Fica sempre tanto por fazer…” e esse descanso, quando existe é passado a dormir. Mal…!
A compensar outras tantas horas de sono por dormir, ou de sono induzido por fármacos. “Caso contrário acho que não adormecia… Ou então três horas depois de adormecer estava a acordar e aproveitava para resolver mais alguns assuntos.”
Viver implica stress. Uma determinada dose de incerteza em que ponderamos sobre as nossas capacidades serem suficientes para lidar com os problemas do dia-a-dia. Os esperados e os inesperados. Não terá é de ser sempre com uma dose intensa de ansiedade e irritabilidade. Ou sente que sim…?
As alterações de stress preparam o nosso corpo em caso de ameaça, mas também podem surgir quando nos preocupamos ou antecipamos algo. Já deve ter ouvido falar da reação de “luta ou fuga”…
Isto acontece quando o nosso corpo, em stress, produz cortisol, adrenalina e noradrenalina. Estes neurotransmissores vão permitir aumentar os níveis de energia para permitir ao corpo uma reação rápida à “ameaça”. Contudo, stress intenso e/ou prolongado leva o organismo além daquilo que deveria suportar. E isto pode dar origem a vários sintomas físicos e mentais, e mesmo a uma síndrome de burnout.
Veja bem se isto lhe parece familiar… Mais tarefas do que aquelas que deveria aceitar; baixo ou nenhum reconhecimento por colegas, chefes, amigos ou família, bem como a combinação de algumas caraterísticas pessoais.
Nomeadamente, ser perfecionista, priorizar os compromissos em detrimento de si mesmo(a), sentido exagerado de sacrifício colocando a saúde em risco. São apenas alguns fatores que aumentam a probabilidade de vir a desenvolver esta síndrome.
Durante uma síndrome de burnout o seu interesse pelo trabalho quebra drasticamente. Sente-se constantemente inquieto(a) e tenso(a), e pode ter variados sintomas físicos, dores, dificuldades de concentração e de memória. Sente que não tem tempo nem energia para si e para a sua família…
Poderá haver uma tendência para o abuso de álcool, cafeína, calmantes, ou outras substâncias… Tensão arterial alta, ou mesmo sofrer de arritmias, um ataque cardíaco ou um enfarte.
É uma síndrome tratável, mas não é algo fácil de se ultrapassar sozinho(a). Se tem alguns dos sintomas acima mencionados ou da listagem seguinte, procure ajuda clínica especializada. O Médico de Família ou um psicólogo poderão ser um bom ponto de partida para a mudança.
Com o psicólogo aprenderá a ver melhor os fatores que levaram a esse desgaste físico e mental, aprenderá a cuidar de si mesmo(a) gerindo melhor o equilíbrio entre o trabalho, o lazer e o descanso. Aprenderá a relaxar, através de técnicas especif**as, ou mesmo com atividades divertidas como o desporto, a dança, a música, entre outras…
Sim. Vai encontrar tempo para isso… e não vai estar sozinho(a). Alguém que passa por isto precisa de alguém que dê coragem para levar estes sintomas a sério e que possa fazer companhia, quando possível, naquelas atividades.