07/03/2026
Este post não é de um treinador.
Nem de um comentador.
É de um pai, de um profissional que trabalha todos os dias com crianças e de um ex-árbitro de futebol.
E talvez por isso me custe tanto escrever isto.
Todos os fins de semana vejo o mesmo cenário:
bancadas cheias de adultos…
e campos cheios de crianças a tentar simplesmente jogar à bola.
Gritos.
Ordens.
Críticas ao treinador.
Insultos ao árbitro.
Pressão constante.
E no meio disto tudo estão crianças de 8, 9 ou 10 anos.
Como osteopata pediátrico, trabalho com crianças todos os dias.
Vejo ansiedade.
Vejo pressão.
Vejo miúdos que começam a sentir que têm de corresponder às expectativas dos adultos.
Como pai de dois jogadores de 9 anos, vejo outra coisa:
miúdos que só querem correr, falhar, aprender e voltar a tentar.
E como ex-árbitro durante mais de 10 anos, vi algo que muitos pais nunca imaginam:
adultos a gritar com árbitros jovens que estão apenas a aprender…
tal como os vossos filhos estão a aprender dentro de campo.
Há uma coisa que precisamos de lembrar:
O jogo não é nosso.
É deles.
Eles não precisam de um treinador na bancada.
Já têm um.
Não precisam de um comentador.
Já há gente suficiente a comentar futebol.
O que precisam é de pais.
Pais que aplaudem.
Pais que respeitam.
Pais que sabem perder.
Pais que sabem ganhar.
Porque no final do jogo, o que f**a na memória de um filho não é o resultado.
É isto:
Se o pai estava orgulhoso.
Se a mãe o abraçou.
Se sentiu que podia falhar…
e continuar a ser amado na mesma.
No futebol de formação não estamos a criar campeões.
Estamos a formar pessoas.
E às vezes quem mais precisa de aprender…
não está dentro do campo.
Está na bancada.
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