Susana Robin - Psicóloga

Susana Robin - Psicóloga Informações para nos contactar, mapa e direções, formulário para nos contactar, horário de funcionamento, serviços, classificações, fotos, vídeos e anúncios de Susana Robin - Psicóloga, Psicólogo/a, Rua Aristides de Sousa Mendes 4 A, Setúbal.

19/09/2021

O Alento de Setembro

Finalmente chegou Setembro, não é Janeiro atenção, mas é parecido. Em Setembro tudo reabre, as benditas escolas, o café do costume que estava de férias, os restaurantes, tudo o que estava a meio gás está agora a postos para uma nova época. Começamos, ou melhor, recomeçamos e há um alento, uma espécie de boost de energia que se apodera de nós, de repente 1 de Setembro parece 1 de Janeiro e então vamos lá fazer listas de objetivos, vamos mudar, vamos ser disciplinados, ter rotinas, começar o ginásio, meditação diária, yoga, terapia…vamos com tudo até que o boost de energia começa a perder a “força” e a diluir-se no cansaço do esforço que colocamos em querer fazer tudo. Aqui começamos a curva descendente, se calhar somos preguiçosos, se calhar estamos a falhar, não somos capazes de cumprir uma “simples” lista de objetivos. O sentimento é parecido com aquele que costuma chegar no fim de Janeiro, mas com a agravante de estarmos muito longe do próximo Verão e muito próximos do Inverno.
Por estas razões e por outras razões as nossas recomendações para este recomeço assentam apenas em três pilares: flexibilidade, compreensão e empatia.
Flexibilidade – Objetivos sim, rigidez no seu tempo e espaço de concretização não. Estabeleça ou reestabeleça objetivos, mas privilegie objetivos que sejam concretizáveis especialmente a curto ou médio prazo. Estabelecer objetivos desajustados à nossa realidade trazem apenas frustração, angustia e uma sensação de fracasso que boicotam a sua concretização.
Compreensão – Mudar sim, mas não porque Setembro nos empurra para a mudança. Antes de mudar procure conhecer-se, entender porque é que precisa de mudar, porque é que pensa o que pensa e sente o que sente. Conheça o seu sofrimento, entenda porque é que ele está presente antes de o tentar remover com listas de objetivos e tarefas.
Empatia – Com os outros, mas acima de tudo consigo mesmo. Permitir-se falhar e não chegar a todo o lado, permitir-se integrar a falha porque ela também faz parte e porque às vezes só precisamos de fazer o possível e o possível é suficiente. Poder dizer a si próprio que “não faz mal” não signif**a desresponsabilizar-se, mas sim ter compaixão consigo, ser o seu próprio colo.

Estes três pilares idealmente andariam sempre de mãos dadas, mas nem sempre é possível concretizar o ideal e não faz mal. Acima de tudo o mais importante é poder por vezes parar, olhar para dentro e ouvir-se, será que fazer tudo faz sentido? Será que o esforço é compensatório? Será que aqui e agora me sinto bem? Oiça as suas respostas e reposicione-se, reconstrua, redefina, ou mantenha tudo igual se fizer sentido, seja qual for o caminho vai sempre a tempo, porque afinal Setembro é quando o Homem quiser.

Um bom Setembro ou então boas entradas!

Por Susana Robin

Modo  Avião Olhar para trás faz parte da vida, faz parte de nós, gostamos de recordar na esperança de reviver ou na cert...
07/06/2018

Modo Avião

Olhar para trás faz parte da vida, faz parte de nós, gostamos de recordar na esperança de reviver ou na certeza de que não queremos lá voltar. Quantos de nós não nos perdemos a olhar para uma fotografia antiga, quantos de nós não nos perdemos quando por instantes sentimos o cheiro de alguém que até já tínhamos esquecido, quantos de nós não nos perdemos quando ouvimos aquela música que alguém cantava ou aquele assobio que alguém soprava desajeitadamente.
Olhamos para os outros connosco na foto, os ainda próximos e os que já vão longe e naturalmente vamos até nós. Começamos por fora e olhamos para o cabelo que estava mais comprido, a pele que estava mais lisa, a barriga que estava menor (ou maior) e depois vamos para dentro, e sai-nos um suspiro de saudade de tempos felizes quando nem sequer sabíamos que estávamos e éramos felizes, sai-nos um suspiro que é mais um aperto de saber que aquele tempo já foi e parece que foi noutra vida, uma vida melhor, uma vida do outro mundo. Só que não, não foi noutra vida, foi nesta, e não foi noutro mundo, foi neste. O mundo é o mesmo e a vida é a mesma, o que não nos apercebemos muitas vezes é que este mundo e esta vida tem tudo de bom e tudo de mau, não tem só tudo bom e só tudo mau. A felicidade, guardada na foto algures no tempo transformou-se em tristeza e essa tristeza um dia poderá ser transformada numa felicidade que não precisa de f**ar guardada em lado nenhum a não ser dentro de nós. Por outro lado, as tristezas de outros tempos, tristezas certamente não registadas porque ninguém tira fotografias em momentos de dor, também poderão ter dado lugar a alegrias que são deste mundo e desta vida.
O que quero dizer com isto é que o tempo e a memória são traiçoeiras, o que já foi, o que poderia ter sido e o que nunca mais aconteceu “é” sempre melhor que o que está a acontecer hoje e agora. Um dia mais tarde, quando olharmos para as fotos de hoje, vamos certamente dizer que naquele tempo (neste) é que era. Parece e é uma insatisfação constante e um sentimento vazio de que o tempo nos passa por entre os dedos sem que nos apercebamos, por isso, de vez em quando é preciso parar, quebrar o ciclo automático do dia-a-dia, olhar para o céu, olhar para o imenso ou para o mais pequeno detalhe que é um desenho numa pedra da calçada (como hoje por acaso vi) ou o sorriso de alguém que nos olha. Mas não é só parar, é parar e reparar, é ouvir o nosso silêncio para conseguir que a felicidade seja mais que um passado e que um sorriso esticado numa fotografia cheia de filtros (porque ninguém é assim tão perfeito e bronzeado o ano inteiro). É difícil e subvalorizado lembrarmo-nos de parar, continuamos a acreditar que parar é coisa de quem tem tempo para isso e não tem nada para fazer, mas mesmo que acredite nisso experimente, quebre o ciclo, desligue o modo automático e ligue o modo avião por breves momentos, permita-se estar aqui. Por hoje foi este o meu momento de paragem, escrever para também eu me lembrar do quão importante é parar e sentir.

Falta Sal Quem diz a verdade não merece castigo, já dizia a minha avó considerada uma mulher de mau feitio por isso mesm...
08/02/2018

Falta Sal

Quem diz a verdade não merece castigo, já dizia a minha avó considerada uma mulher de mau feitio por isso mesmo, dizer a verdade.
A verdade cada vez mais se esconde, parece que chateia, que dá trabalho e que compromete muita gente, por isso é mais fácil viver como se estivesse tudo bem, como se nada nos chateasse, como se nada nos magoasse. É incrível que nem nas coisas mais simples dizemos a verdade, ' o jantar estava bom?', ' estava tudo bem obrigada' (tirando o facto de que esperámos meia hora para nos servirem, a comida não tinha sal e a minha coca cola nunca chegou), ' sim sim, estava óptimo' - Mentira!. E porquê mentir? Porque dizer a verdade é chato e chateia e parece sempre que estas perguntas só surgem de forma automática e não procuram uma resposta a sério. Ainda para mais vamos parecer antipáticos e chatos se nos queixarmos, e não queremos isso pois não? A nossa necessidade consciente ou inconsciente de sermos gostados por toda a gente leva-nos a isto, a engolirmos coisas que não gostamos e f**armos em silêncio. O resultado disto é que as verdades que não dizemos f**am todas dentro de nós e corroem-nos aos bocadinhos, transformam-se em revolta, raiva, rancor, transformam-se em bichos que nunca teríamos a viver em nossa casa, quanto mais na nossa cabeça. Não quero com isto dizer que andemos por aí a dizer a torto e a direito que falta sal, nem quero dizer que nos devemos abster da utilização de alguns filtros sociais e profissionais que são necessários por pura protecção e inteligência, o que quero dizer é que se engolir sapos só para não f**ar mal e não parecer mal vai acabar por parecer um sapo inchado prestes a explodir a qualquer momento só porque a coca cola ainda não chegou ou por qualquer outro motivo que parecerá absurdo ao mundo e até a si. Não fará sentido e não será entendido, por isso mais vale deixar sair aos poucos aquilo a que uns chamam de mau feitio e eu chamo de essência, clareza e sinceridade.
O pior disto tudo é que a minha avó quase me mentiu, porque quem diz a verdade não merece castigo, mas acaba por ter. Poderá então não ser a pessoa mais adorada do mundo, poderá não agradar a toda a gente, muitos poderão afastar-se ou zangar-se, portanto será 'castigado', mas, no final, será também respeitado por aquilo que é e não por aquilo que tenta ser, e melhor que tudo será respeitado por si e sentir-se-à certamente melhor, nem que seja porque as "coca-colas" vão chegar e tudo vai ter mais sal e mais sabor.

Alguém que me resolva isto da vida pffEu não vi a supernanny e quanto mais li sobre o assunto menos vontade tive de ver,...
23/01/2018

Alguém que me resolva isto da vida pff

Eu não vi a supernanny e quanto mais li sobre o assunto menos vontade tive de ver, no entanto tive vontade de pensar sobre isso, sobre esta questão de ter alguém super ao nosso lado, alguém que nos resolva todos os problemas. Tanto pais como filhos como avós desejam alguém que os salve. Não é fácil termos que resolver as nossas coisas, lidarmos com os nossos problemas, tomarmos as nossas decisões, não é fácil. Recordo-me de em pequena pedir coisas ao meu pai e o meu pai encaminhar o problema para a minha mãe - ' isso tens que pedir à mãe' - e não foram raras as vezes que a minha mãe me mandou dar meia volta e pedir ao meu pai. Parece-me que às vezes só desejamos que alguém decida e faça por nós para que de alguma forma possamos tirar o peso da culpa e da responsabilidade de cima. Qualquer coisa não fui eu que decidi, a culpa não é minha portanto está resolvido. Parece-me perfeitamente normal querermos um salvador, seja uma supernanny, seja um hulk ou um homem ar**ha para nos safar de todo o mal com um super poder, acho normal, só não acho que seja de facto essa a solução, porque simplesmente não é possível.
Acredito e defendo que não temos que fazer tudo sozinhos e faz sentido pedir ajuda, partilhar responsabilidades, medos, receios, opiniões e decisões, no entanto isso não é a mesma coisa que dar a outra pessoa para nos resolver o problema por mais apetecível que isso possa parecer. Levar o filho ao psicólogo e esperar que o psicólogo resolva o problema é quase como acreditar que ir ao nutricionista emagrece e ir ao dentista deixa os dentes brancos. Era bom que assim fosse (ou não) mas a verdade é que não é assim que funciona. Não podemos entregar os nossos problemas ou responsabilidades a outros para que os outros resolvam, é preciso um trabalho de equipa, é preciso envolver-se e empenhar-se é preciso cuidar e é preciso acreditar que não há melhor pessoa para cuidar de mim e de quem eu amo do que eu, é preciso acreditar que somos competentes e que mesmo com limitações (que toda a gente tem) continuamos a ser a melhor opção quando se trata de resolver a nossa vida. Podemos contar com um psicólogo normal, com um amigo normal, com uns pais normais (e não super) e no final, com a nossa confiança reforçada e consolidada, talvez nos sintamos super e talvez consigamos apreciar os pequenos passos que vamos dando mesmo sem fatos e poderes especiais. Sem querer complicar, queria apenas transmitir que tudo isto da vida dá trabalho e às vezes os caminhos que parecem mais curtos e fáceis acabam por não ser nada disso. Traduzindo o 'barato' sai caro, quando se trata de resolver a nossa vida e a dos nossos.

Medo: Meu Anjo da Guarda, Meu Bicho Papão Desde pequenos que o medo é algo que nos acompanha, a maior parte de nós recor...
10/01/2018

Medo: Meu Anjo da Guarda, Meu Bicho Papão

Desde pequenos que o medo é algo que nos acompanha, a maior parte de nós recorda-se do medo do escuro, da água do mar, da areia, dos bichos, medos vulgares ou invulgares que fizeram com que muitos de nós fossemos chamados de mariquinhas pé de salsa. São medos comuns e muitas vezes relacionam-se com aquilo que nos é estranho e novo e por isso não confiamos. Chama-se a mãe na hora de adormecer, liga-se uma luz de presença e só se vai à água do mar com o pai. É preciso uma mão, uma segurança de que não estamos sozinhos e de que não vai acontecer nada de mal. Essa mão e essa segurança, a que chamo confiança, é construída desde cedo na relação com os pais, sendo desenvolvida ao longo da vida e transformada em algo interno que já não precisa de luz ou de outros. No entanto, não quer isto dizer que os medos nos abandonem ao longo da vida, até porque esta confiança por vezes não f**a tão bem consolidada como seria desejável e os medos que f**am, e até os que vão, têm ou tiveram a sua função. Os medos servem para alguma coisa e não é só para nos atormentar a vida, muitas vezes servem para nos proteger do perigo e para nos oferecerem um limite e indicarem um caminho, nem que seja “por ali não vou”. Por outro lado, quando os medos nos perseguem para todo o lado f**amos rodeados de sinais de stop que acabam por nos expor a um perigo às vezes bem maior, o perigo de paralisar. Ficar quieto a sentir medo não é a mesma coisa que fingir-me de morto perante a agressão de um urso (que pode ser uma estratégia de sobrevivência), f**ar quieto a sentir medo é o princípio da transformação do medo que era um anjo da guarda no medo bicho papão. O bicho papão do medo vai comer tudo, a nossa capacidade de pensar, de agir e de sentir qualquer coisa para além do medo. A única coisa que vai crescer é a ansiedade e com ela o mal-estar, a incapacidade de sair do lugar e consequentemente a inevitabilidade de caminhar para lugares ainda mais escuros, fechados e isolados.
Do medo anjo ao medo papão a distância é mais curta do que aquela que nos conseguimos aperceber, o limite entre o que nos protege e o que nos faz mal não é tão fácil de detectar como gostaríamos, às vezes é preciso outro olhar, outra voz, alguém que nos alerte e que nos ajude a ver os limites invisíveis. Não quero com isto dizer que este outro alguém nos vá salvar, assim como a luz de presença não impede os “monstros” de irem para debaixo da cama, no entanto dá-nos outra segurança, outra força que por vezes sozinhos não conseguimos sentir. E aqui encontro mais uma possível resposta para a questão “porque fazer psicoterapia?”. Talvez porque todos nós, por vezes, precisamos de alguém que nos acompanhe na solidão do escuro e na imprevisibilidade das ondas do mar. Primeiro vamos de mão dada, depois vamos sozinhos e quem sabe um dia até andamos a mergulhar das rochas ao escurecer. Um passo de cada vez e “devagar porque temos pressa”.

02/11/2017

Desemprego e Depressão

O desemprego é uma condição que afecta o bem-estar psicológico e levanta questões relativas à identidade. É um momento de crise que pode desencadear quadros depressivos. Identif**ar-se com o desempregado traz muitas vezes sentimentos de desvalorização, inutilidade, impotência, frustração e vazio. O que fazer quando deixa de ter o que fazer, lidar com o tempo que começa a parecer imenso sem se desmotivar ou desistir pode constituir-se como uma tarefa bastante difícil e angustiante.É importante reorganizar-se e reconhecer-se como pessoa para além da sua profissão. "Quem sou e o que faço aqui?" Não sou certamente só uma pessoa sem emprego. O apoio psicológico pode ser fundamental para ajudá-lo a reencontrar a sua identidade,reforçar os seus valores e competências.

Consultas de Psicologia de Segunda a Sábado
Marcações através do 926975483

Espelho meu, espelho meu …Alguém mais bela do que eu? Alguém mais feliz que eu? Alguém mais infeliz que eu? Alguém melho...
26/10/2017

Espelho meu, espelho meu …

Alguém mais bela do que eu? Alguém mais feliz que eu? Alguém mais infeliz que eu? Alguém melhor que eu? Provavelmente sim, provavelmente não, mas sinceramente não é isto que me preocupa, o que me preocupa é a comparação. Dei por mim a pensar nisto quando olhava para o quadro do ginásio onde estão expostos os pesos que cada um consegue carregar, dei por mim a olhar para os outros, dei por mim a comparar e daí até o meu pensamento viajar até às vidas dos meus pacientes e ao que vou aprendendo com eles e comigo foram alguns instantes. De facto a comparação aparece em quase todo o lado e pode ter efeitos nocivos dos quais raramente nos apercebemos. É que a comparação é muitas vezes inimiga da compreensão. Quando oiço alguns pais dizerem aos filhos que a dor deles e que o sofrimento deles ou o cansaço deles não é nada porque eles passaram por bem pior e tiveram dores bem piores, o único som que oiço do outro lado é o do vazio de quem não é entendido ou sequer ouvido. Custa-me que cada um de nós se sinta muitas vezes a medida de todas as coisas, “se a mim não me doeu a ti também não te dói”, “se eu consigo tu também consegues”, “ se eu trabalhei a vida toda de sol a sol e estou aqui, tu não te podes queixar de estar cansado” , se eu isto e se eu aquilo, tu também isto e aquilo e f**a assim esquecido algo muito simples que é a diferença. Somos todos diferentes e não podemos medir a nossa dor em comparação com a dor dos outros. Cada dor deve ser valorizada seja lá porque motivo for, e mais do que valorizada, deve ser escutada, aceite e abraçada. Ter compaixão, empatizar ou só mesmo ouvir f**a a faltar quando nos consideramos o exemplar mais sofrido e sacrif**ado do mundo. É bom olhar à volta, é importante por vezes comparar, só que não sirva essa comparação para minimizar quem sofre, mas sim para valorizar aquilo que nós não sofremos. Não é fácil este exercício, mas é possível e é acima de tudo uma forma de olharmos mais para nós e aceitarmos mais o outro.
Talvez seja importante compararmo-nos com nós próprios, e isso é algo que podemos fazer devagar e olhando para o mais simples, “Ontem sentia-me cansada e hoje estou menos cansada”, “O ano passado estava mais triste e este ano estou mais feliz”, ou ao contrário “ A semana passada estava calma e serena e esta semana pareço um vulcão prestes a entrar em erupção”, o que é que aconteceu? O que é que mudamos? O que é que conquistamos, o que é que superamos, do que é que desistimos e pelo que é que lutamos? É connosco, é uma competição com nós mesmos, ou melhor, é um crescimento, um conhecimento e um reconhecimento, é olhar para dentro em vez de olhar para fora à procura do melhor e do pior, é olhar para o espelho, esquecer as bruxas da Disney e mudar a frase. Vamos deixar o espelho meu espelho meu alguém mais bela do que eu e vamos inovar dizendo “ Espelho meu, espelho meu deixa-me ver como sou eu”. Depois disto não podemos f**ar à espera que o espelho nos responda e que tudo se resolva por magia, depois temos que olhar para nós, temos que olhar para dentro e aí certamente encontraremos mais do que vemos nos espelhos, nos olhares dos outros e nas vozes do mundo.

Leva o Corpo …Um dia ouvi dizer de alguém muito especial a seguinte frase “Leva o corpo que o espírito vai lá ter”, já f...
10/08/2017

Leva o Corpo …

Um dia ouvi dizer de alguém muito especial a seguinte frase “Leva o corpo que o espírito vai lá ter”, já foi há alguns anos, mas por algum motivo não se apagou da minha memória. Para alguns pode soar a mais uma “treta” motivacional, mais uma dica das “dez dicas para atingir a felicidade em vinte dias”, mas para outros e para quem quer dar outro sentido e entendimento a estas palavras peço o favor de me acompanharem neste breve pensamento.
De facto quando ouvi isto pensei na minha divinal preguiça que em dias menos bons me acompanha, pensei no meu “já vai”, “já vou”, “amanhã trato disso”, depois pensei em como é verdade e em como tantas vezes vou contrariada a um convívio ou ao ginásio e depois me sabe tão bem e agradeço ter sido mais forte que aquela voz que me puxava contra o sofá. No entanto, estas coisas que pensei foram as coisas simples, depois vieram as outras, como por exemplo, porque é que estes lemas não funcionam sempre, porque é que por vezes não há nada nem ninguém que nos faça mexer um dedo que seja, porque é que toda a força que nos dão parece não fazer nada, porque é que há alturas em que mesmo que o corpo vá não há espirito que o acompanhe. É que às vezes não há espirito que resista, às vezes parece mesmo que esse tal espirito ou alma, ou seja lá o que for, abandona o corpo ou, mesmo que não abandone, é como um parasita que mora lá mas não faz nada, não arruma a casa, não faz a cama e vive enfiado e escondido numa bola de cotão para ver se ninguém o vê nem o chateia. Estes espíritos moram na solidão de quem está deprimido, habitam corpos que vivem como se não vivessem e só desejam que o tempo passe. Por mais vozes de fora que apareçam, por mais lemas que surjam é muito difícil que alguém que esteja de facto triste e desesperado os consiga agarrar. Torna-se insuportável viver sem estar vivo e é preciso deixar que as vozes e os lemas dos outros se tornem nossos, é preciso a vontade vir de dentro, é preciso que a dica da felicidade seja inventada por nós, é preciso que no nosso silêncio tentemos ouvir a nossa voz. Não é à primeira nem à segunda e às vezes nem à terceira nem à quarta, é preciso tempo e ajuda, não para nos dizerem o que fazer, mas talvez para nos acompanharem no silêncio e esperarem connosco enquanto o espírito está calado e não consegue dizer ou fazer seja o que for. Ser ajudado e deixar ser ajudado quando o corpo e o espirito andam embrulhados numa amalgama de desanimo e apatia é a única dica que deve de facto seguir e a única força que o ajudará a sobreviver. Não se deve esquecer no entanto que uma ajuda é uma ajuda, ninguém leva o seu espírito por si, bem que o podem levar ao colo e carregar o seu corpo, mas o seu espirito é consigo, é seu, pode ser ajudado, animado, abanado, sacudido ou mesmo apertado, mas nunca será responsabilidade total de quem o ajuda. É uma espécie de guarda partilhada, são dois a tomar conta do espírito, e depois, no final, quando já tiver criado os seus próprios lemas e as suas próprias dicas o espirito é todo seu e deverá ser gozado em pleno. Nessa altura talvez possa partilhar a sua história, contar-nos os seus lemas e dicas e ser como toda a gente “chata” que anda à sua volta a tentar puxá-lo para cima e a dizer-lhe devias ir, devias fazer, devias acontecer. Mas uma coisa de cada vez, um dia de cada vez, ou, como também alguém um dia me disse “vamos devagar que tenho pressa”.

O que faz falta é animar a malta Hoje escrevo para os fortes, escrevo especialmente para aqueles que se aguentam sem lág...
26/06/2017

O que faz falta é animar a malta

Hoje escrevo para os fortes, escrevo especialmente para aqueles que se aguentam sem lágrimas nos olhos, aqueles que se aguentam e que ainda aguentam toda a gente com um sorriso nos lábios e uma gargalhada que desenterram de um fundo de gargalhadas armazenadas para serem soltas em momentos de necessidade de auxilio ao drama alheio. Aos fortes, que chamo de salva vidas ou animadores de festas, dedico toda a minha atenção e cuidado neste pensamento que delicadamente vos quero transmitir. E dedico toda a minha atenção até porque ninguém dedica, porque os fortes não precisam de ninguém, não precisam de ajuda, não precisam de colo nem de mimo, eles “estão bem”, eles “lá se aguentam”, se não choram é porque não estão assim tão mal, se chorassem íamos lá a correr perguntar o que se passava e dar uma mão, um abraço ou um lenço…não chorando não precisamos de fazer nada, aliás, os fortes até se riem…
Certamente entendem a ironia das minha palavras que não quer, de todo, valorizar uns e desprezar outros, mas quer apenas alertar para aquilo que escapa ao nosso olhar e por vezes à nossa empatia e compaixão. Rapidamente corremos para quem chora e esquecemos as dores de quem não o faz, os ditos fortes. Os fortes acabam por f**ar sozinhos, quase ninguém chega a perceber que entristecem tanto ou mais que todos os outros, quase ninguém chega a perceber que também querem e precisam de colo, quase ninguém chega a perceber que, ao contrário do que demonstram, os fortes não estão assim tão bem.
Os fortes defendem-se, para eles mostrar vulnerabilidade é mais difícil do que mostrar força, é mais fácil ajudar os outros do que pedir ajuda, é mais fácil viver num mundo em que todos precisam dele do que precisar de alguém e correr o risco de não ter. Ser forte pode ser muito solitário e é certamente muito duro e exigente, é remar sozinho, é aguentar o barco, é carregar a própria cruz e a dos demais, é poupar ou outros gastando pedaços valiosos de nós.
E porque é que fazem isto? Porque é que se preocupam tanto com os outros, porque é que são tão “altruístas”, porque é que carregam o mundo às costas?
Às vezes porque sentem que face ao caos em que vivem não têm alternativa, às vezes porque não aguentam a possibilidade de não serem gostados de outra forma, às vezes porque sentem que não têm direito de se queixar porque “têm tudo”, às vezes porque é a única forma de sobrevivência face à ausência de colos e afetos.
Seja qual for o motivo, e há muitos mais, se é uma dessas pessoas fortes que por acaso hoje me lê, deixo-lhe um pensamento em forma de colo pedindo-lhe que se dê ao “luxo” de chorar de vez em quando e que peça ajuda antes de rebentar, sim, porque os fortes rebentam, às vezes para fora e muitas vezes para dentro.
Dizem que o que faz falta é animar a malta e lá isso é bem verdade, mas deixe que de vez em quando seja a malta a animá-lo a si.

Os Ses que moram em nós “Se eu tivesse estado lá”, “Se eu tivesse dito”, “Se eu tivesse feito!, “Se eu não tivesse feito...
01/06/2017

Os Ses que moram em nós

“Se eu tivesse estado lá”, “Se eu tivesse dito”, “Se eu tivesse feito!, “Se eu não tivesse feito”…Muitos são os ses que habitam o nosso pensamento e muitos são os ses que nos enlouquecem. Os “ses” sobre o que já aconteceu e sobre os quais já não há nada a fazer são os mais angustiantes, culpabilizantes e destruidores, no entanto é preciso dize-los, é preciso falar sobre eles, é preciso chorá-los, gritá-los e, por fim, pensá-los e guardá-los no sítio das coisas aceites e arrumadas em paz (porque arrumar em guerra e raiva não é arrumar, é encafuar e desorganizar).
Se um se vive connosco e não nos abandona é porque não deve f**ar calado. Bem sei que há muito que não dizemos por medo, temos medo que a partir do momento em que as palavras saiam tudo se torne mais pesado e real. O problema é que quando o medo se casa com o se e vivem ali os dois dentro de nós, o resultado é bem pior do que o peso que julgamos que as palavras terão ao serem ditas. Os ses e o medo paralisam-nos e privam-nos de viver os ses do futuro, “se eu fizer”, “ se eu for”, “ se eu disser”…Ficamos privados de sonhar, de projetar e de viver. Viver torna-se um desafio, e passar os dias torna-se uma batalha porque o tempo f**a lento, quase parado. Viver deixa de se chamar viver, muda de nome, passa a chamar-se sobreviver e aproveitar o dia traduz-se em desejar que ele passe para que pare de doer.
Por isto, e por muito mais, largar os ses do passado para poder criar ses de futuro é um passo necessário, importante e urgente se queremos viver, mas viver mesmo, não é “ir andando”, é viver com vontade, com vida e com aquilo a que gosto de chamar gana.
Vale a pena viver a sério, ou até mesmo a brincar, o que não vale é fingir que se vive, isso é batota e ainda por cima é uma batota que não facilita porque não andamos mais para a frente com ela nem ganhamos jogo nenhum, pelo contrário, f**amos presos ao passado e perdemos o que o presente e o futuro tem para nos oferecer. Às vezes nem são grandes ofertas, verdade seja dita, mas pelo que tenho visto, conhecido, pensado e aprendido, a felicidade não é feita de grandezas, mas sim de pequenos mimos, sorrisos, abraços, afetos…A felicidade não é feita de nada de especial, é simples, e ainda bem, assim sabemos que alcançá-la é possível. Não está à distância de um click (como quase tudo nos dias de hoje), mas está à distância do desejo, da vontade e, com sorte, da boa vontade do pequeno mundo que nos rodeia.

Também sou um bocadinho Psicóloga Muitas vezes me perguntam se enquanto psicóloga acredito que a psicologia funciona mes...
18/05/2017

Também sou um bocadinho Psicóloga

Muitas vezes me perguntam se enquanto psicóloga acredito que a psicologia funciona mesmo, como quem diz “conta-nos lá a verdade agora que estás por dentro”, “ diz lá se isso da conversa serve mesmo para alguma coisa”. Eu respondo e não me choco com esta descrença mascarada de curiosidade.
Na verdade a psicologia faz parte de um conjunto de terapias que todos julgamos ser conhecedores e sabedores, portanto é mais fácil questioná-la e contrariá-la. Todos nós nos consideramos “um bocadinho psicólogos” porque todos somos pessoas e todos nós sabemos o que é sofrer, o que é chorar, o que é rir e estar alegre, todos nós ouvimos histórias da vida dos outros e de um modo ou de outro sempre ajudamos com um conselho ou um abraço. Eu às vezes também sou um bocadinho de outras coisas, sou nutricionista formada através do google e fotógrafa profissional formada no instagram. Não me choca que assim seja, não me choca que sejamos todos um bocadinho de tudo e entendamos todos um bocadinho de tudo. Agora uma coisa é perceber um bocadinho, outra coisa é mergulhar na psicologia, na fotografia ou na nutrição e entender os seus meandros, as suas teorias, especialidades e especificidades. Uma coisa é perceber um bocadinho e ter boas intenções em ajudar um amigo e ouvir um amigo, outra coisa é perceber qual é o limite do nosso entendimento e o momento de chamar um fotógrafo para o nosso casamento ou o psicólogo para o nosso amigo para quem as nossas palavras já não chegam.
Mas depois entra a tal questão, ir ao psicólogo para quê? E será que funciona?
Respondo-vos com a maior sinceridade de quem também fez o seu processo terapêutico - sim, porque nós psicólogos, ou a maior parte de nós, também faz a sua terapia – funciona. Funciona sem a velocidade que desejamos e sem o alivio imediato que procuramos, funciona, aos poucos e devagar, mas funciona. Houve momentos em que durante o meu processo terapêutico, também eu, enquanto psicóloga e pessoa me questionei, duvidei e desacreditei, porque também eu sou impaciente e também eu estava ansiosa por resultados, depois entendi, aceitei a viagem, aproveitei e digo hoje como psicóloga e como paciente que a psicologia funciona e é o melhor processo que conheço para quem quer ser feliz – atenção que também há quem não queira.
É preciso, entre outras muitas coisas, fé. É preciso acreditar, é preciso mergulhar no processo, ir fundo. Não vale a pena dar uns toques, não vale a pena “fui lá uma vez e não me fez nada”, não será uma vez, não será em duas semanas nem num mês, será um processo e como todos os processos levará tempo e requererá paciência, tolerância à frustração, dois passos para trás e um para a frente de vez em quando. Não se faz com uma perna às costas, faz-se com o coração nas mãos, mas não é só nas nossas, é nas nossas e nas do outro (do psicólogo).
Se perder a fé e a força no caminho o coração não vai cair, somos dois a segurar, portanto entregue-se e confie, é só isso que é preciso para que tudo funcione, para que a vida funcione e funcione bem, porque só funcionar para mim não chega.

A Baleia Azul e o Papagaio Loiro de Bico Calado Apela-se agora à atenção, vigilância, híper vigilância, cuidado, cuidado...
09/05/2017

A Baleia Azul e o Papagaio Loiro de Bico Calado

Apela-se agora à atenção, vigilância, híper vigilância, cuidado, cuidado redobrado face à baleia azul. Alertam-se os pais, os educadores e o mundo inteiro para algo que sempre existiu, o sofrimento, a solidão e o desamparo na adolescência. Fala-se do suicídio e, pior, divulga-se o suicídio sem entender os perigos de o fazer de forma sensacionalista e crua.
Perante tal e perante os alertas com que me deparo nas redes sociais e na comunicação social, questiono-me sobre este apelar AGORA e SÓ AGORA, como se antes da baleia não existisse já todo este sofrimento? Pergunto-me porque não apelamos sempre a todos os cuidados?
O meu pensamento, que poderá também ser um apelo, é que o olhar e o cuidar sejam constantes, continuados e repletos de afeto. É importante olharmos para os adolescentes para além deste momento e para além do que se vê, que são os resultados escolares e o dito bom comportamento. Um adolescente que “não dá trabalho” e que se entretém sozinho porque se fecha no quarto e não chateia ninguém, não será sempre sinónimo de bem-estar e felicidade. Não descansemos sob “Excelentes”, “Cincos” e pouco barulho e não ignoremos também insucesso, mas acima de tudo não esqueçamos que há barulho lá dentro, há turbulência, há uma viagem difícil a fazer especialmente quando a sensação é de que ninguém nota e ninguém vê o que se passa cá dentro. Não esperemos por gritos, lágrimas e disparates, não esperemos por baleias e alertas de autoridades, não esperemos para olhar, estar perto, ouvir, conhecer e conversar para além da disciplina, das obrigações e das atividades que sufocam os horários.
Vamos olhar para além da baleia e conhecer o papagaio loiro de bico calado que temos em casa, vamos ouvir o que ele não diz e ver o que ele não mostra. Não é fácil mas é certamente o full time job que melhor compensação lhe pode trazer.

Endereço

Rua Aristides De Sousa Mendes 4 A
Setúbal
2900-245

Horário de Funcionamento

Segunda-feira 09:00 - 20:00
Terça-feira 09:00 - 20:00
Quarta-feira 09:00 - 20:00
Quinta-feira 09:00 - 20:00
Sexta-feira 09:00 - 20:00
Sábado 09:00 - 13:00

Telefone

+351926975483

Website

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Susana Robin - Psicóloga publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Susana Robin - Psicóloga:

Compartilhar

Categoria