19/09/2021
O Alento de Setembro
Finalmente chegou Setembro, não é Janeiro atenção, mas é parecido. Em Setembro tudo reabre, as benditas escolas, o café do costume que estava de férias, os restaurantes, tudo o que estava a meio gás está agora a postos para uma nova época. Começamos, ou melhor, recomeçamos e há um alento, uma espécie de boost de energia que se apodera de nós, de repente 1 de Setembro parece 1 de Janeiro e então vamos lá fazer listas de objetivos, vamos mudar, vamos ser disciplinados, ter rotinas, começar o ginásio, meditação diária, yoga, terapia…vamos com tudo até que o boost de energia começa a perder a “força” e a diluir-se no cansaço do esforço que colocamos em querer fazer tudo. Aqui começamos a curva descendente, se calhar somos preguiçosos, se calhar estamos a falhar, não somos capazes de cumprir uma “simples” lista de objetivos. O sentimento é parecido com aquele que costuma chegar no fim de Janeiro, mas com a agravante de estarmos muito longe do próximo Verão e muito próximos do Inverno.
Por estas razões e por outras razões as nossas recomendações para este recomeço assentam apenas em três pilares: flexibilidade, compreensão e empatia.
Flexibilidade – Objetivos sim, rigidez no seu tempo e espaço de concretização não. Estabeleça ou reestabeleça objetivos, mas privilegie objetivos que sejam concretizáveis especialmente a curto ou médio prazo. Estabelecer objetivos desajustados à nossa realidade trazem apenas frustração, angustia e uma sensação de fracasso que boicotam a sua concretização.
Compreensão – Mudar sim, mas não porque Setembro nos empurra para a mudança. Antes de mudar procure conhecer-se, entender porque é que precisa de mudar, porque é que pensa o que pensa e sente o que sente. Conheça o seu sofrimento, entenda porque é que ele está presente antes de o tentar remover com listas de objetivos e tarefas.
Empatia – Com os outros, mas acima de tudo consigo mesmo. Permitir-se falhar e não chegar a todo o lado, permitir-se integrar a falha porque ela também faz parte e porque às vezes só precisamos de fazer o possível e o possível é suficiente. Poder dizer a si próprio que “não faz mal” não signif**a desresponsabilizar-se, mas sim ter compaixão consigo, ser o seu próprio colo.
Estes três pilares idealmente andariam sempre de mãos dadas, mas nem sempre é possível concretizar o ideal e não faz mal. Acima de tudo o mais importante é poder por vezes parar, olhar para dentro e ouvir-se, será que fazer tudo faz sentido? Será que o esforço é compensatório? Será que aqui e agora me sinto bem? Oiça as suas respostas e reposicione-se, reconstrua, redefina, ou mantenha tudo igual se fizer sentido, seja qual for o caminho vai sempre a tempo, porque afinal Setembro é quando o Homem quiser.
Um bom Setembro ou então boas entradas!
Por Susana Robin