15/02/2026
𝘾𝙖𝙧𝙣𝙖𝙫𝙖𝙡: 𝙧𝙞𝙩𝙤 𝙙𝙚 𝙥𝙖𝙨𝙨𝙖𝙜𝙚𝙢, 𝙚𝙨𝙥𝙚𝙡𝙝𝙤 𝙨𝙤𝙘𝙞𝙖𝙡 𝙚 𝙏𝙖𝙧𝙤𝙩 𝙚𝙢 𝙢𝙤𝙫𝙞𝙢𝙚𝙣𝙩𝙤
Na antropologia, o Carnaval é entendido como um rito de inversão, um tempo extraordinário em que as normas se suspendem, as hierarquias caem e o mundo se permite virar do avesso. Victor Turner chamou-lhe liminaridade, um espaço entre o que era e o que será. Nem ordem, nem caos total. Um intervalo simbólico. No Tarot, este tempo é aberto por O Louco, a travessia sem mapa, a liberdade provisória, o passo dado fora da linha.
A psicologia social explica a máscara como mecanismo de autorização, quando o rosto se oculta, o comportamento liberta-se. Aqui entra O Mago, o criador de personagens, o jogo de identidades, o “eu” que experimenta outros “eus”.
Mas nenhum ritual de inversão vive sem o corpo.
O Carnaval convoca O Diabo, o excesso, o desejo, a pulsão, aquilo que durante o ano é contido para que a sociedade funcione. Não como mal, mas como energia bruta que precisa de ser reconhecida.
Durante estes dias, O Imperador é simbolicamente destituído, a autoridade é ridicularizada, o poder é caricaturado, as hierarquias dissolvem-se. Não para destruir a ordem, mas para a renovar.
E todo o rito precisa de um regresso. É aqui que surgem A Justiça e O Julgamento,
o despertar após a festa, a integração da experiência, o retorno à responsabilidade com nova consciência. O Carnaval não é fuga nem descontrolo. É um ritual social de equilíbrio. Uma forma simbólica de permitir ao ser humano tocar o caos… para poder voltar à ordem sem se partir.
Porque, no fundo, toda a sociedade precisa de momentos em que o inconsciente colectivo pode dançar, antes de voltar a caminhar.
Feliz Carnaval 🎭