31/03/2021
31 DE MARÇO É O DIA NACIONAL DO DOENTE COM AVC, consagrado em Diário da República em 2003. Se fosse hoje, teríamos preferido fosse o “dia do sobrevivente”. Porque, apesar de poder deixar sequelas para toda a vida, não nos queremos considerar como eternamente “doentes de AVC”; preferimos o termo “sobreviventes”, com a carga positiva, de superação, que a palavra contém. Mas, fosse esta (a terminologia) a nossa preocupação!
Novamente este ano, assinalamos a data de uma forma especial. Ainda não podemos encontrar-nos, ou ter eventos públicos, senão pelo uso das ferramentas informáticas, e mesmo alguma imaginação, mas que ainda deixam muitas pessoas de fora... Mas antes fosse esta a maior das preocupações!
A preocupação com a falta de acompanhamento, antes de mais em consultas de seguimento pós-AVC, de muitos sobreviventes. Essas consultas podem ter significativa importância, quer na prevenção de novos episódios, quer no evitar de novas complicações de saúde, quer no devido enquadramento dos cuidados de reabilitação.
A preocupação porque o retomar dos tratamentos de reabilitação (fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, entre outras) ainda não acontece para a maioria dos sobreviventes que os tinham… O que, em muitos casos, pode significar uma maior degradação da funcionalidade e da qualidade de vida.
A preocupação com o ainda maior isolamento a que estão expostos os sobreviventes de AVC. Podem-se criar ou agravar complicações, antes de mais do foro psicológico.
A preocupação com o ainda menor recurso ao 112, consequentemente à “Via Verde do AVC”, quando ocorre. Tem um enorme impacto na recuperação possível da funcionalidade e na diminuição da mortalidade. Seria bom que todos os portugueses soubessem que, quando há algum sinal de AVC, inclusive no período de exceção que vivemos, devem de imediato ligar o 112! Rápido! O Acidente Vascular Cerebral, é a principal causa de morte, mas também o primeiro motivo de incapacidade em Portugal, atingindo todas as idades.
A qualidade da vida pós-AVC, também é uma preocupação de sempre. A começar pela continuidade e qualidade da reabilitação, que podem e devem ser encaradas não como um mero custo, mas como um investimento com retorno, antes de mais para o próprio Estado. Quantas vezes, é bastante para marcar a diferença entre ter um cidadão e contribuinte ativo, ou mais um peso para a Segurança Social, com complicações de saúde crescentes, encargos acrescidos, e diminuição da qualidade da vida…
Neste dia, aos sobreviventes de AVC e cuidadores, autênticos guerreiros na sua luta pessoal e coletiva, uma saudação muito especial!