11/12/2025
Há encontros que não pertencem ao acaso, mas à arquitetura secreta do desejo. Porque não amamos o outro pelo que ele é em si, e sim pelo modo como, ao surgir, faz ressoar em nós tudo aquilo que estava disperso: de um lado, o gozo; do outro, os signif**antes do Outro.
Quando ambos aparecem na mesma pessoa — a potência erótica que sacode o corpo e as identif**ações simbólicas que despertam nossa história inconsciente — chamamos isso de amor.
Não o amor ingênuo,
nem o amor romântico que vendem por aí,
mas esse amor que nos desarma porque revela que o desejo tem memória.
O gozo chega como um relâmpago:
é o tremor, o impacto, aquilo que escapa ao controle.
É a parte do encontro que beira a perda temporária do “eu”.
Os signif**antes, ao contrário, são sutis:
um modo de falar,
um gesto quase familiar,
um olhar que toca uma ferida antiga ou uma falta que pensávamos ter enterrado.
São marcas que o inconsciente reconhece antes de nós.
E quando essas duas forças se encontram —
quando o corpo se incendeia e a história responde —
o sujeito sente que encontrou mais do que um parceiro:
encontrou um espelho onde se refletem tanto o seu desejo quanto sua falta.
Por isso o amor não é apenas escolha,
é também revelação.
Atrai-nos aquilo que nos falta,
une-nos aquilo que nos constitui,
comove-nos aquilo que revela quem somos no mais íntimo.
Chamamos de amor o instante em que o Outro deixa de ser um estranho
e se transforma em um signif**ante vivo da nossa própria verdade.
Hipnoterapeuta Silvia Guerreiro