03/11/2019
Pensando ainda sobre o dia de todos os santos/"o dia dos finados" da europa judaico-cristã ou "el día de los mu***os" do México ou o "Halloween" da América do Norte... Creio que o mais fascinante não é ver as diferenças culturais ou reagir às apropriações de tradições de outras culturas na nossa. Creio que o mais fascinante é haver um dia, todos os anos, em que de uma forma colectiva, consciente ou inconscientemente, pensamos na morte. Podemo-nos rir dela, podemos angustiarmo-nos com ela. Até podemos zangarmo-nos com o facto de um dia deixarmos de existir (pelo menos neste corpo, tempo e espaço). Mas a verdade é que a única certeza que temos na vida é que um dia vamos morrer. Aceitar esta verdade é extremamente libertador.
Nos últimos tempos tenho procurado "dançar com a morte" no meu coração. A minha morte não me angustia. A morte dos que amo já me dá mais trabalho neste trilho de aceitação... Não se ultrapassa a morte de alguém que amamos. Aprendemos a viver com a morte de alguém que amamos.
Da minha experiência é um processo que requer tempo para nós, tempo para a nossa "tribo" e muita auto-compaixão. Embora seja um processo interior, por vezes doloroso, é altamente criativo.
Que recordações quero guardar desta pessoa? Que gestos ou acções de quem faleceu vou repetir e que me fazem sentir vivo? Que lugares quero visitar, que músicas quero escutar, que comidas quero comer, que novos rituais quero criar e que me fazem sentir ligado a esta pessoa? O que lamento não ter feito ou não ter dito? O que quero agradecer por a ter conhecido? A quem quero agradecer pelo bem que fez a esta pessoa? Que lições aprendi com ela? E também ousar pensar noutras direcções: O que não quero recordar desta pessoa? De que expectativas dela sobre mim me quero libertar? O que ainda tenho que perdoar? Que caminhos diferentes quero trilhar?
Dançar com a morte é um processo fascinante!
Chamem-lhe o que quiserem. Ainda bem que há o dia de todos os santos, día de los mu***os ou halloween.