12/08/2020
A empatia (capacidade para nos colocarmos no lugar do outro, nomeadamente compreender o que ele sente) é uma das “ferramentas” fundamentais de qualquer psicólogo. Acredito que a melhor forma de a demonstrarmos a quem nos pede ajuda não é com o que vem escrito em livros, mas sim com a nossa própria experiência.
Por esta razão, quero-vos falar do medo na primeira pessoa. É aquela emoção “chata” que se por um lado nos ajuda a sobreviver, por outro condiciona e bloqueia as nossas ações. As minhas primeiras memórias de medo começam aos 4 anos, fruto de uma queda do topo de um escorrega, de um fémur fraturado (péssimas habilidades de “paraquedista”) e de semanas de internamento hospitalar. Uma experiência traumática para uma criança que desencadeou vários temores desproporcionais, fobias e uma miúda/graúda bastante ansiosa perante algumas situações. Quando vivemos experiências negativas, associamos o perigo a um ou vários estímulos e quando voltamos a estar perante esses mesmos estímulos, o “alarme” dispara na nossa cabeça e fugimos ou congelamos. Sim, porque enfrentar a situação torna-se muito difícil, mesmo que o “perigo” seja apenas um erro de interpretação. Recordo-me de estar na escola e de sentir o coração a disparar e as pernas a tremer só de olhar para aquele escorrega. O que para a maioria era uma diversão, para mim era um “monstro”. Os pensamentos que surgiam imediatamente, com 99,9% de certeza, eram “Vou cair”, “Vou-me magoar”, “Não sou capaz”. F**ava paralisada no primeiro degrau e muito triste por não conseguir algo que parecia tão simples para os outros.
Mas recordo-me igualmente do momento em que me “reconciliei” com o escorrega (aos 7 ou 8 anos) e da imensa excitação e alegria sentidas pela superação. Está comprovado que a melhor forma de perdermos o medo, é expondo-nos a ele, mesmo que seja um processo demorado.
Falo desta experiência, mas podia relatar muitas outras. E não pensem que me tornei imune por ser psicóloga. Nada disso! Todos temos “escorregas” na nossa vida, uns com meio metro de altura, outros que parecem o Monte Everest. Não devemos julgar e/ou desvalorizar os medos dos outros. Devemos sim tentar compreendê-los.
Não tenhas vergonha de falar sobre o que te preocupa.Reconhece e enfrenta os teus medos. Fala sobre isso com os teus familiares, amigos, professores ou procura ajuda psicológica. Não fujas do que sentes.
🔸️Psicóloga Liliana Pedro/ C.P. n° 023547
lilianapedro.psicologaclinica@gmail.com