22/02/2026
Um dos padrões mais exaustivos nos relacionamentos é a dinâmica entre o apego ansioso e o evitativo. Duas pessoas que se amam, mas que parecem falar idiomas emocionais completamente diferentes.
O ansioso expressa amor através da proximidade. Ele precisa de presença, de palavras, de sinais constantes de que a relação está segura. Quando não recebe isso, a ansiedade aumenta — e com ela, a busca por reasseguração se intensif**a.
O evitativo expressa amor de outra forma. Ele precisa de autonomia para se sentir seguro dentro da relação. Quando percebe que o outro está se aproximando com muita intensidade, algo nele se ativa e o impulso é recuar, criar distância.
O que torna essa relação desafiadora é que cada um, sem perceber, alimenta o maior medo do outro. Quando o ansioso se aproxima demais, o evitativo sente-se sufocado e se afasta. Quando o evitativo recua, o ansioso interpreta como rejeição e intensif**a suas tentativas de conexão. E os dois passam a reagir não ao que o parceiro realmente sente, mas ao que interpretam a partir dos próprios medos.
Esse ciclo se repete porque ambos acreditam que estão se protegendo. O ansioso acredita que, se insistir o suficiente, vai conseguir a conexão que precisa. O evitativo acredita que, se mantiver distância, vai preservar o relacionamento. Nenhum dos dois percebe que a estratégia de proteção que escolheu é justamente o que está deteriorando a relação.
Na maioria das vezes, essas estratégias não foram escolhidas conscientemente. São padrões aprendidos na infância, respostas automáticas que um dia fizeram sentido — mas que agora geram mais sofrimento do que segurança.
O primeiro passo para sair desse ciclo é reconhecê-lo. Entender que o parceiro não é uma ameaça, mas alguém que também está tentando lidar com suas próprias inseguranças da única forma que aprendeu. O ansioso não quer sufocar — quer ter certeza de que é amado. O evitativo não quer abandonar — quer encontrar uma forma de amar que não o consuma.
Quando os dois conseguem enxergar o medo por trás do comportamento do outro, o ciclo começa a perder força. E no lugar da reatividade, surge espaço para algo diferente: uma relação construída com consciência.