03/05/2026
Leva a mão ao peito.
Sente.
Há uma pulsação ali que não começou contigo.
Vem de antes. Vem de longe.
Vem da tua mãe — e da mãe dela, e da mãe antes dela.
Uma corrente silenciosa que atravessou gerações para chegar a ti.
Hoje é Dia da Mãe.
E talvez para ti seja um dia simples, de abraço fácil e mesa cheia.
Mas para muitos não é.
Para muitos, este dia mexe em camadas que costumam f**ar arrumadas.
Mexe na mãe que partiu cedo de mais.
Na mãe que ficou, mas nunca conseguiu chegar.
Na mãe ausente, na mãe ferida, na mãe que fez o que pôde com o que tinha.
Na mãe que amámos e com quem também nos zangámos.
Na mãe que ainda hoje custa olhar de frente.
E há quem carregue, em silêncio, uma falta antiga que nunca teve espaço para ser chorada.
Mas há uma coisa que nenhuma história, por mais dura, consegue apagar:
ela deu-te a vida.
E essa vida ainda pulsa, agora, nas tuas veias.
Independentemente do que veio depois — do que faltou, do que doeu, do que ficou por dizer — foi por ela que chegaste cá.
E só por isso, já é muito.
Aceitar uma mãe não é concordar com tudo o que foi.
Não é fingir que não houve dor.
É só parar de exigir que a história tivesse sido outra.
E quando finalmente abandonas essa luta, acontece uma coisa rara:
ganhas espaço.
Espaço para seres tu, inteiro.
Espaço para deixares passar a vida que vem dela, através de ti, para os que vêm a seguir.
Porque é isso que somos — elos.
Cada um no seu lugar. Cada um com o seu peso. Cada um com o seu valor.
Todos ligados pela mesma pulsação antiga.
Hoje, leva a mão ao peito.
E, onde quer que ela esteja, diz-lhe baixinho:
Querida mãe, agradeço a vida que chegou a mim vinda de ti.
E eu recebo a vida com amor ❤️
Hoje, fico em paz com a nossa história.
Eu tenho um lugar especial para ti no meu coração 💓 ✨🙏
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