05/04/2022
𝗥𝗜𝗡𝗜𝗧𝗘 𝗔𝗟𝗘́𝗥𝗚𝗜𝗖𝗔
A primavera chegou e, com ela, uma indesejada visita: 𝗿𝗶𝗻𝗶𝘁𝗲 𝗮𝗹𝗲́𝗿𝗴𝗶𝗰𝗮, uma resposta do sistema imunitário, de cariz inflamatório, desencadeada pela exposição a um, ou mais, aeroalergénios (alergénios presentes no ar), como:
- pólens: principalmente das gramíneas, árvores e ervas;
- ácaros e bolores;
- animais: mais comummente, as glândulas salivares dos gatos e cães (e nestes últimos, inclui-se ainda a descamação da pele e a sua urina).
O fator genético também não se encontra isento de culpa, dado existir evidência científica que constata que o risco de atopia na criança duplica se um dos seus progenitores for atópico e quadruplica, se forem ambos.
A infância corresponde ao período em que a rinite alérgica é, em termos de prevalência, realmente mais elevada e, embora não tenha cura, a sua incidência, tende a diminuir, gradualmente, com o decorrer dos anos, atingindo valores mais diminutos na 3ª idade.
Com crescente prevalência, a rinite alérgica pode ser classificada quanto à sua periodicidade, em 𝐬𝐚𝐳𝐨𝐧𝐚𝐥 – a que surge essencialmente nas três primeiras estações do ano e em decorrência do pólen das árvores e das ervas – e em 𝐩𝐞𝐫𝐞𝐧𝐚𝐥, a que decorre durante o ano inteiro, sendo os ácaros, os alergénios mais frequentes.
Existe ainda a rinite 𝐧𝐚̃𝐨 𝐚𝐥𝐞́𝐫𝐠𝐢𝐜𝐚 que pode ser de causa infeciosa ou não infeciosa.
O 𝐝𝐢𝐚𝐠𝐧𝐨́𝐬𝐭𝐢𝐜𝐨 da rinite alérgica é, essencialmente, clínico, podendo-se, em alguns casos, solicitar exames complementares de diagnóstico, nomeadamente, te**es cutâneos por picada e/ou doseamento sérico de IgE (análise sanguínea que doseia a quantidade da imunoglobulina E, um dos anticorpos responsáveis pela reação alérgica).
O diagnóstico diferencial, como forma de excluir outras etiologias, deve, também, ser tido em conta.
Os 𝘀𝗶𝗻𝘁𝗼𝗺𝗮𝘀, mais frequentes, manifestados pela pessoa acometida, consistem em:
- prurido nasal (“comichão” no nariz);
- congestão nasal (nariz “entupido”);
espirros;
- rinorreia (“pingo” no nariz).
Não raramente, também ocorre:
- prurido ocular e lacrimejo;
- tosse seca, irritativa.
O 𝐭𝐫𝐚𝐭𝐚𝐦𝐞𝐧𝐭𝐨 visa, essencialmente, o alívio dos sintomas e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida da pessoa afetada.
Ainda que pouca evidência científica convirja para a evicção dos alergénios, o mais sensato será, mesmo assim – e, naturalmente, quando identificados – eliminar ou reduzir ao máximo o contacto com eles.
No âmbito 𝐟𝐚𝐫𝐦𝐚𝐜𝐨𝐥𝐨́𝐠𝐢𝐜𝐨, as opções de tratamento passam por:
- anti-histamínicos orais ou tópicos: o tratamento mais comum que contribui para a diminuição dos espirros, rinorreia, prurido nasal e ocular;
- descongestionantes orais ou tópicos: que como o próprio nome indica, diminuem a obstrução nasal;
- corticoides nasais: eficazes na redução da inflamação, principalmente, em associação com os anti-histamínicos. Os corticoides com ação sistémica, por conta dos seus efeitos adversos, estão apenas indicados em casos mais graves;
- anticolinérgicos: essencialmente direcionados para os casos de rinorreia isolada;
- modificadores de leucotrienos – ainda que mais direcionados para a asma brônquica, o seu uso no âmbito da rinite alérgica, contribui para o alívio das reações inflamatórias agudas e tardias;
- soluções salinas nasais – para alívio instantâneo e momentâneo dos sintomas, especialmente, da congestão e prurido nasal.
- imunoterapia específica (vacinas anti-alérgicas): individualizada para cada utente e essencialmente indicada para quem sofre, recorrentemente, de rinite de forma exacerbada.
Em suma, ainda que a rinite alérgica seja uma das doenças crónicas mais frequentes a nível mundial, continua subdiagnosticada e subtratada.
Compete ao profissional de saúde, em parceria com o utente, alterar esta realidade, através da valorização de toda a sintomatologia e tratamento precoce.
Só dessa forma se poderá controlar a doença e reduzir as comorbilidades que dela advêm.
Relembramos que, mesmo que constate estar diante de uma crise de rinite, não deve automedicar-se sem avaliação e orientação do seu médico.