19/04/2026
Sabem o que são “indirectas”?
Acho que toda a gente conhece a expressão, são formas de comunicar, umas mais irónicas que outras, em que a pessoa tenta transmitir o que sente mas de forma pouco explícita e assertiva. É como se atirasse papéis ao ar à espera que determinada ou determinadas pessoas os apanhem.
Em vez de se falar na primeira pessoa, as pessoas que recorrem a este tipo de comunicação usam a terceira pessoa para falar de alguém mesmo estando no mesmo espaço, à espera que “a carapuça sirva”.
E depois?
O que acontece é que geralmente a outra pessoa sente-se atacada, o assunto faz ressonância com ela, e tenta defender-se.
E depois, adivinhem…quem emitiu a indirecta diz que não estava a falar de ninguém em específico (na verdade não estava) o que causa ainda mais mal estar na pessoa que reagiu.
Com as redes sociais este fenómeno das “indirectas”, “bocas” aumentou ainda mais porque se pode falar de tudo e todos sem a responsabilidade de assumirmos nada.
Na verdade quem fala através de indirectas tem um medo enorme do compromisso, da responsabilidade, é alguém inseguro, com medo, com dificuldade em assumir o que quer para si mesmo; é alguém que não sabe o que quer para a sua vida e anda em fuga permanente a procurar conflito e a falar da vida dos outros.
Quando alguém lhe falar de forma pouco objectiva, não responda. Lembre-se: não é sobre si! A menos que a questão seja dirigida a si de forma objectiva, ignore. Se a pessoa questionar se percebeu, responda: “Não, não percebi, podes explicar-me melhor?!” E depois solicite especificidade.
Quando nos sentimos seguros na nossa pele, não é qualquer crítica (directa ou indirecta) que nos afecta.
Se uma indirecta fez ressonância consigo, mexeu com as suas emoções, faça essa reflexão interior:
“Porque é que isto me incomoda?”
Não é ao outro que tem de fazer essa pergunta, não é o outro que tem lhe lhe dizer o que deve fazer para se sentir melhor, o outro nem consegue falar objectivamente sobre o que pensa quanto mais ajudá-lo a si a ser uma pessoa melhor.
Rodeie-se de verdade e honestidade, mas não se esqueça: comece por si!
▫️Maria Filomena Abreu - psicóloga clinica e hipnoterapeuta