11/01/2026
“Somos opostos…eu gosto de proximidade, mas ele/ela diz que sou sufocante. Mas quando me afasto, vem sempre atrás. Não entendo nada!”
“A nossa relação é de loucos, tanto estamos muito bem como estamos muito mal.”
“Já tentamos terminar tantas vezes, mas a verdade é que acabamos sempre por f**ar juntos, isso deve signif**ar alguma coisa não deve?!
Quantas vezes já ouviram a frase “os opostos atraem-se”?
Esta frase e as acima já as ouvi inúmeras vezes no meu consultório, e não pelos melhores motivos. É que o resultado desta atração é geralmente uma explosão emocional tão grande que quem está neste tipo de relação f**a “embriagado”, e sem saber como sair.
Geralmente nestas situações existem duas pessoas com dois estilos de vinculação (apego) diferentes, “opostos” : de um lado alguém muito ansioso que procura proximidade e, do outro lado, alguém, que pode ser também ansioso, mas que evita o compromisso/ a intimidade a todo o custo.
Só que, adivinhem, como ambos querem uma relação, quando um se afasta muito o outro corre atrás. E andam nisto vezes e vezes sem conta.
Geralmente o evitante foge e o ansioso corre atrás.
Quando o ansioso se cansa (porque o evitante pode estar muito tempo sem contactar, podendo até dar Ghosting), o evitante quando sente que o ansioso não corre atrás dele volta para “picar o ponto”. Se o ansioso continuar lá, o jogo reinicia.
Ambas as pessoas precisam de terapia. De uma forma geral, o ansioso para aprender a colocar e respeitar limites, e o evitante para aprender a confiar nas pessoas.
As relações são funcionais quando são complementares, quando existem aspectos em comum (para que ambos se encontrem) e aspectos diferentes/opostos para que aprendam um com o outro.
Respeito, responsabilidade afectiva e intimidade não são negociáveis, e têm de ser comuns.
Se não há respeito não há amor.
Não podemos dizer que amamos alguém quando vemos o outro apenas como um objecto para amar ou “desamar”, e excluímos a nossa identidade.
Antes de dizerem que amam alguém, questionem-se:
Amam a pessoa que vocês são?
Só seremos capazes de amar quando tivermos amor-próprio.
▫️ Maria Filomena Abreu - psicóloga clinica e hipnoterapeuta