02/02/2026
A inveja é, talvez, o sentimento mais mal amado de todos. Aprendemos cedo a escondê-la, a senti-la com culpa e a batizá-la de "inveja boa" para a tornar suportável. Nos últimos dias, temos sentido muitas coisas que preferiamos não sentir - alguns de nós inclusive falam da culpa de estar numa situação confortável quando tanta gente está sem o básico. Além da culpa, a inveja pode surgir e hoje escolhi falar dela.
Na psicoterapia, não há inveja boa nem má. Olhamos para ela sem julgamento moral.
Quando o sucesso de alguém te causa um aperto no peito, uma irritação inexplicável ou uma vontade de te retirares, isso não diz que és uma má pessoa. Diz-te, sim, onde é que a tua própria vida está a necessitar de atenção.
A inveja não é sobre o outro; é sobre ti. É uma bússola que aponta, com uma precisão dolorosa, para os teus desejos mais reprimidos. Aquilo que te magoa no triunfo alheio é, muitas vezes, a permissão que tu ainda não te deste para brilhares, para arriscares ou para seres humana.
"O que é que isto me revela sobre o que eu realmente quero?" e "Que parte de mim se sente deixada para trás?" são duas questões que nos ajudam a olhar para a inveja com uma perspetiva mais funcional e menos crítica.
O sucesso do outro não tem de retirar espaço ao teu. Por vezes o que acontece é que o mapa do teu próprio desejo está escondido até ser iluminado pelo brilho do outro.
Plea