06/03/2026
Ontem estive completamente mergulhada a ouvir António Lobo Antunes.
Há entrevistas que não se escutam apenas, atravessam-nos, tendo surgido esta ideia de partilhar este vídeo também convosco.
A certa altura A.L.A. diz: “Continuamos a olhar sem ver.”
Esta frase ficou comigo. Talvez porque fala de algo profundamente humano: atravessamos os dias rodeados de pessoas, de histórias, de pequenos detalhes da vida, mas raramente paramos verdadeiramente para os observar. Ver exige presença. Exige tempo. Exige também coragem para nos deixarmos tocar pelo que está à nossa volta.
Depois há outra verdade simples e inevitável:
“Ninguém está preparado para morrer.”
Talvez seja precisamente essa consciência que faz com que as perguntas essenciais continuem a acompanhar-nos ao longo da vida:
Qual é o sentido? Qual é o significado de tudo isto?
São perguntas antigas, quase eternas, mas que continuam a mover-nos, a inquietar-nos e, muitas vezes, a orientar as escolhas que fazemos.
Uma das imagens mais bonitas desta entrevista talvez seja esta:
“Há dois universos: há o universo que está à nossa volta e há o universo que está dentro de nós.”
Vivemos frequentemente muito atentos ao primeiro, mas é no segundo — no que sentimos, pensamos, lembramos e imaginamos — que muitas vezes encontramos quem realmente somos. ✨
Talvez por isso a literatura tenha este poder raro: o de nos conduzir, através das palavras de alguém, até ao lugar mais íntimo dentro de nós.
Por isso, deixo também um agradecimento a António Lobo Antunes: pela capacidade de escrever livros que não se limitam a contar histórias, mas que nos convidam a mergulhar no universo que vive dentro de nós.
Com profunda admiração e gratidão,
Rita
🤍