23/04/2026
Publico contigo oportunidades de reflexão que muitas vezes surgem em consulta: confrontos com partes de nós que nem sempre compreendemos, mas que são necessários no processo de autoconhecimento e consciência pessoal.
Desinquieto-te não para te tirar o sossego, mas para te desafiar a olhar para dentro (se estiveres disposto a fazê-lo).
Deixo-te uma história que pode ajudar a perceber quando o silêncio pode ser a melhor opção. Porque nem tudo o que se pensa deve ser dito… Não é hipocrisia — é respeito, bom senso e responsabilidade.
Conta a história que, na antiga Grécia, Sócrates tinha uma grande reputação de sabedoria. Um dia, alguém foi ao encontro do grande filósofo e disse-lhe:
— Sabes o que acabei de ouvir sobre o teu amigo?
— Espera um pouco — respondeu Sócrates. — Antes de me contares, gostava de te fazer um teste: o dos três filtros.
— Os três filtros?
— Sim — continuou Sócrates. — Antes de contar qualquer coisa sobre os outros, é importante filtrar o que se quer dizer. Eu chamo-lhe o teste dos três filtros. O primeiro é o da verdade. Já verificaste se o que me vais dizer é verdade?
— Não, apenas ouvi falar.
— Muito bem. Então não sabes se é verdade. Passemos ao segundo filtro: o da bondade. O que queres dizer sobre o meu amigo é algo de bom?
— Não, pelo contrário.
— Então — disse Sócrates — queres contar-me coisas negativas sobre ele e nem sequer tens a certeza de que são verdadeiras. Talvez ainda passes no terceiro filtro: o da utilidade. É útil que eu saiba o que me vais dizer?
— Não, na verdade, não.
— Então — concluiu Sócrates — se o que me ias contar não é verdadeiro, nem bom, nem útil, por que razão o queres dizer?