16/04/2021
🌱Educação sexual🧐
Há algumas semanas, ainda com aulas à distância, uma mãe ligou-me desesperada porque ao consultar o histórico do computador do filho, percebeu que ele tinha andado a ver vídeos pornográficos.🤯 Esta mãe é um exemplo, porque apesar de sentir envergonhada, teve a coragem de me ligar a procurar ajuda para lidar com a situação. ❤️Expliquei-lhe que não tinha de sentir vergonha. Já era habitual estas situações aconteceram antes da pandemia. Com uma maior exposição das crianças aos ecrãs, o risco é muito superior. Muitos pais não sabem mexer em computadores nem percebem de informática para tentar minimizar o risco. Outros andam também assoberbados e a tentar sobreviver a tudo o que estamos a viver e é perfeitamente compreensível que não se apercebam.😔
Esta situação deixou-me alerta e comecei a inquirir mais as crianças e jovens que acompanho sobre as informações que tiveram acesso no isolamento. Constatei que muitos outros fizeram o mesmo, alguns a frequentar o 1.º ciclo. Uns foram “apanhados” por adultos, que os colocaram de castigo e não falaram mais do assunto. Outros, ninguém soube. O maior problema não é tanto o que viram (porque já viram e isso não conseguimos alterar) mas o facto de as crianças não terem abertura para falar com um adulto e ficarem completamente perdidas e confusas com a informação a que tiveram acesso.😣
Para muitos de nós, falar em educação sexual ainda significa falar de coito e penetração, fruto da educação que recebemos. Por isso, evitamos ao máximo abordar o assunto com as crianças e jovens. Sentimo-nos desconfortáveis e não sabemos como fazê-lo. No entanto, falar de educação sexual é acima de tudo educar para o respeito do corpo e das opções, nossas e dos outros. É nomear as partes do corpo corretamente e não lhes dar nomes que poderiam ser atribuídos aos animais de estimação. É explicar que os bebês nascem da junção de um óvulo e de um espermatozoide e não vêm com as cegonhas. Dizer que os bebês habitualmente saem pela va**na e só quando não é possível, é que saem pela barriga. É não atribuir géneros a cores...é falar de emoções e sentimentos. Tudo isto e muito mais. 🙂
Acima de tudo estejam atentos. Tentem estar por perto quando as crianças estiverem a usar telemóveis e computadores (isto significa em muitos casos retirar eletrónicos do quarto). Conversem abertamente com eles sobre o corpo e percebam o que eles já sabem. Alguns não têm acesso em casa, mas têm na escola, através dos colegas. Não os critiquem nem os castiguem. Acolham a curiosidade natural das crianças e expliquem que é algo que deve ser visto só por adultos. Se não se sentirem à vontade para falar no tema, procurem ajuda de quem efetivamente vos consiga ajudar. Infelizmente, muitos profissionais de saúde também têm a mesma dificuldade. É muito difícil tentarmos fazer algo quando não temos a referência dos nossos pais terem feito isso connosco e não temos formação na área. E acima de tudo, não se culpabilizem.🌞