24/03/2026
Ser incluído ou numa sociedade que só aprende quando a vida lhe serve a realidade num prato de faca e garfo é cansativo. As pessoas ignoram, desviam o olhar, fazem de conta que não veem… até ao dia em que a vida lhes cai em cima, como se lhes acertasse em cheio na testa, sem aviso e sem pedir licença.
Até lá, a inclusão é apenas uma palavra bonita em discursos, campanhas e publicações nas redes sociais. Mas quando a limitação chega, quando a autonomia falha, quando passam a precisar daquilo que antes ignoravam, tudo muda. De repente, aquilo que era um “exagero” passa a ser uma necessidade básica.
Para quem sempre viveu à margem, para quem sempre teve de lutar por uma rampa, por respeito, por espaço e por dignidade, ver esta aprendizagem tardia não traz co***lo — apenas confirma que a empatia de muitos só nasce quando o problema lhes bate à porta.
Porque a verdade é dura: é triste ter de ser o dobro para conseguir apenas metade. Metade das oportunidades, metade da atenção, metade do reconhecimento. Enquanto uns caminham em linha recta, outros têm de contornar obstáculos que nunca deviam existir. E, mesmo assim, quando finalmente chegam ao mesmo ponto, ainda há quem diga que foi sorte, exagero ou vitimização.
É difícil viver num mundo que só compreende quando sente na própria pele. Enquanto alguns aprendem tarde, outros passam a vida inteira a pagar o preço dessa indiferença.
LA♿🤍
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