19/12/2025
PORQUE PROCRASTINAR?
A procrastinação tende a instalar-se de forma repetitiva, transformando-se num ciclo de autorreforço difícil de quebrar.
Quando se associa a estados de ansiedade, tristeza ou irritabilidade, a tendência é substituir as responsabilidades e compromissos por crenças disfuncionais que reforçam a incapacidade percebida.
O processo inicia-se geralmente pela avaliação que a pessoa faz da tarefa e de si própria:
• pode considerar a tarefa demasiado difícil, pouco interessante ou irrelevante;
• pode interpretar que não é suficientemente inteligente, capaz ou motivada para a concluir.
Estas interpretações resultam de uma combinação de fatores, como traços de personalidade, contexto de vida e regras pessoais construídas para lidar com o medo — medo de falhar, de ser imperfeito, de ser avaliado pelos outros ou de enfrentar o desconhecido.
Os pensamentos derivados destes medos funcionam como uma estratégia de fuga: afastam a pessoa do desconforto emocional provocado pela tarefa e oferecem um alívio imediato, ainda que temporário. Assim, procrastinar torna-se um mecanismo regulador — reduz momentaneamente a culpa ou a ansiedade associada à não execução, mas, a médio prazo, reforça o ciclo de evitamento e consolida a crença de incapacidade.
Esta conduta (a procrastinação) tem por detrás uma dor psicológica que, muitas vezes, é compensada através de comportamentos que podem ter consequências complexas e progressivamente agravadas.”
“Esta característica apresenta-se, geralmente, em duas etapas.
1.º Uma tendência impulsiva para adiar tarefas ou atividades, associada a emoções negativas desencadeadas pelos pensamentos ligados à tarefa (por exemplo, ser aborrecida ou pouco agradável), o que pode intensificar um estado elevado de ansiedade face à perceção da própria capacidade de a cumprir.
2.º O envolvimento numa atividade alternativa, mais atraente e estimulante, como forma de alívio emocional imediato.
Este comportamento pode ocorrer de forma pontual, em atos isolados, ou tornar-se um padrão enraizado e repetitivo, presente em múltiplas situações ou mesmo como característica dominante de uma fase de vida.