03/01/2026
Existe um tipo de cansaço que ninguém aplaude, porque ele não faz barulho.
Ele só se acumula, em camadas, enquanto você segue funcionando.
Você sorri por educação, responde por obrigação, engole por amor, e por fora parece controle, mas por dentro é fogo baixo.
Muita gente chama isso de maturidade.
Você sabe que, na verdade, é sobrevivência.
É a arte de se conter para não perder o emprego, a família, a paz, a própria imagem.
É o autocuidado improvisado de quem aprendeu cedo que explodir custa caro, e que pedir colo, às vezes, não encontra braços disponíveis.
Mas você não nasceu para virar panela de pressão.
Você nasceu para ser presença, para respirar sem medo, para caber em si mesma com dignidade.
O que ferve no silêncio pede escuta, pede gesto pequeno e constante, pede limite dito com doçura e firmeza, pede um “não” que salva, pede um “eu preciso” que não se desculpe.
Quando a garganta aperta, o corpo está tentando te proteger.
Quando a irritação cresce, a alma está acendendo um sinal.
Não é fraqueza sentir demais, é sensibilidade pedindo direção.
A cura começa quando você para de se culpar por estar no limite, e começa a se cuidar como cuidaria de alguém que ama.
Se ninguém percebeu a travessia que você está fazendo, perceba você.
Coloque a mão no peito, como quem fecha um pacto consigo.
Escolha uma palavra gentileza por dia, uma pausa verdadeira, um pedido claro, uma saída possível.
Você não precisa explodir para ser ouvida. Você pode se acolher, e então, se reconstruir.
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