Rael Rosa Quiropraxia e Neurociência

Rael Rosa Quiropraxia e Neurociência 🎓 Bacharel em Quiropraxia
🧠 Neurociência Clínica | Neurologia Funcional
🧠 Diplomado pela International Academy of Neuromusculoskeletal Medicine

Algumas semanas atrás eu estava sentado como aluno.Fui à Itália para um curso com Jean-Pierre Meersseman e Atle Torstens...
30/04/2026

Algumas semanas atrás eu estava sentado como aluno.

Fui à Itália para um curso com Jean-Pierre Meersseman e Atle Torstensen — dois nomes com décadas de experiência clínica e uma história em comum: anos de trabalho com o AC Milan.

Foram dias de imersão. Meersseman compartilhando sua abordagem desenvolvida ao longo de 54 anos de prática clínica — e mais de 100 medalistas olímpicos tratados ao longo da carreira. Torstensen trazendo sua visão sobre coluna e extremidades, construída em mais de 30 anos de atuação e ensino pelo mundo.

Além do currículo de ambos, a oportunidade de estar próximo de pessoas que viveram tanto dentro da profissão é algo indescritível. Não é algo que se encontra nos livros.

30/04/2026

Durante muito tempo, a saúde foi explicada pelo conceito de homeostase, que é a capacidade do organismo de manter variáveis internas relativamente estáveis, como temperatura, pressão arterial, glicemia e pH, apesar das mudanças do ambiente. Nesse modelo, o corpo busca constantemente equilíbrio e estabilidade.

Com o avanço da fisiologia e da neurociência, surgiu o conceito de alostase. Diferente da homeostase, a alostase descreve a forma como o organismo antecipa demandas e se adapta ativamente às mudanças do ambiente, ajustando sistemas fisiológicos antes mesmo de ocorrer um desequilíbrio, ele funciona prevendo e se reorganizando continuamente para lidar com desafios físicos, emocionais e ambientais.

Quando essas adaptações são frequentes ou excessivas, como em situações prolongadas de estresse, privação de sono ou sobrecarga, ocorre o que chamamos de carga alostática, que pode contribuir para fadiga, dor persistente e alterações metabólicas.

Entender essa diferença ajuda a compreender que saúde não é apenas manter estabilidade e sim ter a capacidade de adaptação diante das demandas da vida.

Rael Rosa | Quiropraxia & Neurociência Clínica
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22/04/2026

O sistema de recompensa é um conjunto de circuitos neurais responsáveis por reforçar comportamentos que o cérebro interpreta como relevantes para a sobrevivência e para a adaptação ao ambiente.

Quando realizamos uma atividade que o cérebro considera valiosa, como movimento, interação social, aprendizado ou resolução de problemas, ocorre liberação de dopamina. Esse neurotransmissor não gera apenas sensação de prazer, ele atua principalmente fortalecendo a aprendizagem e aumentando a probabilidade de repetirmos aquele comportamento.

Por isso, os hábitos se consolidam. O cérebro aprende quais ações produzem recompensa e passa a priorizá-las. O mesmo mecanismo que reforça comportamentos saudáveis também pode sustentar padrões menos adaptativos quando estímulos intensos ou imediatos dominam o sistema.

Compreender esse circuito ajuda a explicar por que mudanças de comportamento exigem repetição, consistência e contextos que favoreçam recompensas progressivas.

O cérebro tende a repetir aquilo que aprende a valorizar e o sistema de recompensa é uma das principais engrenagens desse processo.

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10/04/2026

Saúde é a soma de comportamentos repetidos ao longo do tempo: como você dorme, se move, se alimenta, gerencia estresse e organiza sua rotina.

O organismo humano funciona como um sistema adaptativo. Ele responde continuamente aos estímulos que recebe. Movimento regular melhora regulação autonômica e controle motor. Sono adequado restaura processos metabólicos e neurológicos. Relações sociais e regulação emocional influenciam diretamente a forma como o sistema nervoso interpreta ameaça e recupera equilíbrio.

Pequenas decisões cotidianas moldam esse processo. Cada escolha reforça circuitos biológicos que sustentam ou enfraquecem a capacidade do corpo de se adaptar.

Cuidar da saúde, portanto, não é apenas tratar sintomas quando eles aparecem. É construir condições para que o organismo funcione com eficiência diante das demandas da vida.

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Concluí minha pós-graduação em Dor! Mais do que ser especialista, estudar também é sobre se expor ao desconforto de reve...
09/04/2026

Concluí minha pós-graduação em Dor! Mais do que ser especialista, estudar também é sobre se expor ao desconforto de rever certezas, aprofundar perguntas e sustentar a responsabilidade de cuidar melhor.

Foi um ano de muito aprendizado e prática na , vinculada ao em São Paulo. Essa conquista é mais uma expansão de repertório clínico e humano que agrega em minha trajetória.

Estar em um ambiente que valoriza ciência, raciocínio clínico e tomada de decisão centrada no paciente reforça algo que carrego na prática: dor é complexa e é justamente por isso que exige profundidade.

Agradeço aos professores, colegas, família e amigos pelo apoio e incentivo e também aos meus pacientes, são vocês que me desafiam e me fazem refinar o olhar clínico todos os dias.

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01/04/2026

Uma revisão recente de estudos populacionais identificou que muitas pessoas acreditam que a dor nas costas ocorre principalmente por lesões estruturais específicas, que o problema raramente melhora, que o repouso é a melhor estratégia e que manter-se ativo pode ser perigoso (CHANG et al., 2026).

Outras crenças também aparecem com frequência: a ideia de que exames de imagem quase sempre são necessários, que a maioria dos casos exige atendimento médico e que analgésicos simples raramente ajudam (CHANG et al., 2026).

Essas interpretações têm impacto direto no comportamento das pessoas. Quando a dor é entendida como sinal de fragilidade estrutural permanente, aumenta a evitação de movimento, o medo de atividade física e a dependência de intervenções médicas, fatores que podem contribuir para a persistência da dor.

A dor lombar é hoje compreendida como uma condição multifatorial, influenciada por fatores biológicos, psicológicos e sociais. Por isso, alinhar crenças da população com o conhecimento científico atual é parte importante da prevenção e do manejo adequado.

Referência:
CHANG, Jeremy R. et al. What do the general public believe about back pain? A scoping review of population-based studies. BMC Public Health, 2026. DOI: https://doi.org/10.1186/s12889-026-26879-3

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27/03/2026

Atividade física, exposição gradual ao movimento, interação social positiva e estados emocionais regulados aumentam liberação de endorfina. Isso explica por que estratégias comportamentais e motoras têm impacto clínico real na dor persistente.

Endorfinas são opioides endógenos produzidos pelo sistema nervoso central, especialmente no hipotálamo e na hipófise, com ação direta sobre receptores opioides (principalmente μ) distribuídos na medula espinhal e em regiões encefálicas envolvidas no processamento nociceptivo.

Quando liberadas, elas reduzem a transmissão do impulso doloroso nas sinapses do c***o dorsal da medula, diminuem a liberação de neurotransmissores excitatórios como substância P e glutamato e fortalecem os mecanismos de modulação descendente da dor.

O resultado não é apenas “analgesia”, mas uma redução da amplificação central do estímulo nociceptivo.

Dor é experiência construída e a endorfina é um dos principais moduladores dessa construção.

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19/03/2026

Dormir é um processo biológico ativo, no qual o sistema nervoso reorganiza informação, consolida aprendizagem, regula resposta inflamatória e recalibra percepção de dor.

Durante o sono profundo, ocorre liberação adequada de hormônio do crescimento, modulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e restauração metabólica. No sono REM, o cérebro integra experiências emocionais e reorganiza a memória.

A privação e/ou fragmentação do sono aumentam a excitabilidade central, reduzem limiar de dor, pioram controle motor e elevam níveis de estresse fisiológico.

A dor crônica pode provocar distúrbios do sono e um sono de má qualidade pode influenciar na cronificação da dor.

Dormir bem significa acordar com sensação de recuperação, manter estabilidade de humor, ter energia para movimento e apresentar menor reatividade ao estresse.

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11/03/2026

O corpo humano foi desenvolvido para variabilidade, carga progressiva e movimento constante. A ausência de movimento no dia a dia produz alterações mensuráveis no sistema nervoso, no metabolismo e no controle musculoesquelético.

A redução de atividade física diminui estímulo proprioceptivo, piora o controle motor, reduz variabilidade da frequência cardíaca e aumenta sensibilidade à dor. Com o tempo, o organismo passa a operar com menor eficiência adaptativa.

Sedentarismo não gera apenas perda de condicionamento, ele favorece rigidez, piora regulação emocional, reduz capacidade de enfrentamento ao estresse e altera percepção corporal.

Movimento é um modulador biológico potente: melhora perfusão tecidual, regula sistema nervoso autônomo, fortalece conexões neurais e sustenta a saúde metabólica.

Ignorar o sedentarismo é aceitar uma redução progressiva da capacidade funcional.

Movimentar-se é manter o sistema apto a responder às demandas da vida.

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05/03/2026

Estudos epidemiológicos mostram maior prevalência de dor crônica em mulheres, especialmente em condições como enxaqueca, fibromialgia, dor temporomandibular e lombalgia persistente. A diferença, no entanto, não pode ser explicada por um único fator.

Existem componentes biológicos, como influência hormonal sobre modulação nociceptiva, diferenças na resposta inflamatória e na excitabilidade central. Há fatores psicossociais, incluindo maior exposição a sobrecarga mental, múltiplas jornadas e experiências de estresse crônico.

Também existem aspectos culturais e comportamentais, que influenciam a forma como a dor é percebida, relatada e tratada.

Além disso, mulheres apresentam maior probabilidade de desenvolver quadros de sensibilização central, nos quais o sistema nervoso amplifica sinais dolorosos mesmo na ausência de dano proporcional.

A pergunta correta talvez não seja “quem sente mais”, mas como diferentes organismos modulam dor diante de contextos biológicos e sociais distintos.

Compreender essas diferenças é fundamental para oferecer cuidado individualizado, baseado em evidência e sensível à realidade de cada paciente.

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26/02/2026

A ideia de que a coluna “sai do lugar” simplifica demais um sistema que é altamente estável, adaptável e regulado neurologicamente. A dor não está associada a deslocamentos estruturais, mas a alterações no controle motor, no tônus muscular e na forma como o sistema nervoso gerencia carga e movimento.

Sensações de travamento, desalinhamento ou rigidez são experiências reais, porém costumam refletir estratégias de proteção, não falhas mecânicas. O corpo se organiza para proteger o que interpreta como ameaça, mesmo quando não há dano.

A intervenção eficaz não é “colocar algo no lugar”, é restaurar movimento, variabilidade e confiança, permitindo que a coluna volte a cumprir sua função primária: adaptar-se.

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