07/27/2020
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Deixa eu te falar uma coisa, parir dói...mas você vai vivenciar isso e depois vai achar que foi a melhor dor da tua vida. É como quem se programa para escalar o Monte Everest. Meses e meses de treinamento. Dias e dias subindo uma montanha com medo, cansaço, vontade de desistir. Mas aí a pessoa chega ao cume, admira a paisagem, entende que realmente chegou ali. Quase não acredita, mas ela foi capaz de “vencer a montanha”. No parto é algo assim. Você se prepara para o processo, daí quando entra em trabalho de parto bate o medo e a insegurança. Chega o cansaço, a vontade é apenas de desistir. Daí você lembra tudo o que você passou para chegar até ali e segue em frente. Se apoia no companheiro, na doula, na tua equipe. Confia nos teus instintos. Vai para o banho morno, pede massagem. Senta no vaso sanitário e não quer mais sair dali. Vai para a cama e não tem posição. Se agacha, levanta, f**a de quatro, muda de posição...até que teu corpo se “acalma”. Você consegue f**ar de uma jeito que parece que tudo funciona melhor. Então você se rende ao momento. Se entrega àquela dor, lembra dela? Lógico que lembra, ela é uma constante a te lembrar que ela existe para te ajudar a trazer teu filho. Então, você se alia à tua dor. Você se apega a ela como se fosse tua própria força, e ela é. Você entende que ela existe e que ela é uma “dor do bem”. Você se fecha no teu mundo. Você, tua dor e teu filho. Daí quando você acha que realmente chegou ao limite, que realmente não consegue mais, teu filho nasce. Você olha para aquele ser, parte de você mas que não é você. Olha para a pessoa mais importante do mundo e entende que valeu a pena cada contração, cada dor. Você entende que sem ela você não teria conseguido. E você entende que ela foi tua “amiga”. Sem ela você não teria chegado ao teu “Everest”. Sem ela teu filho não estaria ali contigo, nos teus braços, sem ela teu parto não teria acontecido.
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