23/02/2026
Eu sempre digo aos meus pacientes que psicoterapia é um processo. E eu reforço isso porque, se essa parte não f**a clara, a expectativa pode ir para um lugar que depois gera frustração.
Você não chega na terapia vazia. Você chega com anos de história. Com crenças sobre você mesma, sobre os outros, sobre o mundo. Com padrões de comportamento que foram sendo construídos ao longo do tempo. Algumas dessas formas de funcionar já fizeram sentido lá atrás. Outras hoje só geram sofrimento, mas continuam acontecendo de forma automática.
Muitas vezes o motivo que te traz para a terapia não começou agora. Ele te acompanha há anos. Então é importante pensar: se algo levou tanto tempo para se estruturar, por que ele se reorganizaria em poucas semanas?
Quando você coloca um tempo rígido para estar melhor, isso pode gerar ansiedade, comparação e até a sensação de que você está falhando se o resultado não vem na velocidade esperada.
Psicoterapia envolve reconhecer padrões automáticos, identif**ar pensamentos distorcidos, entender a função dos seus comportamentos e testar respostas diferentes na prática. Isso se faz com repetição, reflexão e disposição para sair de respostas já conhecidas.
Alguns processos são mais breves, especialmente quando o foco é específico. Outros precisam de mais tempo porque estamos lidando com estruturas antigas, relações complexas, camadas emocionais profundas. Estamos lidando com pessoas, com histórias, com funcionamentos psíquicos diferentes.
Se você está em terapia, talvez a pergunta mais produtiva não seja quanto tempo isso vai levar?, mas: eu estou entendendo melhor como eu funciono? Estou percebendo meus padrões com mais clareza? Estou reagindo de forma um pouco diferente do que reagia antes?
Mudança consistente raramente é abrupta. Ela vai sendo construída. Sessão após sessão.
E é justamente por isso que ela pode se sustentar.
Eu sei que esse texto ficou longo, mas se você chegou até aqui deixe nos comentários o que pensou a respeito dele ou simplesmente um 🌻para eu saber que você chegou até o fim.
Laís Araújo